Grupo São João interrompe serviço de transporte urbano em cidades da região de Sorocaba e nas linhas intermunicipais

Ônibus do Grupo São João em Votorantim. Foto: Nivaldo Junior

Empresa atribui decisão à intransigência do Sindicato dos Rodoviários, que rejeitou acordo proposto com base na Medida Provisória 936

ALEXANDRE PELEGI

Os moradores de Votorantim, cidade da região de Sorocaba, em São Paulo, foram surpreendidos neste sábado, 18 de abril de 2020, diante da ausência dos ônibus urbanos, que pararam de circular no município.

O mesmo aconteceu nos municípios onde o Grupo atua no transporte municipal, como São Miguel Arcanjo e Salto de Pirapora. Os ônibus das linhas intermunicipais da região de Sorocaba também não rodaram, o que inclui as linhas metropolitanas que ligam Votorantim/Sorocaba, Porto Feliz/Sorocaba, Boituva/Sorocaba, Piedade/Sorocaba, São Miguel Arcanjo/Sorocaba, Araçoiaba da Serra/Sorocaba, Salto de Pirapora/Sorocaba, Piedade/Tapiraí e Pilar do Sul/Piedade.

Em comunicado distribuído à imprensa há pouco, o Grupo São João, que atende os serviços de transporte coletivo nas três cidades e as linhas metropolitanas da região, informa que a paralisação é decorrência da intransigência do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região, que não aceitou o acordo proposto por meio da Medida Provisória 936/20, de autoria do Governo Federal.

A MP 936 instituiu o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, e dispõe sobre medidas trabalhistas complementares para enfrentamento do estado de calamidade e emergência de saúde pública decorrente do coronavírus (covid-19).

Entre as medidas propostas pela MP 936, está a suspensão do contrato de trabalho pelo prazo máximo de 60 dias. Com a suspensão dos contratos, o governo federal arca com 100% do seguro-desemprego devido ao empregado, considerando seu salário nominal. O valor poderá chegar ao máximo de R$ 1.813,03 caso o empregado receba salário médio acima de R$ 2.666,29.

Em sua nota, o Grupo São João afirma que os trabalhadores alegaram perdas no acordo. O Grupo, no entanto, avalia que o salário por hora trabalhada “será superior ao que ganham atualmente”.

Diante disso, o Grupo afirma não ter mais como manter o transporte público urbano em Votorantim, São Miguel Arcanjo e Salto de Pirapora, bem como nas linhas metropolitanas.

Como os nossos colaboradores não podem ser incluídos na MP 936/20, já que o sindicato da categoria recusa, não temos condições de arcar com toda a mão de obra parada, tendo em vista que não há receita para isso”, continua a nota, afirmando que a receita obtida nos transportes regulares – linhas urbanas e metropolitanas – está em torno de 10% (dez por cento) da receita normal.

Hoje não dá para pagar nem o diesel que utilizamos nos veículos e muito menos as demais despesas, especialmente a mão de obra – motoristas, cobradores, agentes de bordo, equipe de manutenção, limpeza e administrativo pessoal – que representa o maior custo disparado do sistema de transporte. Além disso, há as despesas com fornecedores em geral, bancos, prestadores de serviços, entre outros”, afirma o comunicado.

O Grupo também se queixa da administração pública estadual e municipal, que cientes das dificuldades “até o momento não se manifestaram no sentido de colaborar ou ao menos tentar amenizar a situação”.

Finalizando, a empresa diz lamentar o ocorrido, mas está “à beira de um colapso”, e afirma que já passou dos limites das suas condições para se manter ativa. “Ou seja, não bastassem os vários desafios que já tínhamos, agora enfrentamos a pandemia de coronavírus”, afirma.

Concluindo, o Grupo São João diz lamentar por tudo e por todos, e afirma que “são 56 anos que estão indo para o túmulo junto com mais de 970 famílias – empregados diretos – que vivem e fazem a nossa empresa ser o que é”.    

SEGUNDA

Além disso, o Grupo São João informou neste domingo, 19 de abril de 2020, que vai operar seis linhas de ônibus nesta segunda-feira, 20, excepcionalmente.

Os itinerários que serão cumpridos são Serrano via Vossoroca (3104), Vila Nova via Vila Irineu (3111), Itapeva via Jataí (3116), Sorocaba via Lageado (6305), Salto de Pirapora/Sorocaba (6315) e Piedade Sorocaba (6338).

