Brasil e México firmam acordo para livre comércio de ônibus, caminhões e suas peças com 100% previsto 2023

Ônibus Caio/Volvo exportado para o México em 2019

Documento deve ser assinado nos próximos dias

ADAMO BAZANI

O Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Economia informaram nesta quinta-feira, 25 de junho de 2020, que o Brasil e o México fecharam um acordo para livre comércio de ônibus (chassis e carrocerias), caminhões, peças, motores, acessórios e equipamentos destes veículos de grande porte. O documento será assinado nos próximos dias. Entretanto, no caso dos veículos completos o acordo pleno estará em vigor a partir de 2020.

Como mostrou o Diário do Transporte, nesta quinta-feira, segundo nota conjunto dos dois ministérios, o plano é que no caso dos ônibus e caminhões montados, a preferência para os produtos de ambos os países será gradual. Já para as peças, o acordo deve entrar em vigor de forma integral, com previsão a partir de 1º de julho.

“Pelo novo instrumento, o comércio de veículos pesados será desgravado progressivamente, sendo a margem de preferência de 20% a partir de 1º de julho de 2020 ou da data de sua entrada em vigor, de 40% a partir de 1º de julho 2021, de 70% a partir de 1º de julho de 2020, alcançando a liberalização total em 1º de julho de 2023. No caso das autopeças de veículos pesados, o livre comércio terá início imediato, já a partir de 1º de julho de 2020 ou da data de entrada em vigor do protocolo.”

Além disso, segundo os ministérios, como resposta às dificuldades enfrentadas pelas empresas em decorrência da pandemia da Covid-19, o novo Protocolo Adicional estende ainda o prazo 24 meses para 30 meses para que as exportações de ambos os países se beneficiem de índices de conteúdo regional mais flexíveis, apenas para o caso de novos modelos lançados entre abril de 2018 e dezembro de 2019. O novo protocolo prevê, adicionalmente, consultas e trabalhos técnicos entre os dois países em matéria de regulamentos técnicos, as quais deverão ter início no terceiro trimestre de 2020.

De acordo com as pastas, o México é o terceiro maior consumidor dos veículos brasileiros, ficando atrás apenas de Argentina e Estados Unidos, respectivamente, de acordo com os dados consolidados de 2018 e 2019. Em 2019, a corrente de comércio de produtos automotivos entre os dois países registrou US$ 3,8 bilhões, com exportações no valor de US$ 1,8 bilhão e importações no valor de US$ 1,9 bilhão.

Ambos os ministérios consideram que ao promover o livre comércio também de caminhões, ônibus e suas autopeças, o novo acordo gerará aumento importante das exportações brasileiras para o México nos próximos anos, tendo em vista a reconhecida competitividade do Brasil no segmento de veículos pesados.

Na nota, o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Economia ainda dizem acreditar que o comércio entre Brasil e México ainda está bem inferior ao potencial de circulação dos produtos.

“O Governo brasileiro considera que o comércio bilateral entre Brasil e México ainda está muito aquém do potencial de integração das duas maiores economias da América Latina, razão pela qual este acordo simboliza o início de um processo de avanços na abertura comercial bilateral. Nesse sentido, os dois países estão empenhados, atualmente, em aprofundar, modernizar e ampliar o escopo dos Acordos de Complementação Econômica nº 53 e 55, que regem o intercâmbio comercial entre eles. Atualmente, apenas 10% das linhas tarifárias brasileiras gozam de livre comércio no âmbito desses dois Acordos, e sua ampliação permitirá que mais produtos e setores econômicos possam se beneficiar do comércio bilateral de forma mais efetiva, o que também ocorrerá por meio da adequação de suas regras a dispositivos mais modernos que foram negociados em acordos comerciais mais recentes.”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

  1. RodrigoZika disse:

    Ao menos uma noticia boa em meio a pandemia.

  2. Marcelo Bales disse:

    Foi postergado para ter início em três anos com um protocolo adicional.

    1. diariodotransporte disse:

      Sugiro ler melhor a matéria também.
      Essa questão de 2023 está no texto desde o início. Mudamos o título para leitores de título
      Mas é a mesma nota enviada a todos outros.
      Está até em itálico (letra caidinha).
      Por favor, reler
      Grato

Deixe uma resposta