BRT Rio tem 34 estações fechadas por causa de vandalismo. 100 já foram danificadas desde abril

Publicado em: 4 de agosto de 2020

Vandalismo causa deteriorização dos serviços e dinheiro que poderia ser para melhorias, é usado para consertos. Foto: BRT Rio

No último fim de semana, seis estruturas foram danificadas. Algumas destas estações já tinham sido atacadas e passavam por reformas, mas foram alvos novamente das ações dos criminosos, inclusive com furtos de equipamentos

ADAMO BAZANI

O Consórcio BRT Rio atualizou o número do vandalismo que o sistema de corredores de ônibus rápidos tem sofrido.

De acordo com nota da concessionária, neste momento, 34 estações do sistema estão fechadas por causa de depredação, vandalismo ou furtos de equipamentos. Desde abril, 100 estações foram alvos de vândalos e criminosos.

No fim de semana passado, mais seis estações foram atacadas: Aracy Cabral e Vaz Lobo (Transcarioca), Riomar, Santa Mônica Jardins, Pedra de Itaúna e Riviera (Transoeste) foram vandalizadas ou tiveram equipamentos furtados.

Ainda segundo o consórcio, algumas destas estações já tinham sido atacadas e passavam por reformas, mas foram alvos novamente das ações dos criminosos, inclusive com furtos de cabos.

“A estação Riviera ficou fechada para reformas na semana passada e seria reaberta nesta segunda-feira, dia 3, porém teve os cabos de energia furtados no domingo e só poderá ser reaberta amanhã, terça-feira. A estação Vaz Lobo, que está sendo reformada durante a madrugada, também foi alvo da ação de bandidos.”

Na semana passada, já tinham sido vandalizadas as estações Riocentro, no corredor Transolímpica, e Penha 1 e Penha 2, no Transcarioca, e o Terminal Santa Cruz, no corredor Transoeste.

Na nota, o presidente executivo do BRT Rio, Luiz Martins, afirmou que a situação chegou a um ponto que classificou de insustentável.

“Em que pese os graves problemas financeiros que estamos enfrentando, o BRT Rio vem se esforçando para recuperar e reformar estações, porém chegamos a um ponto insustentável. Hoje deveria ser um dia para comemorar a entrega de mais uma estação reformada, mas isso não será possível por causa da ação de bandidos. Não é mais possível conviver com esse tipo de situação. Precisamos do apoio urgente do poder público para conter essa onda crescente de vandalismo e furtos, sob o risco de não conseguirmos mais reverter esse quadro deplorável. Com exceção dos bandidos e vândalos, todos saem perdendo”, disse.

O consórcio relatou que não tem poder de polícia para coibir o vandalismo e os furtos, o que é uma atribuição do poder público.

“É importante destacar que a segurança em terminais e estações é atribuição do poder público, conforme estabelece a legislação. As ações dos operadores de estação do BRT Rio são em caráter de orientação aos passageiros para as operações do sistema. Ou seja, eles não têm poder de polícia, da mesma forma que os motoristas também não têm. Coibir transgressões, delitos e crimes de qualquer natureza é atribuição das forças policiais, sejam do Município ou do Estado do Rio de Janeiro.”

BRT RIO, UMA BOA SOLUÇÃO QUE SOFRE COM EXTERNALIDADES DESDE O INÍCIO:

O sistema de corredores de ônibus do Rio de Janeiro, alavancados pelas Olimpíadas de 2016, trouxe inegáveis melhorias na mobilidade da capital. Em alguns trechos, o tempo de viagem caiu até 65%.

Mas situações externas à escolha do meio de transporte têm deteriorado os serviços.

Um dos primeiros pontos foi o preparo do solo e as soluções de engenharia. Uma auditoria da gestão do prefeito Marcelo Crivella em outubro de 2018 apontou que o projeto original e o que estava previsto em contrato não foram seguidos. Em trechos onde trincas, buracos e deformações eram aparentes no asfalto, foi verificado, segundo a prefeitura, uso de material de qualidade abaixo da especificada no contrato e espessuras até 10 cm menores do que as que deveriam ser utilizadas no concreto. Além disso, o asfalto original já estava aparente.

O solo não recebeu a compactação correta e, em alguns trechos, foi escolhido asfalto em vez de concreto, que é mais adequado para o peso dos ônibus.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/10/22/crivella-denuncia-irregularidades-em-outra-obra-do-brt/

Além dos problemas físicos, que interferem na manutenção dos veículos, há também as questões financeiras. O Consórcio BRT reiteradas vezes reclamou do custeio do sistema, que sofre interferências como do transporte clandestino e da evasão de receitas pelo fato de muitos passageiros não pagarem mesmo não tendo direito a gratuidades. As readequações de linhas para alimentarem o BRT também tiveram equívocos e não foram concluídas ainda.

As ações criminosas e o vandalismo também causam riscos à operação, ampliam os custos e reduzem a qualidade dos serviços. Constantemente estações são alvos de ataques, com furtos de equipamentos, depredações e até incêndios.

A Polícia Civil investiga a atuação do crime organizado em muitas destas ações.

Os ônibus dos BRTs começaram a tirar os passageiros das lotações, muitas delas ilegais, e, não generalizando, porém, não escondendo a realidade, são controladas por traficantes de drogas e milicianos, muitos dos quais ligados a policiais e até mesmo a políticos, apontam as investigações.

Desta forma, o atual estágio do BRT do Rio não pode ser usado como parâmetro nem para criticar e nem para defender este tipo de solução de transporte porque sofre com interferências de outras áreas externas ao transporte, como decisões equivocadas de engenharia, políticas tarifárias contestáveis e até de segurança pública.

O VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, outra boa solução que ajudou remodelar e qualificar as áreas onde foi instalado, não sofre com os mesmos problemas, mas não pode ser usado na comparação contra ou a favor do BRT, já que sua malha é muito pequena e atende mais as regiões central e portuária, onde há  maior infraestrutura e atuação das forças de segurança pública. O BRT, por sua vez, se estende a regiões mais afastadas do centro, cujos índices vulnerabilidade social e os indicadores de violência são bem mais desfavoráveis.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:

Comentários

  1. O Rio sofre, e continuará sofrendo já que não há uma demanda eficiente de policiamentos na RM, eo por outro lado cresce a demanda de pessoas que de toda forma usa material publico para permutas (aluminio, ferro, Cobres), fomentar e manter seus vicios com entorpecentes, para fugir da realidade da pobreza e abandono familiar. Na outra ponta os perueiros e vans aproveitam para desviar passageiros do BRT. Aqui lembro bem o que aconteceu na cidade de SBC, com as vans e peruas, Tudo recolhido, e quem tivesse na ilegalidade padeceria na cadeia, ou pagaria multa, e, claro teria seu material de trabalho recolhido. Um cenário bem diferente dos fluminenses, em quase todos os sentidos..

  2. Alfredo disse:

    Ainda existe transporte clandestino em SBC, na Avenida Prestes Maia tem carros particulares fazendo lotação para o bairro São Pedro

Deixe uma resposta