Apesar de anúncio de normalização, passageiros relatam redução na frota de ônibus em Santo André

Além de superlotação e demora, usuários afirmam que linhas B64 e T18 não estão circulando. Foto: Marcos Oliveira / Ônibus Brasil.

Empresa e Prefeitura afirmam que operação ocorre como nos dias úteis, mas admitem problemas por causa de motoristas idosos que não estão trabalhando

JESSICA MARQUES

Os passageiros de Santo André, no ABC Paulista, relataram redução na frota de ônibus da cidade nesta terça-feira, 17 de março de 2020. A deficiência na operação foi observada principalmente nos horários de pico.

Muito tempo de espera e superlotação são os problemas descritos pelos usuários, apesar de o prefeito Paulo Serra ter informado que a operação foi normalizada. A preocupação dos passageiros se agrava por conta da proliferação do coronavírus.

O chefe do Executivo chegou a admitir que houve redução na frota nesta segunda-feira, 16, por conta dos motoristas com 60 anos ou mais que foram afastados em prevenção ao coronavírus, por estarem na faixa de risco.

Relembre: Depois de redução pela manhã, Paulo Serra diz que frota de ônibus Santo André foi normalizada e que gratuidades para estudantes serão suspensas na semana que vem

MEIA HORA SEM SINAL DE ÔNIBUS

Nesta terça, a professora Claudia Mara Jussara Martinez da Conceição teve problemas para chegar ao trabalho, em Diadema. Ao esperar na Rua Carijós por uma das linhas I04, I07, T17 ou B11, ficou cerca de meia hora no ponto sem sinal de ônibus.

Os itinerários são operados pelas Viações Guaianazes e Curuçá, que pertencem ao Consórcio União Santo André. Segundo a passageira, em dias normais, a espera é de no máximo dez minutos até que um veículo de uma das linhas apareça.

“Normalmente eu pego o ônibus 9h. Ontem eu saí de casa vinte para as nove mais ou menos, cheguei no ponto e fui pegar ônibus só 9h15. Por isso, cheguei no serviço em cima da hora”, contou.

“Hoje eu saí de casa 8h20 e consegui pegar o ônibus quase 9h. Está demorando sim para passar, porque eu posso pegar essas quatro linhas, mas só passou o T17 e um pouquinho depois veio o B11”, relatou a passageira.

Claudia tentou acompanhar o horário de chegada dos ônibus pelo aplicativo Santo André Mob, mas as partidas não estavam sendo cumpridas conforme o informado.

“Pelo aplicativo era para ter vindo outras linhas antes e não veio. Eu sempre acompanho o aplicativo todos os dias, dá certinho, mostra quando o ônibus está chegando, mas hoje não, não funcionou”, lamentou.

“Ontem também acompanhei pelo aplicativo e não deu certo, não funcionou. Era para ter vindo o I07 e I04, mas não vieram. Chegou só o T17 e estava lotado, quase não consegui subir no ônibus. Tanto que no outro ponto ele passou direto porque ele estava muito cheio. Nesse horário pego o ônibus com lugar vazio, sobrando para sentar”, finalizou a usuária.

DUAS LINHAS NÃO OPERARAM

A estagiária Sofia Rodrigues Tavares notou nesta terça-feira que duas linhas de ônibus não passaram no ponto em nenhum momento do dia. Os itinerários T18 e B64 não foram vistos pela passageira.

Além disso, motoristas informaram que os dois itinerários não circularam nesta terça-feira. Ambos deveriam ser suspensos apenas aos finais de semana, quando há queda na demanda.

“Utilizo as linhas T-16/T-18 e B-63/B-64, na parte da manhã, entre 7h45 e 8h18, respectivamente. O primeiro ônibus passou às 8h10 e o segundo, 8h37. Desta vez foi o B-63, porque pelo entendi a linha do B-64 não está rodando”, contou Sofia.

“Em dias normais, não costumo enfrentar a mesma espera, normalmente costumam passar no horário certo e bem mais vazio do que ontem e hoje”, completou a passageira.

Sofia mostrou-se preocupada com a disseminação do coronavírus, pois os ônibus lotados não permitem manter distância dos demais passageiros. A condição oferecida causa apreensão com relação a um possível contágio.

