Ouça: Doria diz que não vai recuar em projeto que extingue EMTU e demais empresas

Publicado em: 21 de agosto de 2020

Doria em transmissão antes da coletiva nesta sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Em declaração antes de coletiva, governador disse que no ano que vem, São Paulo pode não honrar pagamentos se não houver corte de custos

ADAMO BAZANI

Em declaração antes da entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira, 21 de agosto de 2020, sobre o plano da quarentena , o governador João Doria disse que não vai recuar do projeto de lei 529 de reforma administrativa do Estado que, entre outros pontos, prevê a extinção de 11 empresas e autarquias públicas, como a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, que gerencia ônibus, trólebus e VLT em regiões metropolitanas.

Doria agradeceu ao “debate” na Alesp – Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, mas disse que a medida será necessária já que, segundo ele, se não houver corte de gastos, o Estado pode não conseguir realizar pagamentos no ano que vem.

“Quero agradecer a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo pelo debate, pelo cumprimento e dever que cabe a um poder independente, de melhorar e aperfeiçoar a proposta do Executivo, mas sem voltar atrás. Nós não recuaremos nas medidas de modernização aqui no Estado de São Paulo. Nós não vamos esperar chegar ao ponto de não termos recursos para pagar merenda escolar, para oferecer suprimentos aos hospitais, às unidades , às unidades básicas de saúde ou oferecer condições para os serviços de segurança pública ou de proteção social. Também não vamos furar o teto [de gastos do orçamento], nem fazer aqui missão de dinheiro e nem ter práticas populistas no Estado de São Paulo” – disse Doria.

Ouça:

“A modernização administrativa que está na ALESP é fundamental para o Estado de São Paulo, principalmente porque protege  os mais pobres e caso não a fizermos, o Estado não terá condições de honrar seus pagamentos. Não praticamos irresponsabilidade fiscal e nem social”  – c0mplementou

EMENDAS:

Como tem mostrado o Diário do Transporte, desde o dia 17 de agosto estão sendo protocoladas emendas contra o fim da EMTU e o projeto de lei.

Assim, até agora foram protocoladas emendas por José Américo, Rafa Zimbaldi, Beth Sahão, Luiz Fernando Ferreira, Paulo Fiorilo ,Roberto Engler, Emídio de Souza, Enio Tatto, Danilo Mascarenhas de Balas (Agente Federal Danilo Balas), Márcia Lia, Ataide Teruel, José Aprigio da Silva, Mônica Seixas, Márcio da Farmácia, e a emenda em conjunto assinada pelos deputados Teonilio Barba, Marcia Lia, Professora Bebel, Enio Tatto , Beth Sahão, José Américo , Dr. Jorge do Carmo, Paulo Fiorilo,  Luiz Fernando T. Ferreira, Emidio de Souza e Leci Brandão. Soma-se a estas a emenda da deputada Erica Malunguinho que, como informado pelo Diário do Transporte, propõe a criação de uma Agência de Transportes Metropolitanos unificando as gestões da EMTU, CPTM e Metrô.

O QUE FAZ A EMTU:

A EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos gerencia os sistemas de ônibus que ligam diferentes cidades de cinco regiões metropolitanas no Estado: São Paulo; Vale do Paraíba e Litoral Norte; Baixada Santista; Sorocaba e Campinas. Fazem parte deste gerenciamento também o VLT – Veículo Leve sobre Trilhos que liga Santos a São Vicente, no litoral Paulista; o Corredor Metropolitano ABD, de ônibus e trólebus entre a região do ABC Paulista e a capital e o ORCA – Operador Regional Coletivo Autônomo (vans e micro-ônibus que atuam em ligações na Grande São Paulo e entre o Terminal Jabaquara e o Zoológico). O gerenciamento da Bilhetagem Eletrônica, nos projetos de expansão de corredores de ônibus comuns, BRTs (corredores de ônibus com maior capacidade e velocidade) e VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) também fazem parte das atribuições da EMTU, assim como a inspeção e fiscalização dos ônibus e vans de fretamento que circulam nas regiões metropolitanas.

