Coronavírus: Prefeitura de Santo André suspende atividades turísticas em Paranapiacaba e adia pagamento de aluguéis

Publicado em: 29 de março de 2020

Não há proibição para entrar na vila, mas turistas estão respeitando quarentena e não visitam o local. Foto: Alex Cavanha/PSA.

Pousadas, restaurantes, bares, cafés e museus estão fechados

JESSICA MARQUES

Em decorrência da pandemia do novo coronavírus, a Prefeitura de Santo André, no ABC Paulista, suspendeu todos os serviços públicos de turismo na Vila de Paranapiacaba. Além disso, o pagamento de aluguéis e taxas municipais, para moradores e comerciantes, não precisará ser efetuado nos meses de abril, maio e junho.

Considerada patrimônio histórico nacional, Paranapiacaba foi construída por uma companhia inglesa (São Paulo Railway) a partir de 1860, quando teve início a implantação da ferrovia pioneira no Estado de São Paulo, que ligou o porto de Santos a Jundiaí.

A Parte Baixa da Vila foi comprada pela Prefeitura de Santo André em 2002. Desta forma, é cobrada uma mensalidade para imóveis, com valor variando por tipologia, girando em torno de R$ 200.

Com as ações de prevenção ao Covid-19 e a quarentena decretada pelo Governo do Estado de São Paulo, o turismo, que movimenta a economia da vila, não está ocorrendo. Por esse motivo, as taxas foram suspensas.

Em nota ao Diário do Transporte, a Secretaria de Meio Ambiente informou que todos os serviços públicos de turismo, incluindo circuito de museus e o Centro de Informações Turísticas da Vila de Paranapiacaba foram suspensos, conforme determinação da quarentena, obedecendo a decretos municipal e estadual.

Assim, pousadas, restaurantes, bares, cafés respeitam a mesma regra e estão de portas fechadas. Além disso, o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba e o Parque Estadual da Serra do Mar, onde encontram-se as trilhas oficiais, estão fechados para visitação.

“Todas as taxas públicas municipais para moradores e comerciantes de Paranapiacaba foram suspensas nos meses de abril, maio e junho. A Secretaria do Meio Ambiente destaca que moradores e visitantes estão conscientes da situação pela qual passa o Brasil e o mundo, no combate ao coronavírus, e por conta disto a Vila não tem recebido visitas, embora não haja determinação que proíba a entrada e saída de pessoas do local”, ressaltou a Prefeitura, em nota.

SAÚDE

A secretaria informou também que Paranapiacaba dispõe, 24 horas por dia, de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e de uma unidade do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Desta forma, os moradores não estão desassistidos durante a pandemia, segundo a Prefeitura.

“Todo o sistema de Saúde da cidade de Santo André, da qual a Vila faz parte, está mobilizado para enfrentar a pandemia de Covid-19. A montagem de dois hospitais de campanha, com 300 leitos de UTI, no Estádio Bruno Daniel e no Complexo Esportivo Pedro Dell’Antonia, é um dos exemplos”, informou a administração municipal, em nota.

HISTÓRIA DA VILA

Lugar de onde se avista o mar: Este é o significado da palavra Paranapiacaba, em tupi-guarani. A vila foi criada pelos ingleses entre 1865 e 1867 para moradia dos ferroviários da linha Santos – Jundiaí, uma das ligações ferroviárias pioneiras do Brasil.

Pertencente a Santo André, no ABC Paulista, a vila é cercada por belezas naturais, sendo possível do “planalto” ver mesmo o mar no litoral sul, desde que a característica neblina da Serra do Mar não baixe e deixe o clima com um ar tipicamente londrino.

A vila também é marcada por diversas histórias que envolvem de grandes empreendedores a ferroviários.

Leia a história de Romão Justo Filho: HISTÓRIA: Paranapiacaba e um modesto herói da ferrovia

Confira a história de Paranapiacaba, conforme divulgado pela Prefeitura de Santo André:

Em 1850 Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, empenhou-se na construção de uma Estrada de Ferro e, em 1856, um Decreto Imperial concedeu a ele o privilégio da construção e o prazo de 90 anos para sua exploração. Em 1860 conseguiu reunir capital suficiente e formou a empresa The São Paulo Railway Company Ltd. – SPR para construí-la. Paranapiacaba surge como acampamento para os trabalhadores que construíram o trecho da Serra do Mar. Com a inauguração da ferrovia, em 1867, a empresa viu-se obrigada a manter operários no local para a operação dos serviços e manutenção das obras. Posteriormente à duplicação da ferrovia edificou-se uma nova vila no Alto da Serra, a Martin Smith, de ruas arborizadas com alinhamentos regulares e sistemas de água e esgoto.

