Viação Reunidas suspende operação no transporte coletivo de Goiânia

Último dia de trabalho foi neste sábado, 13. Foto: Reprodução.

CMTC informou que Rápido Araguaia vai assumir a operação das linhas do arco Oeste

JESSICA MARQUES

A Viação Reunidas, uma das empresas que opera no transporte coletivo de Goiânia e região metropolitana, anunciou a paralisação de seus serviços. As atividades foram suspensas no último sábado, 13 de junho de 2020.

Em nota, o SET (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo e Passageiros de Goiânia e Região Metropolitana) informou que os trabalhadores estão com salários atrasados desde maio. Além disso, o auxílio alimentação não está sendo pago, segundo a entidade.

Ainda de acordo com o SET, o Governo do Estado, por meio do Plano Emergencial, comprovou a situação de dificuldade econômico-financeira das empresas. A checagem foi feita por auditoria da CGE (Controladoria Geral do Estado).

À imprensa local, a concessionária alegou dificuldades financeiras por conta da redução no número de passageiros, frente à pandemia de Covid-19.

ATENDIMENTO AOS PASSAGEIROS

Em nota, a CMTC (Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos) informou que a população não ficará sem ônibus. Isso porque a Rápido Araguaia vai fazer o atendimento nas linhas do arco Oeste, antes operadas pela Reunidas.

“Diante da dificuldade financeira apresentada pela Viação Reunida que temporariamente suspendeu suas atividades, a Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) determinou que a empresa Rápido Araguaia realizasse o atendimento nas linhas do arco Oeste, e que são operadas pela Viação Reunidas. A medida garante o transporte de passageiros sem prejuízo no embarque e desembarque”.

POSICIONAMENTO DA EMPRESA

Confira a nota da Reunidas, na íntegra, enviada ao Diário do Transporte:

Depois de quase 90 dias mantendo os serviços e operando com prejuízo, a Viação Reunidas (VR), uma das concessionárias do transporte coletivo de Goiânia e região metropolitana, suspende temporariamente sua operação.

A empresa, sua diretoria e seus mais de 400 colaboradores, pararam neste sábado último, 13. Sem receber salários e vale alimentação ainda referentes ao mês de maio, na garagem da empresa, de mão dadas, rezaram para que uma solução seja encontrada o mais rápido possível para que cada um dos funcionários não perca seus empregos e suas famílias a segurança.

“A empresa é responsável, atua com profissionalismo, enxuta, com números transparentes, uma vez que é S/A (sociedade anônima) e publica seus balanços auditados regularmente, que, inclusive, estão à disposição da imprensa ou de quem desejar conhecer e analisar nossa realidade. Portanto, o problema existente não se trata de má de gestão, muito pelo contrário,” contextualiza Henrique Vinícius da Paz, diretor executivo da Viação Reunidas.

Esta situação já havia sido levantada pelo Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo e Passageiros de Goiânia e Região Metropolitana (SET), quando da determinação do Governo do Estado através do Decreto no 9.638, de 20 de março de 2020, que definia a circulação de apenas passageiros sentados. Sem crédito e sem pagar funcionários e fornecedores, a Viação Reunidas não viu outro caminho até haver uma análise favorável de crédito bancário já solicitado, ou um dos planos de recuperação do sistema em discussão com o poder público terem efetividade.

“Em virtude da drástica redução na demanda, que chegou em 80% após o primeiro decreto do Governo do Estado definindo a quarentena, as empresas perderam sua capacidade de pagamento, uma vez que a receita foi fortemente comprometida com a diminuição de passageiros e a determinação de somente transportar somente passageiros sentados. Com a reabertura parcial das atividades da cidade esse índice se manteve baixo, em cerca de 30-40% do fluxo usual antes da pandemia. Esse é apenas um dos motivos que fizeram com que a Reunidas chegasse a esse momento crítico”, explica o presidente do SET, Adriano Rodrigues Oliveira.

O próprio Governo do Estado, através do Plano Emergencial proposto em 18 de maio, comprovou a real situação de dificuldade econômico-financeira das empresas através de auditoria da Controladoria Geral do Estado (CGE) e foi, inclusive, aprovado pelos demais órgãos de controle, bem como Ministério Público e Defensoria Pública. Todos os números apresentados pelas empresas e auditados pela CGE comprovaram a dificuldade delas darem andamento à prestação de serviço no modelo em que foi imposto. “Estávamos esperançosos com a Plano Emergencial do Governo do Estado. Do valor que o Estado de Goiás apontou de déficit de custeio operacional das empresas – R$ 23 milhões e meio – a parte destinada à Reunidas seria de 2 milhões e meio, referentes somente a março e abril, sem contar maio e parte de junho. Se esse recurso tivesse saído, não teríamos chegado neste momento,” avalia Henrique.

“A proposta feita pelo Estado de Goiás foi desenvolvida para dar uma resposta à população e fortalecer o transporte público coletivo. Infelizmente ainda não temos uma confirmação da viabilidade pela Justiça. Outros caminhos estão sendo buscados, mas sem a agilidade necessária para o socorro imediato. Esse trabalho do Governo reforça a visão, que tem de ser de todos, de que o Transporte Coletivo é um serviço público, essencial, e direito de todo cidadão e responsabilidade dos governos”. Tudo que as empresas podem fazer, está sendo feito, mesmo que aos olhos do cidadão ainda não seja o suficiente,” conclui Oliveira.

O retrato da VR hoje, é, infelizmente, um espelho do que está acontecendo com o sistema. O risco de outras empresas entrarem em colapso é real.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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