Criada oficialmente pela lei 1.492, de 13 de dezembro de 1977, que estabeleceu o Sistema Metropolitano de Transportes Urbanos, a EMTU deveria ser uma espécie de “agência metropolitana de transportes”, que integraria sistemas de ônibus com trilhos, uma gestão única.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/06/23/historia-a-emtu-pensada-para-gerir-onibus-e-trilhos-de-forma-integrada/

O QUE DIZ O GOVERNO DO ESTADO:

A justificativa do governo é que este pacote total poderia gerar uma economia anual de R$ 8,8 bilhões por ano e corte de 5,6 mil empregos públicos.

Pelo projeto, as atribuições da EMTU seriam repassadas para a Artesp, agência hoje responsável pelas rodovias e ligações por ônibus intermunicipais não metropolitanos.

Em entrevista coletiva no dia 17 de agosto, o vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, defendeu que a Alesp – Assembleia Legislativa aprove na íntegra o projeto do Govenador João Doria, que pretende extinguir 11 empresas ou autarquias, dentre as quais, a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos.

Não são necessárias empresas estatais para executar políticas públicas. O projeto enviado aos deputados [da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo] tem três pilares, um deles é o enxugamento da máquina pública” – disse Rodrigo Garcia.

O vice-governador disse ainda que por causa dos impactos na economia em razão da Covid-19 foi ampliada a necessidade de redução de custos e que, mesmo antes da pandemia, a gestão já planejava uma reforma administrativa.

A Artep deixou de ser vinculada à Secretaria de Transportes e Logística e desde 2017 integra a Secretaria de Governo, comandada pelo vice-governador Rodrigo Garcia.

A Secretaria de Governo é hoje considerada uma das pastas de maior influência política da gestão Doria, o que poderia, em parte, explicar o movimento.

Quem controlar a EMTU, terá sob seu guarda-chuva um universo que reúne grandes empresários de transportes e uma movimentação tarifária expressiva.

Para se ter uma ideia, todos os dias, 1,8 milhão de passageiros se deslocam usando os 4.521 ônibus gerenciados pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos somente nos 39 municípios da Grande São Paulo (números de antes de pandemia da Covid-19.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/08/17/essa-empresas-nao-precisam-existir-diz-vice-de-doria-sobre-projeto-de-fim-da-emtu/

Já no dia 21 de agosto de 2020, em declaração antes da entrevista coletiva sobre o plano da quarentena , o governador João Doria disse que não iria recuar do projeto de lei 529 de reforma administrativa do Estado que, entre outros pontos, prevê a extinção de 11 empresas e autarquias públicas, como a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, que gerencia ônibus, trólebus e VLT em regiões metropolitanas.

Doria agradeceu ao “debate” na Alesp – Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, mas disse que a medida será necessária já que, segundo ele, se não houver corte de gastos, o Estado pode não conseguir realizar pagamentos no ano que vem.

“Quero agradecer a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo pelo debate, pelo cumprimento e dever que cabe a um poder independente, de melhorar e aperfeiçoar a proposta do Executivo, mas sem voltar atrás. Nós não recuaremos nas medidas de modernização aqui no Estado de São Paulo. Nós não vamos esperar chegar ao ponto de não termos recursos para pagar merenda escolar, para oferecer suprimentos aos hospitais, às unidades , às unidades básicas de saúde ou oferecer condições para os serviços de segurança pública ou de proteção social. Também não vamos furar o teto [de gastos do orçamento], nem fazer aqui missão de dinheiro e nem ter práticas populistas no Estado de São Paulo” – disse Doria.

“A modernização administrativa que está na ALESP é fundamental para o Estado de São Paulo, principalmente porque protege  os mais pobres e caso não a fizermos, o Estado não terá condições de honrar seus pagamentos. Não praticamos irresponsabilidade fiscal e nem social”  – c0mplementou

Veja as empresas e autarquias que devem desaparecer:

Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo S. A. (EMTU/SP);

Fundação Parque Zoológico de São Paulo;

Fundação para o Remédio Popular “Chopin Tavares de Lima” (FURP);

Fundação Oncocentro de São Paulo (FOSP);

Instituto Florestal;

Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo (CDHU);

Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo S. A. (EMTU/SP);

Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN);

Instituto de Medicina Social e de Criminologia (IMESC);

Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (DAESP);

Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo “José Gomes da Silva” (ITESP);

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Vanildo disse:

    Pseudo economia, em empresa autossuficiente. Manobra meramente política!