Relembre: Grupo São João vai operar seis linhas de ônibus nesta segunda-feira, na Região Metropolitana de Sorocaba


Leia a nota na íntegra:

NOTA À IMPRENSA – PARALISAÇÃO DO TRANSPORTE

Devido à intransigência do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região em não aceitar o acordo proposta por meio da Medida Provisória 936/20, de autoria do Governo Federal – alegam perda aos trabalhadores, se é que pode ser considerada uma perda, já que o salário por hora trabalhada será superior ao que ganham atualmente –, o Grupo São João não tem mais como manter o transporte público urbano em Votorantim, São Miguel Arcanjo e Salto de Pirapora, bem como as linhas metropolitanas que ligam Votorantim/Sorocaba, Porto Feliz/Sorocaba, Boituva/Sorocaba, Piedade/Sorocaba, São Miguel Arcanjo/Sorocaba, Araçoiaba da Serra/Sorocaba, Salto de Pirapora/Sorocaba, Piedade/Tapiraí e Pilar do Sul/Piedade.

Classificamos como absurdo este posicionamento radical do sindicato em um momento em que a economia mundial enfrenta uma grave crise causada pela pandemia de coronavírus (Covid-19). Como os nossos colaboradores não podem ser incluídos na MP 936/20, já que o sindicato da categoria recusa, não temos condições de arcar com toda a mão de obra parada, tendo em vista que não há receita para isso.

Nossa receita nos transportes regulares – linhas urbanas e metropolitanas – está em torno de 10% (dez por cento) da receita normal. Hoje não dá para pagar nem o diesel que utilizamos nos veículos e muito menos as demais despesas, especialmente a mão de obra – motoristas, cobradores, agentes de bordo, equipe de manutenção, limpeza e administrativo pessoal – que representa o maior custo disparado do sistema de transporte. Além disso, há as despesas com fornecedores em geral, bancos, prestadores de serviços, entre outros.

Infelizmente a administração pública estadual e municipal, apesar de estarem cientes das nossas dificuldades e acompanharem todo este processo, até o momento não se manifestaram no sentido de colaborar ou ao menos tentar amenizar a situação.

A empresa chegou ou já passou dos limites das suas condições para se manter ativa. Ou seja, não bastassem os vários desafios que já tínhamos, agora enfrentamos a pandemia de coronavírus.

Para finalizar, o sindicato que representa a categoria, ao invés de dar as mãos para nos ajudar a superar este momento crítico e a manter os empregos, parece querer acabar de vez com a empresa ao adotar uma postura totalmente insensível e intransigente.

Lamentamos por tudo e por todos. Estamos à beira de um colapso. Temos vivido um pesadelo esses dias. No caso do Grupo São João, são 56 anos que estão indo para o túmulo junto com mais de 970 famílias – empregados diretos – que vivem e fazem a nossa empresa ser o que é.  


Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Fabio Almeida disse:

    Pois é! O Ditadória mandou empresas fecharem e que empresários não demitam… mas CADÊ AJUDA DO GOVERNO DO ESTADO E PREFEITURAS pra que isso não ocorra??? Em breve viraremos uma nova Venezuela!

  2. Renato Vieira dos Santos disse:

    Cobra do Doriana os seus salários!

  3. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    PARABÉNS ao Grupo São João!

    Como eu assisti num filme uma vez, dizia:

    “SE ESTIVER NO COMANDO COMANDE”

    É isso ai, nesse BARSILei o que NÃO EXISTE é exatamente isto.

    COMANDO E DECISÃO.

    Parabéns Grupo São João, mais uma vez.

    Contabilidade pura, SEM RECEITA, nada feito.

    O Poder público que aprenda a ser sério de uma vez por todas.

    Tem um vídeo no zapzap, do Prefeito de Pirassununga muiiiiiiiiiiiiiiiito interessante, que comprova o looping jurídico que o BarsiLei vive.

    Quem não assistiu, assista.

    SAÚDE A TODOS!

    Att,

    Paulo Gil

  4. GILVAN BARROS disse:

    Os empregados dessas empresas precisam ceder um pouco, caso contrário, teremos muuuitas empresas falidas, e consequentemente milhares de desempregados.

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