Primeiro-ministro eleito em dezembro de 2018 prometeu priorizar o meio ambiente
ALEXANDRE PELEGI
Desde este sábado, 1º de março de 2020, Luxemburgo, pequeno Estado soberano situado na Europa Ocidental, limitado pela Bélgica, tornou-se o primeiro país do mundo a tornar todo o transporte público gratuito.
Como mostrou o Diário do Transporte em matéria de dezembro de 2018, o pequeno país planejou essa ação logo após as eleições. Relembre: Luxemburgo se tornará o primeiro país a tornar todos os transportes públicos gratuitos
As tarifas de trens, bondes e ônibus foram suspensas segundo os planos do governo de coalizão liderado por Xavier Bettel, que assumiu o segundo mandato como primeiro-ministro em 5 de dezembro de 2018.
Bettel prometeu priorizar o meio ambiente durante a campanha eleitoral.
A cidade de Luxemburgo sofre de alguns dos piores congestionamentos do mundo. Morada de cerca de 110.000 pessoas, recebe 400.000 que se deslocam para a cidade para trabalhar.
Enquanto o país como um todo tem 600.000 habitantes, quase 200.000 pessoas que vivem na França, Bélgica e Alemanha cruzam a fronteira todos os dias para ocupar postos de trabalho em Luxemburgo. Um estudo apontou que os motoristas gastaram uma média de 33 horas em congestionamentos em 2016.
Luxemburgo já vinha demonstrando uma atitude progressista em relação ao transporte. No verão de 2018 o governo trouxe transporte gratuito para todas as crianças e jovens com menos de 20 anos. Alunos do ensino médio passaram usar transporte gratuito entre sua casa e a instituição de ensino. Os passageiros pagaram apenas € 2 (cerca de R$ 9) por até duas horas de viagem, que em um país de apenas 2.599 quilômetros quadrados cobre quase todas as viagens.
Agora, desde este sábado, todos as tarifas foram abolidas.
Conforme um aviso do governo, não é necessário mais uma passagem para embarcar em nenhum ônibus, trem ou bonde nacional.
No entanto, bilhetes e passes de trem de primeira classe permanecerão válidos: não haverá alteração ou desconto. O transporte público gratuito termina na fronteira do país. Por esse motivo os bilhetes internacionais foram reavaliados, e viajantes de países vizinhos passarão agora a se beneficiar com tarifas reduzidas.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
