Mandetta defende vans e ônibus somente para os profissionais de saúde

Mandetta diz que isolamento é medida para agora e que as atividades só devem voltar quando houver estabilização dos casos e somente de forma gradativa.

Segundo ministro, com aquecimento das atividades de uma cidade, num segundo momento, não é seguro que estes trabalhadores usem ônibus ou trens lotados

ADAMO BAZANI

Quando as atividades nas cidades começarem a se aquecer, com a retomada de alguns serviços somente depois do necessário isolamento, mas ainda com o coronavírus sendo uma ameaça, os profissionais de saúde devem ter ônibus e vans somente para eles.

A recomendação é do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 30 de março de 2020.

“O pessoal da saúde: quando você aquece a cidade, para entrar nos ônibus lotados, não dá! Então eu preciso de um transporte marcado para o pessoal de saúde. Senão, eles não chegam ao plantão e eles são um pessoal que está lidando diretamente com o vírus. Como é que eu vou pegar esse pessoal e colocar num transporte lotado? Então, eu posso ter um transporte específico. Aí o pessoal do transporte, vai ver se vão por van, ônibus. Aí é a economia que vai voltar a funcionar e tem de se ir atrás dos condicionantes”- disse

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A lógica é de proteção.

Os profissionais da saúde não podem se expor à contaminação para que não haja desfalque de atendimento à população e também, muitos deles, por causa do ambiente que atuam, podem estar infectados, mas assintomáticos, passando os vírus para os demais passageiros.

A orientação é para que vans e ônibus especiais dos profissionais de saúde não tenham todos os bancos ocupados, mas que haja espaços entre os ocupantes.

Se colocada em prática, a orientação de Mandetta pode ser também uma oportunidade de as empresas de ônibus, que estão perdendo passageiros por causa das necessárias medidas de isolamento, terem um ganho para manter empregos e a saúde financeira do negócio.

Estados e prefeituras poderiam “fretar” os ônibus do próprio sistema que conedemcaso a demanda e a frota permaneçam reduzidas.

Sobre o isolamento, Mandetta defendeu que o momento é agora, enquanto a pandemia ainda está crescendo. Se for mais tarde, muitas pessoas já estarão doentes ao mesmo tempo, o que vai gerar falta de leitos e insumos hospitalares, aumentando a incidência de mortes.

O ministro disse que o erro da Itália e da Espanha foi promover o isolamento quando a doença, que teve origem na China, já estava próxima ao pico.

Grande parte das mortes poderia ser evitada se houvesse leitos para todos, o que não ocorre quando o isolamento não é feito e um grande número de pessoas se infectam ao mesmo tempo.

Outra orientação é que quando houver uma estabilidade dos casos, o isolamento não pode acabar de uma vez só. As atividades devem voltar aos poucos, não tudo de uma vez. E os idosos e demais pessoas do grupo de risco serão os últimos a ter as atividades normalizadas.

É um vírus, ele não respeita agendas econômicas e mata.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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