A importância das peças genuínas e originais quando se fala em ar-condicionado para ônibus
Publicado em: 17 de fevereiro de 2020
Fabricantes como SPAL, VALEO e Eberspaecher alertam para os riscos de se utilizar peças recondicionadas e paralelas
ALEXANDRE PELEGI
Imagine andar de ônibus em São Paulo num dia de verão, sol a pino, hora de pico.
Veículo lotado, calor forte e sem ar-condicionado…
Pois é, essa realidade felizmente começou a mudar recentemente, e hoje já alcança cerca de metade da frota da cidade, de quase 14 mil ônibus. Até o final de 2022 estima-se que 80% da frota já estejam rodando com ar condicionado, percentual que alcançará os 100% até o ano 2025.
Claro que estes ônibus rodam com janelas lacradas, o que lhes confere um design mais elegante e harmonioso.
Mas imagine se um equipamento desses para de funcionar. Como manter o conforto num biarticulado com até 300 pessoas a bordo?
A palavra manutenção torna-se obrigatória para mais esse item que vem se incorporar à rotina dos operadores de ônibus, e agora principalmente em equipamentos que exigem não só qualidade, como cuidados especiais.
A questão que todo operador deve se preocupar é como garantir um bom desempenho e ao mesmo tempo reduzir o custo de manutenção de seu equipamento?
QUANDO O BARATO SAI CARO
Há sempre dois caminhos, e muitas vezes o mais barato é sempre o mais prejudicial. A famosa frase “o barato sai caro” no caso do ar-condicionado se aplica à perfeição…
Muitas vezes existe a alternativa tentadora de produtos paralelos, não genuínos, como saída ideal para se reduzir custos com manutenção. A famosa “gambiarra”.
O problema é que estamos falando de transporte público, um serviço prestado sob regime de concessão, logo… Logo, o cidadão merece respeito, e precisa ser atendido com qualidade e presteza.
Imagine um ônibus ter de ser recolhido à garagem porque o sistema de refrigeração parou de funcionar, e isso porque a peça reposta no aparelho de ar-condicionado não era genuína, nem original, mas uma típica mercadoria “genérica”.
O que muita gente já sabe é que o risco que se corre ao se utilizar uma peça de reposição que não foi especificada pelo fabricante do equipamento é alto. E pode trazer consequências ruins, que vão desde a imagem negativa da empresa perante o mercado, até as multas por descumprimento de horário junto à gerenciadora.
No caso de São Paulo, por exemplo, se o ônibus for recolhido, o operador paga multa pelo não cumprimento da viagem. E se a fiscalização de rua detectar qualquer problema no ar condicionado, elevador ou outro equipamento embarcado, ele paga multa, também, por equipamento inoperante…
ESPECIFICAÇÃO
Quando o fabricante especifica uma peça que é utilizada no equipamento que é fabricado por ele, isso se dá após a realização de testes rigorosos. Isso se dá a fim de evitar riscos que possam provocar danos irreparáveis tanto ao usuário, como ao bom desempenho do produto.
O uso de peças não genuínas, que não foram especificadas pelo fabricante para a manutenção do sistema de ar-condicionado dos ônibus, em casos extremos, podem ocasionar altos riscos tais como: incêndio, explosão e baixa durabilidade.
E aí o prejuízo é alto.
Além disso, nos dias atuais a exigência do cliente está cada vez maior. Com a velocidade da informação através dos meios de comunicação digital, fatos dessa natureza podem influenciar de uma forma muito negativa na imagem da empresa.
Talvez não à toa, o mercado de reposição tem cada vez mais utilizado produtos genuínos.
Mas é bom esclarecer a diferença entre peças genuínas, originais e paralelas.
ITENS GENUÍNOS
Os produtos genuínos levam esse nome porque são os únicos homologados pelas montadoras / fabricantes do produto final e são parte integrante do equipamento que sai de fábrica. Eles passam por uma série de testes de qualidade que garantem que o produto está apto a efetuar sua função sem nenhum perigo para o veículo e ou usuário.
Esses itens costumam ser mais caros do que as outras categorias, mas possuem garantia de fábrica contra qualquer tipo de defeito, garantindo que você não precise pagar novamente caso a peça volte a quebrar durante o tempo considerado como sendo o de sua vida útil.
Vale alertar que essa categoria de “item genuíno” é utilizada apenas no mercado de peças automotivas; todos os outros segmentos dividem seus produtos apenas entre originais e paralelos.
ITENS ORIGINAIS
No ramo de peças automotivas, itens originais são peças produzidas pelas mesmas empresas que fabricam as peças genuínas só que, ao contrário destes, não passam por uma bateria de testes do fabricante do produto final (sistema de ar condicionado por exemplo), portanto, não possuem homologação da marca.
Isso quer dizer que as peças originais são feitas com o mesmo material e sob as mesmas especificações das genuínas, com a diferença de que não possuem garantia do fabricante do produto final, ficando a cargo da loja e do fornecedor da peça determinar o tempo de garantia de cada um deles – e arcar com os custos caso algum dê problema nesse tempo, que costuma ser menor do que o tempo de garantia dado pelo fabricante do produto final. Por isso, o preço desses produtos é um pouco menor do que o dos genuínos.
