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Emendas na Alesp são contra o fim da EMTU e pedem mudança de PL de Doria

EMTU fiscaliza ônibus metropolitanos Foto: Arquivo

Na justificativa, parlamentar usa exatamente o mesmo texto da entrevista que o Diário do Transporte fez com o especialista Flamínio Fichmann sobre gerenciadora ser superavitária

ADAMO BAZANI

O projeto do governador João Doria de reforma administrativa, com a extinção de 11 empresas e autarquias públicas, entre as quais, a EMTU, já começa a enfrentar resistência por parte de alguns parlamentares na Alesp – Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Foi publicada oficialmente nesta terça-feira, 18 de agosto de 2020, ao menos duas emendas ao projeto de Doria propondo a retirada do tópico que extingue a EMTU.

As emendas são assinadas pela deputada estadual Mônica Seixas, da Bancada Ativista, e pelo deputado Márcio da Farmácia (PODEMOS).

Os pedidos de retirada da proposta de fim da EMTU foram protocolados nesta segunda-feira, 17.

A parlamentar da Bancada Ativista diz que extinguir a EMTU pode ir na contramão do que o governo alega querer: reduzir custos.

Doria quer passar as atribuições da EMTU para a Artesp, mas , segundo a justificativa da deputada, a Artesp é deficitária e a EMTU fecha no positivo.

Veja trecho da justificativa:

A empresa [EMTU] conta com aproximadamente 500 funcionários, com capital social na ordem de R$ 2.326.049.906,41 (dois bilhões, trezentos e vinte e seis milhões, quarenta e nove mil, novecentos e seis reais e quarenta e um centavos), é denominada de sociedade por ações, e não depende da Fazenda Estadual, pois a mesma tem capital próprio. Outros pontos que devemos atentar: · Em 2019 o Fluxo de Caixa Operacional da EMTU deu positivo, da ARTESP não; · A ARTESP tem pouco patrimônio físico, A EMTU tem mais; · A EMTU gerencia 19.773 veículos em todas as 5 (cinco) regiões metropolitanas; · A EMTU fez mais de 25.000 fiscalizações e mais de 81.000 inspeções em 2019; · A EMTU atendeu 134.887 chamados referentes a informações e reclamações, a ARTESP apenas 4.457. Somente observando esses números, dá para perceber a importância e a abrangência da EMTU. A EMTU é uma empresa autossuficiente. As empresas de ônibus pagam várias taxas, como de fiscalização, vistoria de frota e outros serviços, que colocam a EMTU com custo zero para a população. A EMTU não custa nada para o Estado. A estrutura é enxuta.

Na continuação da justificativa, a parlamentar usa exatamente o mesmo texto da entrevista que o Diário do Transporte fez com o arquiteto, urbanista e consultor de trânsito e transporte, Flamínio Fichmann, no último dia 14 de agosto. Os créditos da reportagem não foram citados pela deputada, mas você pode ouvir o áudio da declaração e a entrevista na íntegra neste link:

https://diariodotransporte.com.br/2020/08/14/entrevistas-especialistas-em-transportes-criticam-proposta-de-doria-de-extinguir-emtu/,

“A estrutura é enxuta. Os espaços para toda a sua equipe de gestão, atualmente com menos de 500 empregados, estão em sua maioria lotados na Unidade de São Bernardo do Campo, que funciona junto com a administração do corredor Metropolitano operado pela Metra [que paga aluguel] e outra parte está num pequeno escritório na região central de São Paulo, em sua Unidade Sede. Não tem ostentação, não tem um custo elevado” – diz o trecho baseado na entrevista do Diário do Transporte

A EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos gerencia os sistemas de ônibus que ligam diferentes cidades de cinco regiões metropolitanas no Estado: São Paulo; Vale do Paraíba e Litoral Norte; Baixada Santista; Sorocaba e Campinas. Fazem parte deste gerenciamento também o VLT – Veículo Leve sobre Trilhos que liga Santos a São Vicente, no litoral Paulista; e o Corredor Metropolitano ABD, de ônibus e trólebus entre a região do ABC Paulista e a capital.

