Prefeitos do ABC discordam de decisão de Doria de manter fase da quarentena e reclamam da falta de diálogo da gestão Bruno Covas

Ônibus metropolitano do ABC e ônibus municipal da capital paulista no Terminal Sacomã. Ambos sistemas se complementam

Isolamento tem social tem sido baixo, mas Consórcio diz que região atendeu aos principais critérios para ir para a fase laranja. Demanda de transporte coletivo reduziu 71%

ADAMO BAZANI

Os prefeitos do ABC Paulista discordaram da decisão do governador de São Paulo, João Doria, de não mudar a classificação da região nas fases da quarentena da faixa vermelha (a mais severa) para a faixa laranja, igual da capital paulista, que tem várias restrições, mas já permite o funcionamento de algumas atividades.

Segundo o presidente do Consórcio Intermunicipal Grande ABC e prefeito de Rio Grande da Serra, Gabriel Maranhão, em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira, 03 de junho de 2020, a região atendeu a diversos critérios que permitiriam a mudança para a fase 2 (laranja).

De acordo com Maranhão, o ABC oferece 30 leitos de UTI para cada 100 mil habitantes, enquanto que a exigência mínima é de 10 leitos.

Em relação a leitos de UTI, Maranhão disse que o nível de ocupação é de 57% enquanto o mínimo é de 60%. Já o índice de avanço dos casos no ABC é de 1,5; menor que o estipulado de dois pontos.

Apesar do desapontamento, não é intenção do Consórcio acionar judicialmente o Governo do Estado como sinalizam alguns prefeitos em entrevistas, mas de forma isolada.

Como mostrou o Diário do Transporte, no próximo sábado, 06 de junho de 2020, o secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, vai visitar o Quarteirão da Saúde, em Diadema, onde serão instalados 100 novos leitos para atendimento de casos de Covid-19. Aí sim, a região poderá ter chance de mudar de faixa.

GESTÃO BRUNO COVAS, ISOLAMENTO E MOBILIDADE:

Gabriel Maranhão disse que está havendo diálogo com o governo do Estado, mas se queixou da postura da gestão Bruno Covas, na capital paulista, que, segundo ele, não estaria tendo nenhum tipo de conversa com os prefeitos da Grande São Paulo.

A preocupação se dá com o fato da interdependência econômica e social, além da ligação geográfica, entre a capital e o ABC.

O fluxo de pessoas entre o ABC e a capital (e vice-e-versa), tanto de carro como de transporte coletivo (CPTM, Corredor Metra e Ônibus EMTU), é grande e, qualquer decisão que a capital paulista tomar, vai influenciar na mobilidade da região.

Maranhão disse ainda que a demanda dos ônibus municipais do ABC Paulista ainda está baixa, em torno de 71%, mas o índice de isolamento preocupa, ficando em torno de 45%, enquanto o recomendado pelas autoridades de Saúde do Estado é de, no mínimo, 55%.

A região do ABC tem aproximadamente 2,5 milhões de habitantes e é formada por sete municípios: Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

DECRETO:

Diário do Transporte mostrou também que no dia 29 de maio, a gestão João Doria publicou o decreto 64.994, em edição extraordinária do Diário Oficial do Estado de São Paulo, com as regras para as mudanças de fases nas cidades.

São cinco fases. No decreto, a equipe de Doria também detalha quais as atividades permitidas em cada uma destas fases:

Fase 1 (Vermelha): Alerta Máximo – Fase de contaminação, com liberação apenas para serviços essenciais)

Na fase vermelha, ficam liberadas apenas as atividades consideradas essenciais

– Saúde: hospitais, clínicas, farmácias, clínicas odontológicas, lavanderias e estabelecimentos de saúde animal.

– Alimentação: supermercados, hipermercados, açougues e padarias, lojas de suplemento, feiras livres. É vedado o consumo no local.

– Bares, lanchonetes e restaurantes: permitido serviços de entrega (delivery) e que permitem a compra sem sair do carro (drive thru). Válido também para estabelecimentos em postos de combustíveis.

– Abastecimento: cadeia de abastecimento e logística, produção agropecuária e agroindústria, transportadoras, armazéns, postos de combustíveis e lojas de materiais de construção.

– Logística: estabelecimentos e empresas de locação de veículos, oficinas de veículos automotores, transporte público coletivo, táxis, aplicativos de transporte, serviços de entrega e estacionamentos.

– Serviços gerais: lavanderias, serviços de limpeza, hotéis, manutenção e zeladoria, serviços bancários (incluindo lotéricas), serviços de call center, assistência técnica de produtos eletroeletrônicos e bancas de jornais.

– Segurança: serviços de segurança pública e privada.

– Comunicação social: meios de comunicação social, inclusive eletrônica, executada por empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens.

– Construção civil, agronegócios e indústria: sem restrições.

Fase 2 (Laranja): Controle – Fase de atenção, com eventuais liberações.

Na fase laranja, shoppings centers (com proibição de abertura das praças de alimentação), comércio de rua e serviços em geral podem funcionar com capacidade limitada a 20%, horário reduzido para quatro horas seguidas e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos. Fica proibida a abertura de bares e restaurantes para consumo local, salões de beleza e barbearias, academias de esportes em todas as modalidades e outras atividades que gerem aglomeração.

Fase 3 (Amarela): Flexibilização – Fase controlada, com maior liberação de atividades

Na fase amarela, shoppings centers (com proibição de abertura das praças de alimentação), comércio de rua e serviços em geral podem funcionar com capacidade a limitada 40%, horário reduzido para seis horas seguidas e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos. Adiciona-se à lista salões e barbearias, além de bares e restaurantes que estarão liberados apenas para atendimento ao ar livre. Academias e eventos que gerem aglomeração continuam com abertura suspensa.

Fase 4 (Verde): Abertura Parcial – Fase decrescente, com menores restrições

Na fase verde, fica liberado o funcionamento de todos os estabelecimentos comerciais e de serviços, incluindo academias e praças de alimentação dos shoppings, desde que com capacidade limitada a 60% e adoção dos protocolos padrão e setoriais específicos. Ficam proibidos eventos que gerem aglomeração.

Fase 5 (Azul): Normal controlado – Fase de controle da doença, liberação de todas as atividades com protocolos de segurança e higiene.

Retomada da economia dentro do chamado “novo normal”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. luh disse:

    se o ABC tem melhores condiçoes do q a cidade de SP pq nao ocorre a mudança na classificaçao ?? VAMOS A JUSTIÇAO, ou sera q a palavra de ordem sera DESOBEDIENCIA CIVIL ????

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