Covid-19 vai derrubar em 18% vendas de veículos elétricos, diz relatório internacional

Publicado em: 19 de maio de 2020

Ônibus continuarão sendo os grandes impulsionadores da mobilidade elétrica

Pesquisa da BloombergNEF (BNEF) ainda aponta que perda de demanda do transporte coletivo será duradoura, mesmo depois da pandemia

ADAMO BAZANI

A crise gerada pelo avanço da Covid-19 pelo mundo vai provocar uma queda na ordem de 18% no setor de veículos elétricos de diversos segmentos de acordo com o relatório anual “Veículos elétricos em longo prazo”, publicado nesta terça-feira, 19 de maio de 2020, pela empresa de pesquisa BloombergNEF (BNEF).

Serão produzidos e comercializados em torno de 1,7 milhão de unidades, entre motos, carros, comerciais leves, caminhões e ônibus em todo o mundo em 2020, segundo a projeção.

Ainda de acordo com o levantamento, a queda entre os diferentes segmentos de veículos a combustão vai ser maior e deve chegar a 23%.

Em longo prazo, porém, a BNEF projeta um cenário positivo. Pelo levantamento, a Covid-19 não vai ser capaz de mudar as previsões de crescimento do setor de “eletrommobilidade” e, mais uma vez os ônibus vão ser os protagonistas de transportes não poluentes podendo responder por 67% das principais frotas municipais do mundo em 2040.

“Os modelos elétricos vão representar 58% das vendas de carros novos em todo o mundo até 2040 e 31% de toda a frota de carros. Eles também representarão 67% de todos os ônibus municipais em circulação naquele ano, mais 47% dos veículos de duas rodas e 24% dos veículos comerciais leves.” – mostra a projeção.

FROTA ATUAL:

Segundo a BloombergNEF (BNEF), atualmente, existem mais de sete milhões de veículos elétricos de passageiros em circulação, juntamente com mais de 500 mil ônibus de propulsão elétrica, quase 400.000 vans e caminhões elétricos e 184 milhões de ciclomotores, scooters e motocicletas elétricas circulando por todo o mundo. Hoje, a maioria dos ônibus e veículos elétricos de duas rodas está na China.

PERDA DO TRANSPORTE PÚBLICO SERÁ DURADOURA:

O relatório também discute o impacto da crise do coronavírus no transporte público. O estudo aponta mais do que um efeito de curto prazo, à medida que os bloqueios diminuem. Em vez disso, é provável que haja uma redução duradoura no número de passageiros nos serviços municipais de ônibus e metrô e mais congestionamento de tráfego nas cidades. Os operadores de mobilidade compartilhada sofreram, mas se recuperam rapidamente com os serviços de entrega de alimentos, logística e micromobilidade.

Além da liberação de circulação, os transportes públicos vão depender de investimentos em melhorias e ampliação da oferta para reduzir as superlotações, que vão se tornar o maior aspecto de rejeição ao transporte de massa, sejam ônibus, trens e metrôs.

Também serão necessários investimentos em imagem e, literalmente, na “venda do serviço”, mas sem propaganda enganosa.

CONSUMO DE PETRÓLEO:

Ainda de acordo com o relatório, a frota de veículos elétricos vai eliminar o consumo de 17,6 milhões de barris de petróleo por dia em 2040, gerando um impacto de 5,2% à demanda global de eletricidade até 2040 também.

Para se ter uma ideia, atualmente, as motos elétricas poupam o consumo de quase um milhão de barris de demanda de petróleo por dia.

Atualmente, os modelos elétricos representam 3% das vendas mundiais de carros em 2020, subindo para 7% em 2023, com cerca de 5,4 milhões de unidades, ainda segundo a projeção.

O estudo mostra que o pico de vendas de veículos a combustão foi alcançado em 2017 no mundo e que dos veículos elétricos, este auge vai ocorrer em 2036, com investimentos em países em desenvolvimento e também com mudanças em políticas de mobilidade urbana.

PREÇO DAS BATERIAS:

Uma das maiores razões para o aumento do interesse pelos veículos elétricos será a queda nos preços das baterias de íon, que deve ser mais significativa a partir de 2025. O destaque novamente serão os pesados, como ônibus. A previsão é que este barateamento ocorra já a partir de 2022 em veículos de grande porte na Europa. Em 2030, em especial na Índia e no Japão, deve haver o barateamento das baterias dos veículos pequenos.

HIDROGÊNIO:

Os veículos com células de hidrogênio devem registrar crescimento na participação no mercado de automóveis, mesmo que em menor escala que os elétricos carregáveis das redes de energia.

Outra vez os ônibus vão ser os grandes impulsionadores, segundo o estudo da BloombergNEF (BNEF).

A tecnologia de hidrogênio será responsável por 3,9% das vendas de veículos comerciais pesados em geral ​​e por 6,5% das vendas de ônibus municipais em todo o mundo até 2040, mas com participações mais altas no leste da Ásia e em partes da Europa. As células de combustível não são vistas invadindo muito os mercados de veículos comerciais ou de passageiros mais leves, diz o relatório.

ÔNIBUS AUTÔNOMOS:

Os veículos totalmente autônomos, inclusive ônibus, só devem se tornar realidade comercialmente viável no final da década de 2030, ajudados pela crescente implantação de sistemas avançados de assistência ao motorista e a construção de cadeias de suprimentos de sensores, segundo a BloombergNEF.

PONTOS DE RECARGA:

Mas para tantos veículos elétricos, será necessário um grande número de pontos de recargas de baterias.

A chefe de transporte eletrificado da BNEF, Aleksandra O’Donovan, disse, por meio de nota do órgão, que até 2040 serão necessários mais de 290 milhões de pontos de recarga com meio trilhão de dólares em investimentos.

“Examinamos com mais atenção a infraestrutura de carregamento de veículos elétricos. Estimamos que o mundo precisará de cerca de 290 milhões de pontos de carregamento até 2040, incluindo 12 milhões em locais públicos, envolvendo um investimento acumulado de US$ 500 bilhões. ” – disse.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

 

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