Anúncio foi feito na noite desta sexta-feira pelo prefeito Gustavo Guti em transmissão pela internet, mas condicionado ao número de leitos disponíveis
ALEXANDRE PELEGI/ADAMO BAZANI
O prefeito de Guarulhos, na Grande São Paulo, Gustavo Henric Costa (Gustavo Guti), disse que qualquer retomada da economia na cidade será feita em bloco com outros municípios e de forma responsável.
Ele afirmou que a intenção de retomada é iminente, mas sem pressa, e preservando vidas. “Temos várias reuniões agendadas com grupos importantes na cidade para discutir a retomada, mas sempre preservando a vida“, disse o prefeito.
A ideia é que se possa começar uma reabertura na segunda semana de junho.
“Essa semana que entra é decisiva para nós, pois precisamos avançar na quantidade de leitos disponíveis“, o que ele colocou como pré condição para qualquer decisão que se vá tomar.
Guti informou que um novo decreto da quarentena será publicado hoje, estendendo o isolamento social até 30 de junho. Mas que logo no fim da primeira semana, novas regras serão definidas, a depender de uma série de fatores, como a disponibilidade de leitos de UTI e a posição das outras cidades da região.
“Temos de fazer algo em bloco, para evitar migrações, o que só aumentará a contaminação”, disse ele. Guti ponderou que poderá haver recuos, caso o número de leitos disponíveis diminua, ou a contaminação aumente.
Guti disse ainda que a abertura das atividades se dará de forma seletiva e gradual, inclusive evitando a coincidência de horários nas escalas de trabalho entre indústria e comércio.
Durante a semana, quando o governador João Doria anunciou o plano de reabertura das atividades econômicas, classificando a Grande São Paulo como “faixa vermelha”, sem a possibilidade de relaxamento da quarentena até pelo menos o dia 15 de junho, Guti demonstrou insatisfação com a postura do estado e disse que anunciaria por conta própria uma abertura.
Como mostrou o Diário do Transporte, no início da tarde desta sexta-feira, 29, o Governo do Estado de São Paulo anunciou a mudança na divisão das cidades da Grande São Paulo para classificação de fases para que a quarentena seja relaxada nos municípios que circundam a capital paulista. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2020/05/29/doria-cede-a-prefeitos-e-relaxa-quarentena-em-cidades-da-grande-sao-paulo/
A região metropolitana foi dividida em cinco sub-regiões.
Norte: Caieiras, Cajamar, Francisco Morato, Franco da Rocha, Mairporã;
Leste: Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Salesópolis, Santa Isabel, Suzano
Sudeste: Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul;
Sudoeste: Cotia, Embu,Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra, Vargem Grande Paulista;
Oeste: Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba
Será feira uma análise do desempenho de cada um destes grupos de cidades quanto a critérios, como transmissibilidade do vírus, evolução da doença e vagas em UTIs.
Na entrevista coletiva, Gabriel Maranhão disse que a taxa de ocupação das UTIs na região é de 74%.
O secretário de Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo, Marco Vinholi, disse que até terça-feira serão analisados os dados de cada uma destas sub-regiões e na quarta-feira devem ser anunciadas quais cidades vão mudar de fase.
O Governo do Estado de São Paulo criou cinco fases de flexibilização dividas por cores.
Fase 1 (Vermelha): Alerta Máximo – Fase de contaminação, com liberação apenas para serviços essenciais (como é agora)
Fase 2 (Laranja): Controle – Fase de atenção, com eventuais liberações.
Fase 3 (Amarela): Flexibilização – Fase controlada, com maior liberação de atividades
Fase 4 (Verde): Abertura Parcial – Fase decrescente, com menores restrições
Fase 5 (Azul): Normal controlado – Fase de controle da doença, liberação de todas as atividades com protocolos de segurança e higiene.
O Estado foi dividido em 17 regiões e, segundo o Governo do Estado de São Paulo, com exceção da capital, todos os municípios da Grande São Paulo e também da Baixada Santista e de Registro permanecem na fase vermelha e não terão nenhum tipo de mudança na quarentena em vigor desde o dia 24 de março. Nas três regiões, o sistema de saúde está pressionado por altas taxas de ocupação de UTI e avanço de casos confirmados de pacientes com o novo coronavírus.
Em nota, o Governo do Estado de São Paulo relacionou os critérios e as fases da retomada da economia:
- A retomada consciente dos setores da economia começa a funcionar em 1º de junho. O Estado está dividido em 17 Departamentos Regionais de Saúde, que estão categorizados segundo uma escala de cinco níveis de abertura econômica.• Cada região poderá reabrir determinados setores de acordo com a fase em que se encontra. As regras são: média da taxa de ocupação de leitos de UTI exclusivas para pacientes com coronavírus, número de novas internações no mesmo período e o número de óbitos.
- A requalificação de fase para mais restritiva será feita semanalmente, caso a região tenha piora nos índices. Para que haja uma promoção a uma fase com menos restrições e mais aberturas, serão necessárias duas semanas.
- O Plano São Paulo dá autonomia para que prefeitos diminuam ou aumentem as restrições de acordo com os limites estabelecidos pelo Estado, desde que apresentem os pré-requisitos embasados em definições técnicas e científicas.
Adamo Bazani e Alexandre Pelegi, jornalistas especializados em transportes