Ainda na justificativa, a parlamentar relaciona algumas das atividades específicas da EMTU que não são executadas pela Artesp:

A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU/SP) é uma empresa controlada pelo Governo do Estado de São Paulo, vinculada à Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos (STM), responsável pela fiscalização e regulamentação do transporte metropolitano de baixa e média capacidade nas cinco Regiões Metropolitanas do Estado de São Paulo: São Paulo, Campinas, Sorocaba, Baixada Santista e Vale do Paraíba e Litoral Norte. Essas cinco áreas somam 134 municípios que têm toda a sua rede de transportes intermunicipais controlada pela EMTU/SP, contando com várias características de serviços essenciais para o transporte coletivo, bem como social por todo catálogo de serviços que oferece:

Outra emenda é do deputado Márcio da Farmácia (PODEMOS) também quer retirar do projeto a extinção da EMTU.

O parlamentar também cita, mesmo sem crédito, outro dado trazido pela reportagem do Diário do Transporte com especialistas de que,  segundo estes técnicos, a Artesp não teria experiência em projetos de corredores metropolitanos.

“Se for extinta suas atividades passarão para a Agência de Transporte do Estado de São Paulo – ARTESP, autarquia especial que executa atividades de gerenciamento de contratos de concessão de operação de rodovias. Porém a ARTESP não possui experiência em gestão de transportes metropolitanos e pode acarretar uma precarização dos serviços dos sistemas gerenciados hoje pela EMTU. Ela também não tem experiência em outra atribuição atual da EMTU, que é a gestão da expansão dos sistemas de corredores e BRTs (Bus Rapid Transit) que devem integrar parte da rede dos transportes metropolitanos. Por essas razões, somos contrários a extinção da EMTU.” – diz o trecho da Justificativa à emenda.

O questionamento sobre a expertise da Artesp em projetos metropolitanos foi levantado pelo arquiteto e urbanista, Flamínio Fichmann.

Ouça a entrevista neste link:

https://diariodotransporte.com.br/2020/08/14/entrevistas-especialistas-em-transportes-criticam-proposta-de-doria-de-extinguir-emtu/

As emendas ainda vão ser votadas.

VICE DE DORIA DIZ QUE EMPRESAS NÃO PRECISAM EXISTIR:

O vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, defendeu em entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira, 17 de agosto de 2020, que a Alesp – Assembleia Legislativa aprove na íntegra o projeto do Govenador João Doria, que pretende extinguir 11 empresas ou autarquias, dentre as quais, a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos.

“Não são necessárias empresas estatais para executar políticas públicas. O projeto enviado aos deputados [da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo] tem três pilares, um deles é o enxugamento da máquina pública” – disse Rodrigo Garcia.

O vice-governador disse ainda que por causa dos impactos na economia em razão da Covid-19 foi ampliada a necessidade de redução de custos e que, mesmo antes da pandemia, a gestão já planejava uma reforma administrativa.

A justificativa do governo é que este pacote total poderia gerar uma economia anual de R$ 8,8 bilhões por ano e corte de 5,6 mil empregos públicos. Pelo projeto, as atribuições da EMTU seriam repassadas para a Artesp, agência hoje responsável pelas rodovias e ligações por ônibus intermunicipais não metropolitanos.

A Artep deixou de ser vinculada à Secretaria de Transportes e Logística e desde 2017 integra a Secretaria de Governo, comandada pelo vice-governador Rodrigo Garcia.

A Secretaria de Governo é hoje considerada uma das pastas de maior influência política da gestão Doria, o que poderia, em parte, explicar o movimento.

Quem controlar a EMTU, terá sob seu guarda-chuva um universo que reúne grandes empresários de transportes e uma movimentação tarifária expressiva.

Para se ter uma ideia, todos os dias, 1,8 milhão de passageiros se deslocam usando os 4.521 ônibus gerenciados pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos somente nos 39 municípios da Grande São Paulo (números de antes de pandemia da Covid-19.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/08/17/essa-empresas-nao-precisam-existir-diz-vice-de-doria-sobre-projeto-de-fim-da-emtu/

Veja as empresas e autarquias que devem desaparecer:

Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo S. A. (EMTU/SP);

Fundação Parque Zoológico de São Paulo;

Fundação para o Remédio Popular “Chopin Tavares de Lima” (FURP);

Fundação Oncocentro de São Paulo (FOSP);

Instituto Florestal;

Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo (CDHU);

Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo S. A. (EMTU/SP);

Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN);

Instituto de Medicina Social e de Criminologia (IMESC);

Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (DAESP);

Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo “José Gomes da Silva” (ITESP);

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Veja íntegra das emendas:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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