Cachoeira do Sul (RS) fecha rodoviária após queda do número de passageiros

Publicado em: 10 de julho de 2020

Por causa da crise, concessionária não repassou às empresas Unesul e Planalto o dinheiro da comercialização do mês de junho. Foto: Eduardo Machado

Estação Rodoviária existe há 79 anos, e encerrará atividades na próxima segunda-feira, 13, por conta da pandemia de Covid-19

ALEXANDRE PELEGI

A empresária Rosane Radünz Bartmann, que administra a Estação Rodoviária de Cachoeira do Sul, cidade no Rio Grande do Sul com mais de 80 mil habitantes, informou nesta quinta-feira, 9 de julho de 2020, que está encerrando as atividades do equipamento após 79 anos ininterruptos de atuação.

A rodoviária deixará de funcionar nesta segunda-feira, 13 de julho de 2020.

Em entrevista à rádio GVC.fm, Rosane explicou que a rodoviária será fechada em função da crise econômica que a concessionária enfrenta já há quase uma década. Nesse período ela destacou que o volume de passageiros decaiu, o que foi agravado após a pandemia do coronavírus.

Há 10 anos a rodoviária comercializava uma média de 1,2 mil passagens por dia. Em 2014 esse número caiu para 500 e, segundo ela, continuou caindo. No período de isolamento social cerca de apenas 30 pessoas compraram passagens.

Para manter o serviço, ela ressalta que é preciso vender 450 bilhetes por dia.

No Rio Grande do Sul, as rodoviárias concentram as vendas de passagens. Por causa da crise, a empresa deixou de repassar às empresas Unesul e Planalto o dinheiro da comercialização do mês de junho, e acabou penalizada com a suspensão da venda de bilhetes.

Com a pandemia, houve uma baixa de 90% no número de passagens vendidas.

As empresas Unesul e Planalto, que operam na linha Cachoeira/Porto Alegre, puxam a maior parte das vendas.

AÇÃO DA PREFEITURA

Logo após a comunicação feita pela empresária, o prefeito de Cachoeira do Sul, Sergio Ghignatt, entrou em contato com o representante da empresa Unesul, Rafael Erthal, em busca de uma alternativa caso o fechamento da Rodoviária se concretize.

Segundo comunicado da prefeitura, a solução temporária proposta seria de embarque e desembarque dos passageiros na garagem da empresa Unesul, localizada na Avenida Marcelo Gama, que seria adaptada para atender provisoriamente a necessidade.

A prefeitura emitiu a seguinte nota sobre o fechamento da Rodoviária:

Em decorrência das notícias veiculadas na mídia local na manhã desta quinta-feira (9), a Prefeitura de Cachoeira do Sul vem prestar as seguintes informações:

– Todas as questões relativas ao serviço prestado pela Estação Rodoviária são de ÚNICA e EXCLUSIVA competência e responsabilidade do Governo do Estado do Rio Grande do Sul (através do DAER);

– No final da manhã de hoje, por iniciativa do Prefeito Sergio Ghignatti, reuniram-se na Prefeitura, os representantes da Estação Rodoviária, acompanhados de seu advogado, a Promotora Débora Becker, que está acompanhando o caso, o Presidente da Câmara de Vereadores, vereador Nelson Azevedo, e representes do Poder Executivo Municipal;

– Na oportunidade, o prefeito reiterou aos representantes da Estação Rodoviária que não havia sido informado sobre o assunto e que, ao tomar conhecimento da situação durante esta manhã, prontamente entrou em contato com o Secretário de Estado dos Transportes, Juvir Costella, bem como com o Diretor Geral do DAER, Luciano Faustino, e com o responsável pela Diretoria de Transportes Rodoviários do DAER, Lauro Roberto Lindemann Hagemann;

– Durante a reunião, os representantes da rodoviária e o seu advogado deixaram claro ter conhecimento de que a responsabilidade para a solução desta situação é do Estado do Rio Grande do Sul, ressaltando que a crise no setor vem de longa data e que foi agravada neste ano com a pandemia;

– Ressaltaram ainda que estavam buscando apoio junto ao Poder Público Municipal, já que não tiveram retorno, até então, do Governo do Estado;

– Os representantes da Estação Rodoviária informaram ainda que, em abril, comunicaram formalmente o DAER e a AGERGS (que regulamenta o serviço) de que a concessionária “encontra-se em extrema dificuldade econômico-financeiro-operacional, chegando a ter redução na venda de passagens em até 90% (noventa por cento) da normalidade”, informando também que não receberam resposta do DAER quanto a esta solicitação;

– O Poder Executivo buscou informações sobre a situação da prestação de serviços em alguns municípios, constatando que o relato quanto ao déficit se repete nestes outros locais;

– O prefeito Ghignatti, via contato telefônico, durante a reunião, expôs ao Diretor Geral do DAER a gravidade da situação e solicitou o atendimento presencial, em Porto Alegre, ficando agendada reunião para a próxima segunda-feira, às 10h, na sede do DAER;

– Irão acompanhar o Prefeito na reunião, o presidente da Câmara de Vereadores, o procurador geral do Município, Leonel Slomp Gonçalves, e os representantes da Estação Rodoviária, acompanhados de seu advogado;

– Por fim, o Poder Público ressalta que, no momento em que foi cientificado da gravidade da situação, tomou todas as medidas cabíveis que estão ao seu alcance, já que se trata de serviço autorizado pelo Estado/DAER, para que não haja prejuízo aos munícipes que precisam deste serviço essencial.


Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Santos Dumont disse:

    Lamentável. Uma cidade com mais de 80 mil habitantes se ver privada de terminal rodoviário, ao que parece de iniciativa privada. O estatuto das cidades vê o terminal rodoviário como equipamento urbano indispensável para qualificação de uma comunidade, que se reflete no seu IDH (IBGE). É dever da municipalidade disponibilizar esse equipamento, seja público, seja privado, e mormente agora, quando a Antt, responsável pelo transporte interestadual, quer admitir a existência de linhas regulares somente nas localidades que disponham de um terminal rodoviário adequado (leia-se, compatível com requisitos de acessibilidade), público ou privado. Em tempo de parceria público-privada não será difícil retomar essa atividade de apoio ao transporte público.

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