Elas no comando: mulheres que dirigem empresas de ônibus da capital paulista

Publicado em: 8 de março de 2020

Angela Agoston, da Express Transportes Urbanos Ltda. Foto: Adamo Bazani.

Empresárias Angela Agoston e Sandra Pinho Barbosa da Silva falam sobre desafios e inovações

JESSICA MARQUES

Colaborou Willian Moreira

Em um setor majoritariamente masculino, destacam-se algumas mulheres que estão à frente de empresas de ônibus na capital paulista. Entre elas, estão a sócia-presidente da Express, Angela Agoston, e a sócia da AlliBus transporte, Sandra Pinho Barbosa da Silva, que operam na Zona Leste.

As empresárias mostram no dia a dia que o lugar da mulher é onde ela quiser. Este lugar pode ser, por exemplo, dirigindo um ônibus ou estando no comando de uma empresa que opera na cidade de São Paulo, a maior metrópole do país.

“Para mim é uma honra e orgulho muito grandes, não me vejo fazendo outra coisa”, disse Angela Agoston. “Faz muitos anos que estou nesse cargo, onde posso ajudar muitas pessoas”.

DISCRIMINAÇÃO E ASSÉDIO

Contudo, mesmo sendo a proprietária da empresa, Angela conta que já passou por situações de discriminação por ser mulher. Entretanto, decidiu manter-se firme e criar ações de combate ao preconceito e, sobretudo, ao abuso sexual contra mulheres.

“Essa situação do preconceito não está só em uma empresa de ônibus, mas em todos os seguimentos, Por ser mulher acabamos passando por esse tipo de situação”, lamentou.

“Contudo, como estou à frente de uma empresa de ônibus, fazemos ações com motorista, cobrador e passageiros para inibir, não só punir, mas acabar com a situação de assédio sexual, principalmente no transporte coletivo”, afirmou.

Entre as ações feitas na empresa para coibir estes atos estão treinamentos diários que ensinam como lidar com um caso de assédio sexual dentro do ônibus, por exemplo.

“O treinamento ensina que o funcionário tem que dar um jeito de acolher a vítima, deixá-la calma e falar que percebeu o que ela passou e que vai ajudar nesta situação naquele momento, de maneira tranquila para não deixar a vítima envergonhada”, exemplificou.

Segundo Angela, na Express atualmente existem cerca de 3 mil funcionários e aproximadamente 300 são mulheres, o que representa cerca de 10%.

A empresária, junto com Sandra Pinho Barbosa da Silva, estiveram presentes em uma roda de conversa realizada pela SPTrans com o tema “Ponto Final ao Abuso Sexual nos Ônibus de São Paulo”.

Relembre: SPTrans anuncia parceria para combater assédio sexual nos ônibus da capital paulista

PRECONCEITO É MENOR, MAS EXISTE

A diretora financeira da Express, Vanessa Rodrigues, contou que quando era motorista de ônibus, de 2005 a 2011, sofreu muito preconceito por ser mulher.

Passageiros davam sinal e não subiam ou entravam e desciam no próximo ponto porque eu sou mulher. Motoristas de outras empresas me viam e jogavam o ônibus na frente para dizer que eram homens. Passei por diversas situações assim“, relatou.

Atualmente, a profissional observa menos comportamentos discriminatórios no setor com relação às mulheres, tanto na operação quanto no financeiro. Contudo, o machismo ainda é presente.

Hoje também há muitos desafios. O pessoal olha e menospreza em alguns momentos, mas precisamos nos impor e dar a volta por cima, mostrar que estamos de igual para igual“, disse.

LUGAR DE MULHER É ONDE ELA QUISER

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Angela Agoston e Sandra Pinho Barbosa da Silva

Na AlliBus, segundo Sandra, também são oferecidos treinamentos para que os funcionários estejam prontos para combater o preconceito e o assédio sexual no transporte coletivo.

No ambiente de trabalho, por sua vez, a empresária afirmou que é preciso se impor e ter pulso firme para mostrar a todos que lugar de mulher é onde ela quiser.

“Você sempre tem que mostrar que você manda também, porque eles acham que só os homens que mandam lá. Quem não conhece infelizmente trata dessa forma”, relatou.

“A ação é mostrar para a mulher que ela pode conduzir o veículo, a empresa e fazer parte da manutenção. Ela não precisa ser só a recepcionista da empresa”, completou.

Entretanto, de 1.500 funcionários na empresa, nem 1% é composto por mulheres. Segundo Sandra, estes números refletem um machismo ainda presente no setor, majoritariamente ocupado por homens, que está sendo diluído a passos lentos.

PIONEIRISMO

Outra empresária atuante na capital paulista é Niege Chaves, dona da MobiBrasil.

Niege é de Pernambuco, onde sua família começou a atuar no ramo de transportes urbanos.

Hoje o grupo da MobiBrasil atua em Recife e Região Metropolitana, Sorocaba (interior de SP), Diadema (Grande São Paulo) e capital paulista.

Recentemente, a empresa começou a operar um serviço pioneiro na cidade: ônibus urbano com bagageiro para transporte de passageiros ao aeroporto.

Relembre: Ônibus especial do Aeroporto de Congonhas inicia serviços neste domingo, 16

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

  1. Marcos disse:

    Parabéns,sò gostaria d saber c é solteira,casa comigo entra no meu face.

  2. Estranho não citar Milena Setti Braga, da ABC, ou sua mãe dona Beatriz…..

    1. blogpontodeonibus disse:

      Não é estranho e a resposta está no título: empresárias da CAPITAL PAULISTA.
      Esse foi o foco deste ano.

  3. Rodrigo Zika! disse:

    Parabéns pela matéria, e feliz dia internacional da mulher.

  4. Alfredo disse:

    Belas empresárias, que dêem aos colaboradores sempre o melhor tratamento

  5. Lucinéia disse:

    Parabéns, orgulho de fazer parte dessa equipe de mulheres no comando 🙋🏻‍♀️😍🚍👩🏻‍✈️

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