  2. Luiz disse:

    Como pode fazer uma coisa dessas?
    A empresa não deve pra ninguém!
    Não usa e não usou mesmo na pandemia nenhum recurso do Estado pra pagar suas despesas próprias.
    É uma empresa autossuficiente que cuida do transporte de pessoas e de pessoas. Não cuida de pedágio!

  3. Fernando disse:

    Alguém já viu os demonstrativos financeiros da EMTU e da ARTESP.
    A EMTU é uma empresa séria, redondinha, que não deve pra ninguém.
    A ARTESP é uma empresa com Fluxo de Caixa Operacional negativo que em 2019 fechou com R$ 498 milhões em caixa e praticamente só mais um prédio de R$ 71 milhões
    Isso é uma empresa de transportes ou é um Banco?

  4. JOSE LUIZ VILLAR COEDO disse:

    CORTE AS VOSSAS REGALIAS ! Ai SOBRARA MUUUUIIIIITTTTTTOOOO DINHEIRO!

  5. Raphael disse:

    Não entendo, se vai privatizar a EMTU que é autossuficiente, porque não estinguir a Artesp que é deficitária e só dá prejuízo para o estado que todo ano tem que injetar dinheiro nela, vindo de impostos que pagamos! Não é para cortar gastos? Os argumentos do governador não condiz com a decisão que quer tomar.

  6. Maria Luiza Silva Lima disse:

    Mais uma manobra política, corte os gastos de vocês; com certeza não faltará dinheiro para os gastos com saúde, merenda, segurança, etc…

  7. Santos Dumont disse:

    Já comentamos dias atrás sobre essa proposta do governador, e inclusive parabenizando-o pela iniciativa. Não temos conhecimento sobre as contas dessas organizações públicas, mas nada justifica o gigantismo que possam ter. Comparando, uma Petrobrás é extremamente lucrativa, mas será que isso justifica permanecer estatal? Então, em se tratando de empresas públicas, cujo objetivo não é produção de bens e serviços que agreguem valor, senão o social, se podemos simplificar essa máquina, tirando proveito de sistemas informatizados, por que não faze-lo? Curioso notar que apenas pessoas aparentemente funcionários comentaram o assunto. Não seria o caso de suas associações se pronunciarem a respeito?

  8. RodrigoZika disse:

    Que absurdo, quero ver se Alesp vai permitir.

  9. John disse:

    Dinheiro pra fechar acordo com a china tem governador! Mas pra honrar os serviços prestados a população não tem?
    Hipocrisia impera no seu mandato.

  10. Marcos disse:

    Isso parece planejado… privatizar para a China…podem ter certeza !!

  11. Angel disse:

    Dória já sabe que nunca mais será eleito e por isto tenho receio das privatizações de seu governo. .Como tb tenho receio com Covas. Veja o que gastou e como ficou o vale do Anhangabaú. Duas gestões nefastas

  12. Gesner disse:

    Análise de um velho matuto….
    Mantenha oque da prejuízo para ter oque dizer, e vendo para o governo chinês oque dá lucro para me manter feliz$$$.
    Ao Sr João Doria, o matuto diz que sua ingerência diante da pandemia, o pedido de socorro ao governo federal, dando-lhe as costas após início de sua escabrosa incompetência.
    Já concede a nós contribuintes o direito de trancafiados, seja pela pandemia seja por rodovias. Em pandemia cobrando multa da população que já pediu seu emprego, e muito mais. Ou o pai compra a máscara ou leva pão para os filhos.
    É vossa senhoria o penalizaram com multa por um objetivo de ser mandante.
    A unificação do seu contigenciamento da população irá lhe cobrar em seu acerto na passagem no final de seus dias.
    E nas rodovias vc senhoria nos tirou quase todas as rodovias passando para iniciativa privadas, não temos mais o direito de ir e vir pois na análise de cobrança sobre impostos.
    Nos paulistas pagamos por inúmeras vezes o mesmo imposto dividido em siglas diferentes, com o interesse sórdido de arrecadação, por incapacidade de ter a mínima noção de ser trabalhador assalariado.
    Deus olha para seus filhos com o mesmo olhar. No dia que estiveres no UMBRAL e seres penitenciado por sua ganância. Arderas muito em seu próprio ego sendo penitenciado a sua própria consciência.

  13. Ailton disse:

    Extinguir empresas que não utilizam dinheiro do Governo, mentir sobre supostos prejuízos bilionários, qual o propósito de atitudes desse nível?

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