Mandetta defende vans e ônibus somente para os profissionais de saúde
Publicado em: 31 de março de 2020
Segundo ministro, com aquecimento das atividades de uma cidade, num segundo momento, não é seguro que estes trabalhadores usem ônibus ou trens lotados
ADAMO BAZANI
Quando as atividades nas cidades começarem a se aquecer, com a retomada de alguns serviços somente depois do necessário isolamento, mas ainda com o coronavírus sendo uma ameaça, os profissionais de saúde devem ter ônibus e vans somente para eles.
A recomendação é do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 30 de março de 2020.
“O pessoal da saúde: quando você aquece a cidade, para entrar nos ônibus lotados, não dá! Então eu preciso de um transporte marcado para o pessoal de saúde. Senão, eles não chegam ao plantão e eles são um pessoal que está lidando diretamente com o vírus. Como é que eu vou pegar esse pessoal e colocar num transporte lotado? Então, eu posso ter um transporte específico. Aí o pessoal do transporte, vai ver se vão por van, ônibus. Aí é a economia que vai voltar a funcionar e tem de se ir atrás dos condicionantes”- disse
Ouça:
A lógica é de proteção.
Os profissionais da saúde não podem se expor à contaminação para que não haja desfalque de atendimento à população e também, muitos deles, por causa do ambiente que atuam, podem estar infectados, mas assintomáticos, passando os vírus para os demais passageiros.
A orientação é para que vans e ônibus especiais dos profissionais de saúde não tenham todos os bancos ocupados, mas que haja espaços entre os ocupantes.
Se colocada em prática, a orientação de Mandetta pode ser também uma oportunidade de as empresas de ônibus, que estão perdendo passageiros por causa das necessárias medidas de isolamento, terem um ganho para manter empregos e a saúde financeira do negócio.
Estados e prefeituras poderiam “fretar” os ônibus do próprio sistema que conedemcaso a demanda e a frota permaneçam reduzidas.
Sobre o isolamento, Mandetta defendeu que o momento é agora, enquanto a pandemia ainda está crescendo. Se for mais tarde, muitas pessoas já estarão doentes ao mesmo tempo, o que vai gerar falta de leitos e insumos hospitalares, aumentando a incidência de mortes.
O ministro disse que o erro da Itália e da Espanha foi promover o isolamento quando a doença, que teve origem na China, já estava próxima ao pico.
Grande parte das mortes poderia ser evitada se houvesse leitos para todos, o que não ocorre quando o isolamento não é feito e um grande número de pessoas se infectam ao mesmo tempo.
Outra orientação é que quando houver uma estabilidade dos casos, o isolamento não pode acabar de uma vez só. As atividades devem voltar aos poucos, não tudo de uma vez. E os idosos e demais pessoas do grupo de risco serão os últimos a ter as atividades normalizadas.
É um vírus, ele não respeita agendas econômicas e mata.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