ITENS PARALELOS
Já os produtos paralelos são o que há de pior no sentido de qualidade e durabilidade, já que são feitos de materiais diferentes dos originais e nem sempre seguem as mesmas especificações técnicas. A única vantagem deles, portanto, é o custo, que é MUITO mais baixo do que o das outras versões (o que é um atrativo naqueles momentos de grana curta), mas caso seja necessário apostar nesse tipo de produto você pode fazer já esperando que uma hora ele irá te deixar na mão.
A peça paralela é uma cópia de peças genuínas ou originais; ou seja, não são produzidas pelo mesmo fornecedor das peças homologadas pelo fabricante do produto final.
Logo, ao mesmo tempo que ele oferece a grande vantagem do custo, ele propicia o enorme risco da quebra. E isso pode custar muito caro…
No caso de empresas de ônibus não só em multas lavradas pelas gerenciadoras, como desgastes de imagem tanto no mercado, quanto diante dos usuários/clientes do sistema de transporte público.
No caso do ar-condicionado, quando se fala em peças importantes de reposição, sempre é bom citar os eletroventiladores, os condensadores, evaporadores, filtros e mangueiras, compressor.
No caso de quebra, apenas sob a perspectiva do estrago para o dono do equipamento, pode-se chegar à perda do sistema completo do ar condicionado, coisa da monta de R$ 25.000,00.
Em conversa com Paulo Leme, diretor da SPAL Brasil, fabricante de eletroventiladores para o mercado de ar-condicionado, ele explica que um eletro genuíno dura em média entre 24 a 36 meses (com escovas). Já um produto paralelo não ultrapassa o intervalo de 8 a 14 meses.
É só fazer as contas. Ou rezar…
Para Luis Carlos Sacco, Diretor Geral da Valeo Climatização, a utilização de componentes recondicionados, sem os padrões de qualidade e desempenho dos sistemas originais e que não atendem às especificações, comprometem o perfeito funcionamento e reduzem a eficiência do equipamento. “O resultado da substituição dos componentes originais pelos recondicionados, reduzem a performance do ar-condicionado, pois podem comprometer a capacidade de refrigeração, aumentam o nível de ruído do equipamento, reduzindo a sensação de conforto e bem-estar dos passageiros e gerando ao frotista prejuízos a médio e longo prazos”, destaca o executivo.
Peças recondicionadas parecem, num primeiro momento, ser uma opção eficiente para a redução dos custos de manutenção, mas o baixo desempenho, a vida útil reduzida e a segurança do usuário não compensam a substituição. Atualmente os principais componentes recondicionados comercializados no mercado são os ventiladores, embreagens e compressores. “O superaquecimento de componentes elétricos, no uso de ventiladores recondicionados é uma das razões de casos de incêndio em ônibus”, salienta o diretor da VALEO.
Falamos também com Maycon Rosa, Diretor Geral da América do Sul da Eberspacher, fabricante de ar-condicionado, que explicou que existem muitos riscos nas utilizações de peças não genuínas ou originais do equipamento de climatização.
“Uma peça genuína ou original tem uma vida útil mínima de 1 a 2 anos, dependendo do material, caso a carta de manutenção preventiva seja seguida corretamente por um profissional treinado e habilitado”, diz Maycon. “Apenas itens de desgaste poderão ter uma vida útil inferior a este período, e deverão ser trocados periodicamente conforme a carta de manutenção preventiva”, ressalta.
“Apenas completando… Uma peça genuína ou original da Eberspaecher tem durabilidade 3 vezes maior do que qualquer paralela do mercado, além de não ter qualquer risco ao ônibus ou ao passageiro”, conclui Maycon.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


Neste segmento o recondicionamento de motores elétricos, compressores embreagens é muito comum. O risco de ter uma parada não programada é muito alto, gerando as multas e trastorno para a operadora. Por outro lado, existem empresas sérias e com responsabilidade que recondicionam compressores e alternadores que tem vida útil similar à uma peça a nova. Entretanto eletro ventiladores e sopradores nunca devem ser recondicionados.
Outra boa prática é a remanufatura pelo fabricante do equipamento original, processo que já está sendo comum no Pós Venda dos fabricantes de chassis. Boas práticas que reduzem o custo de manutenção devem ser usadas, como é essencial ter procedimentos organizados de manutenção preventiva e preditiva.
É bem interessante ver a importância da manutenção nos ônibus, sobretudo no sistema de ar-condicionado deles. Aqui em Belém, foram mais de 20 anos lutando por esse direito em nossos coletivos e, só agora (2020), a Prefeitura resolve fazer a primeira licitação do transporte coletivo com a obrigatoriedade do ar. O problema é que, há alguns anos também foi obrigatório a instalação de elevadores para acessibilidade nos coletivos, e hoje em nenhum dos ônibus eles funcionam. Com os empresários daqui, que só pensam em lucro fácil e não importam-se com a população (O BRT Belém é uma obra cara, mal acabada e sofrível), fica difícil imaginar como a manutenção do ar-condicionado vai ser realidade aqui