Na década de 1940 a Vila sofreu duas marcantes intervenções: em 1945 passou a chamar-se Paranapiacaba e, no ano seguinte, a São Paulo Railway Co. foi incorporada ao Patrimônio da União e passou a ser administrada pela Estrada de Ferro Santos a Jundiaí – EFSJ, terminando assim a presença dos ingleses na região. Ao receber o patrimônio, em 1946, o governo federal esforçou-se em manter a qualidade no transporte de carga e de passageiros que os ingleses tinham até então.

No tempo dos ingleses a Vila de Paranapiacaba apresentava certo ar europeu, romântico, com casas de madeira, quintais separados por cercas vivas e ruas calmas, ladeadas de pinheiros, em contraste com a Parte Alta, que recebeu uma ocupação urbana marcada pela herança portuguesa, com ruas estreitas e casas de pequenas frentes edificadas junto ao alinhamento. Unindo a Parte Alta à Parte Baixa há uma ponte metálica destinada exclusivamente aos pedestres e bicicletas, que se mantém até hoje após algumas reformas.

SISTEMA FUNICULAR

Em 1982 o Sistema Funicular construído pelos ingleses deixou de funcionar. Foi o fim de uma era de glamour e o começo de uma luta pela preservação do que ainda restava da História da ferrovia inglesa. Iniciava-se um movimento para a redestinação de Paranapiacaba a fim de transformá-la num polo turístico que mostrasse a beleza de seu casario, matas, águas e trilhas, que envolvesse as pessoas em seu clima mágico, histórico e cultural. Em 1987 foi elaborado pela Emplasa, empresa estadual de planejamento metropolitano, o Plano Integrado de Preservação e Revitalização de Paranapiacaba e, nesse mesmo ano, o Condephaat, órgão estadual de preservação do patrimônio, publica seu tombamento histórico, abrangendo a área do núcleo urbano, os equipamentos ferroviários e a área natural ao seu redor, selando legalmente o local como de interesse público. Em abril de 2000 Paranapiacaba tornou-se oficialmente um dos núcleos do programa da Reserva da Biosfera da UNESCO, que engloba a proteção de 329 áreas de floresta em 83 países.

Por sua vez, em 2001 a Prefeitura de Santo André deu o primeiro passo para assumir definitivamente a administração da Vila ao criar a Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense e, em 2002, foi formalizada a compra da Vila de Paranapiacaba da Rede Ferroviária Federal S.A. – RFFSA. O contrato de compra e venda foi assinado no interior do Castelinho, testemunha inglesa do negócio, que mudaria o destino de Paranapiacaba.

Além disso, em 05 de junho de 2003, Dia Mundial do Meio Ambiente, foi criado o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba, área verde com cerca de 4,2 km² de Mata Atlântica no entorno da Vila.

TURISMO

Hoje Paranapiacaba conta com dois museus: o Castelinho, construção vitoriana que serviu de residência para o Engenheiro Superintendente, autoridade máxima da ferrovia inglesa, que guarda a memória dos tempos de funcionamento da São Paulo Railway Co., e o Funicular, que consiste em três galpões situados no pátio ferroviário, onde é possível ver as locomotivas, o carro fúnebre, as máquinas fixas e peças menores, como a azeitadeira, utilizada para lubrificar as máquinas. Ao ar livre podem ser vistos o trem ambulância, já bem enferrujado e o trem guindaste a vapor.

Paranapiacaba é cercada por três importantes Unidades de Conservação: o Parque Nascentes, citado acima, a Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba e o Parque Estadual da Serra do Mar. As matas, Parques e quedas d’água existentes no entorno da Vila compõem um cenário natural fantástico, que pode ser percorrido por trilhas de trajetos fáceis ou difíceis e requerem acompanhamento de guia habilitado e cadastrado pela Prefeitura. Dentre elas as mais conhecidas são as trilhas da Pontinha, do Mirante e da Água Fria.

EVENTOS

Em 2001 realizou-se na Vila o 1º Festival de Inverno de Paranapiacaba, com muita expectativa. Os visitantes chegavam pela passarela metálica, que liga a Parte Alta à Vila Nova; os espetáculos se concentravam no Clube União Lyra-Serrano, outrora palco de grandes bailes e espetáculos. O Festival continua ocorrendo anualmente, se expandiu, com vários artistas se apresentando em palcos espalhados pela Vila e atualmente é um dos eventos mais conhecidos do Município. Durante o Festival vários atrativos, além dos artísticos e culturais, são oferecidos ao visitante.

Em abril acontece o Festival do Cambuci, fruta nativa da Mata Atlântica que é marca registrada da região e patrimônio imaterial de Santo André desde 2013, onde são oferecidos diversos pratos, doces e bebidas que utilizam o fruto como principal elemento.

Outros eventos, como a Convenção de Bruxas e Magos, a Festa do Padroeiro e a Feira de Artes e Antiguidades acontecem no decorrer do ano.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

  1. Max disse:

    A prefeitura está barrando entrada de pessoas em Paranapiacaba

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