“As linhas do T-16 e T-18 vivem lotadas e, como tiraram parte da frota de circulação, consequentemente a lotação continua, muitas vezes é insuportável tanta gente dentro de um único veículo”, relatou.

“A questão da demora é o que mais ‘mata’ mesmo e uma coisa que incomoda muito, é o estado deplorável dos ônibus das linhas T-16 e T-18, caindo aos pedaços, uma passagem tão cara pra tudo ser deixado largado às traças”, complementou.

LENTIDÃO

O Diário do Transporte recebeu ainda informações de que as linhas B11, I01, I07, S48, T16, T24, T25, T28, U22, U26 e B21 operaram com maiores intervalos do que o de costume.

Diversos relatos apontam maior espera no ponto por estes itinerários. Contudo, os passageiros não informaram superlotação nestes casos.

Por sua vez, os passageiros que utilizam ônibus da Suzantur foram orientados nesta terça-feira que os horários praticados eram semelhantes aos de sábado, também com maiores intervalos.

OUTRO LADO

Ao Diário do Transporte, a Suzantur informou que os ônibus operam normalmente. Além disso, a empresa informou que reforçou a limpeza nos veículos, distribuiu máscaras e álcool em gel para os funcionários.

Por sua vez, a Viação Guaianazes informou que a operação ocorre normalmente, com horários aplicados nos dias úteis.

Entretanto, a empresa não descarta que podem ter ocorrido problemas na operação, pois motoristas com 60 anos ou mais foram afastados como medida de prevenção ao coronavírus.

Além disso, a Guaianazes informou que a empresa é tradicional na cidade e alguns funcionários têm mais de 70 anos, trabalhando há pelo menos quatro décadas na companhia. Desta forma, são muitos os motoristas que foram afastados.

PREFEITURA ADMITE PERDA DE VIAGENS

Em nota, a Prefeitura de Santo André admitiu que podem ter ocorrido algumas perdas de viagens por conta da abstenção dos funcionários em algumas das empresas operadoras.

Contudo, a administração municipal informou que não houve lotação nos coletivos, devido à redução na demanda de passageiros.

A Prefeitura orientou ainda que os passageiros prefiram utilizar o Bilhete Único Andreense como forma de pagamento da tarifa. Isso porque as notas podem ser fonte de transmissão do coronavírus.

Até esta terça-feira, a cidade está com um caso da doença confirmado e 46 suspeitos, segundo informações da administração municipal.

Confira a nota, na íntegra:

A Prefeitura de Santo André, por meio da SATrans, esclarece que a operação do transporte coletivo está sendo feita de acordo com as ordens de serviço operacional, sem nenhuma determinação para operação com horários de final de semana.

Podem ter ocorrido algumas perdas de viagens por conta da abstenção de funcionários das empresas operadoras que se enquadram nos grupos de risco (em especial os maiores de 60 anos), porém, essa situação não causou lotação nos coletivos, considerando que a demanda de passageiros já sofreu uma queda bastante significativa.

Ressaltamos ainda que, embora o transporte coletivo seja essencial para a maioria da população, há um apelo muito grande para que as pessoas diminuam seus deslocamentos diários, ou sempre que possível, utilizem o transporte público fora dos horários de pico, visando a menor aglomeração de pessoas possível.

Neste momento existe a necessidade de se conscientizar e se resguardar, em especial os idosos e demais grupos de risco. Portanto, por mais que a Prefeituras e as operadoras de transporte estejam se esforçando muito para garantir a higiene e segurança dos usuários, o ideal é que as pessoas também façam sua parte.

Outra questão absolutamente essencial para minimizar a transmissão do vírus é que os usuários prefiram a utilização do Bilhete Único Andreense como forma de pagamento (temos mais de 100 estabelecimentos que fornecem os cartões e fazem as recargas), pois o uso de notas pode ser um dos nossos principais vilões nesse momento de crise.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Raphael disse:

    E o “melhor” é que nem dá pra dizer que o prefake não sabe o que tá fazendo, pois na gestão anterior ele foi secretário de obras, e atuou muito na área da mobilidade. Ou seja, é incompetencia, por não saber gerenciar as coisas, e até negligência, por aumentar ainda mais a lotação e expor as pessoas a um possível contágio

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