Relatório da CNT mostra que retração do setor do transporte no 1º semestre de 2020 foi quase o dobro da queda do PIB do país

Publicado em: 5 de setembro de 2020

Foto: Divulgação.

Desempenho do transporte foi duas vezes pior do que o registrado no auge da recessão de 2014-2016

ALEXANDRE PELEGI

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) lançou na semana mais uma edição do Transporte em Números, estudo que detalha os resultados da atividade econômica no 1º semestre de 2020.

O objetivo é apresentar os resultados mostrando a magnitude dos impactos da crise mundial provocada pela pandemia da Covid-19 no acumulado do período.

A publicação mostra que, enquanto o PIB do Brasil teve uma queda de 5,9% nos seis primeiros meses de 2020 (na comparação com o mesmo período do ano passado), o do transporte registrou quase o dobro de retração, com -11,3%.

Segundo a publicação, entre todas as atividades, os serviços de transporte de cargas e passageiros apresentaram a segunda maior queda do valor adicionado no semestre, atrás apenas de “outras atividades de serviços” (serviços de alojamento, alimentação, saúde e educação consumidos pelas famílias, serviços domésticos remunerados e serviços culturais, desportivos e recreativos), que caiu 13,6%.

Esse foi o pior resultado para o setor desde o início da série histórica das Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, iniciada em 1996.

O desempenho do transporte foi duas vezes pior do que o registrado no auge recessão de 2014-2016.

A publicação da CNT mostra que, impactado pela crise da Covid-19, o desempenho do fluxo de veículos nas rodovias pedagiadas do Brasil foi negativo no primeiro semestre de 2020.

Em termos de veículos leves houve retração de 23,1% no período, na comparação com os seis primeiros meses do ano passado.

Já o de veículos pesados teve queda de 5,5%, na mesma base de comparação, o que representou uma diminuição de 18,8% no fluxo total.

Para Vander Costa, presidente da CNT, chama atenção para o fato de o transporte ter registrado, dentre todas as atividades, a segunda maior retração no segundo trimestre de 2020, caindo quase o dobro do PIB nacional no período. “Essa contração histórica aconteceu em um momento em que ainda buscávamos recuperar os prejuízos de outra recessão, a de 2014-16. Por isso, consideramos que levará um tempo significativo para que todos os segmentos de transporte, em especial os de passageiros, recuperem os patamares pré-crise Covid-19. Apesar de o momento ser de cautela, esperamos que a economia intensifique a sua reação já nos próximos meses de modo a recompor financeiramente as empresas, bem com propiciar o ambiente necessário para a retomada dos investimentos em infraestrutura.”

Já a movimentação ferroviária brasileira, no primeiro semestre de 2020, caiu 7,6% em toneladas úteis transportadas (TU), na comparação com igual período de 2019. De acordo com a análise da CNT, a queda se deu sobre uma base de comparação bastante fraca, pois, no primeiro semestre de 2019, o segmento já havia sido afetado pelo rompimento da barragem de Brumadinho (MG), o que comprometeu a produção e o transporte de minério de ferro – que representa mais de 70,0% do volume transportado por ferrovias brasileiras.

O setor aéreo, também no primeiro semestre do ano, caiu drasticamente. No período, a demanda teve queda de 48,8% em relação ao mesmo período de 2019. Segundo a CNT, houve forte retração tanto no mercado de voos internacionais (-55,4%) quanto na procura por voos domésticos (-45,7%).



Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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