Com possibilidade de socorro financeiro, greve de ônibus em Maringá (PR) é suspensa por oito dias

Publicado em: 21 de setembro de 2020

Trabalhadores em uma das assembleias realizadas pelo Sinttromar durante a greve – Foto: Divulgação/Sinttromar

Nesta segunda-feira, 21, foi o sexto dia de paralisação. Dissídio pode ser julgado na sexta-feira, 25

ADAMO BAZANI

A greve de ônibus em Maringá, no Paraná, vai ser suspensa por oito dias.

A decisão ocorreu na tarde desta segunda-feira, 21 de setembro de 2020, em assembleia da categoria, de acordo com nota do Sindicato dos Motoristas Rodoviários de Maringá (Sinttromar).

O “estado de greve”, porém, continua e nova paralisação não está descartada.

Nesta segunda-feira, foi o sexto dia de paralisação da categoria que pede reposição das perdas inflacionárias.

Ao longo das negociações, os trabalhadores disseram que aceitariam receber o pagamento da PLR – Participação nos Lucros e Resultados para um segundo momento, mas sem abrir mão do benefício. Mesmo assim, as empresas que operam na cidade, TCCC – (Transporte Coletivo Cidade Canção) e Cidade Verde, afirmaram que, por causa da queda no número de passageiros não têm condições de realizar as perdas inflacionárias.

Na nota desta segunda-feira, o Sinttromar relaciona três motivos para a decisão de suspender a greve até terça-feira, 29, entre os quais, a possibilidade de haver um auxílio financeiro para o setor na cidade:

1) A consulta da Prefeitura de Maringá ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), sobre a possibilidade de algum tipo de aporte em socorro ao transporte coletivo. Esse assunto foi discutido entre o Sinttromar e o prefeito Ulisses Maia (e equipe) na reunião de sexta (18).

2) A decisão do Judiciário a respeito do dissídio coletivo, o que pode sair até sexta (25). Como não houve acordo na audiência de conciliação, no último dia 18, caberá ao Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT9) a decisão sobre o dissídio.

3) O bom senso. Com a pausa na greve, o Sinttromar demonstra tanto ao Judiciário quanto ao Executivo (Prefeitura) o interesse pelo diálogo como meio de resolver um passivo criado pelas empresas, que se recusam inclusive a conceder a reposição da inflação.

No mesmo comunicado para a imprensa, a entidade sindical relaciona as principais reivindicações.

“O movimento poderá ser retomado após o período de oito dias, caso um acordo não seja possível. A categoria reivindica a reposição da inflação na data-base – de 2,47% no acumulado de 12 meses, pelo INPC – e a manutenção de direitos, como o vale-alimentação e o pagamento da participação nos lucros e/ou resultados (PLR).

A perda dos benefícios significaria menos comida na mesa das famílias dos funcionários da TCCC e Cidade Verde. Para o Sinttromar, as empresas almejam o achatamento salarial e o corte nos benefícios como meio de repassar para os trabalhadores prejuízos decorrentes da crise causada pelo novo coronavírus (covid-19). Nos tempos de bonança, como lembra o presidente do sindicato, Ronaldo José da Silva, as empresas nunca se ofereceram para compartilhar os altos lucros.”

Como mostrou o Diário do Transporte, na última sexta-feira, o vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, do Paraná, desembargador Célio Horst Waldraff, autorizou o uso de força policial para garantir o cumprimento de 70% da frota durante a greve de ônibus na cidade de Maringá.

Quase toda a frota de ônibus municipais estava parada o dia 16 de setembro, quando começou a greve de motoristas e demais funcionários das companhias TCCC – (Transporte Coletivo Cidade Canção) e Cidade Verde.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/09/18/justica-autoriza-forca-policial-para-cumprimento-de-70-da-frota-em-greve-de-onibus-de-maringa/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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