Buser anuncia investimentos em segurança nos ônibus para 2020

Publicado em: 13 de janeiro de 2020

Ônibus de empresa que opera com a Buser. Empresa quer negociações coletivas com montadoras e encarroçadoras.

Entre funcionalidades que a startup promete instalar nos veículos das empresas de fretamento estão alertas que disparam quando passageiro está sem cinto de segurança e sensores de estafa do motorista

ADAMO BAZANI

A Buser, empresa que diz conectar passageiros a empresas de fretamento para viagens rodoviárias intermunicipais e interestaduais, anunciou que fará neste ano de 2020 uma série de investimentos em segurança nos ônibus das companhias que realizam os serviços de transporte.

Sem detalhar valores, a startup, por meio de nota ao Diário do Transporte, informou que uma das primeiras ações vai ser implantar nos veículos do que chama de “empresas parceiras”,  um sistema que aciona um alarme caso o passageiro não esteja usando o cinto de segurança durante a viagem.

“Assim como acontece nos carros mais modernos, o cinto possui um sensor conectado ao assento. Se houver a abertura do cinto sem que o passageiro se levante, um alarme sonoro é acionado. Isso garantirá, além do cumprimento da lei de trânsito, uma segurança maior aos usuários”, disse na nota o fundador da Buser, Marcelo Abritta.

Além do dispositivo de alarme de cinto de segurança, a Buser promete implantar “novas tecnologias para avaliar a conduta dos motoristas”.

“Queremos que a experiência com a Buser seja a melhor possível para passageiros e motoristas, por isso faremos investimento também em sensores de estafa, que farão uma análise permanente do condutor, garantindo a ele sempre a melhor condição de trabalho. Isso se reflete diretamente em segurança para todos”, prosseguiu Abritta na nota.

Segundo a Buser, parte destes custos em tecnologia de segurança nos ônibus das empresas de fretamento será bancada pela recente “rodada de investimentos liderada pelo Softbank e acompanhada pelo Grupo Globo e pelos investidores atuais, Canary, Valor Capital e Monashees realizado em setembro. Os investidores da Buser têm em seu portfólio outras startups, como 99, Rappi, Loggi, Gympass, Stone, Cargox, Uber e Quinto Andar.”

A empresa diz que já adota alguns procedimentos de segurança, como monitoramento da velocidade dos ônibus que, se ultrapassarem 90 km/h, têm um alerta sonoro acionado. A Buser afirma que nestes casos também entra em contato com o motorista.

Outra funcionalidade divulgada pela Buser é acompanhar os ônibus por GPS. Segundo a empresa, caso o veículo faça uma parada não programada, a equipe também entra em contato com o condutor.

“Isso nos ajuda também a prever se um eventual atraso poderá prejudicar demais os nossos passageiros, nos colocando em alerta para um atendimento de urgência. Hoje, se um passageiro estiver correndo risco de perder um compromisso importante, procuramos medidas alternativas para garantir que ele chegue ao destino. Já disponibilizamos até viagem de Uber para passageiros que não podiam perder compromissos importantes”, relatou Abritta, segundo a nota, acrescentando ainda que é exigido das empresas de fretamento que viagens acima de seis horas tenham dois motoristas.

Pelo sistema de monitoramento, a Buser diz que premia os motoristas que dirigem de forma cautelosa e que mantém a pontualidade.

COMPRA DE FROTA EM GRUPO:

A Buser ainda anunciou que estuda formas de negociações com as montadoras e encarroçadoras para que as empresas de fretamento que fazem as viagens possam comprar os ônibus zero quilômetro em grupos e assim conseguirem preços mais baixos.

Estes planos, segundo a nota, são para 2021, e incluem também personalização da frota.

Abrita “também demonstra entusiasmo aos antecipar alguns planos para o próximo ano. Estamos estudando uma maneira de unir as empresas parceiras e facilitar o diálogo com as fabricantes de ônibus para que os custos de aquisição e personalização da frota sejam mais baratos.” – de acordo com a nota que, prossegue ainda dizendo que o modelo de negócio acabou se transformando em oportunidade para empresas de fretamento de menor porte.

“Temos uma enorme gratidão às parceiras que apostaram na Buser quando iniciamos e hoje ficamos extremamente contentes quando ouvimos de uma pequena transportadora que foi a nossa parceria que salvou aquele negócio de uma possível falência. Empresas que antes tinham apenas dois ônibus e hoje conseguiram ampliar e renovar a frota, contratar mais motoristas, fazer a economia girar. Isso é extremamente gratificante”, disse Abritta.

A Buser tem causado polêmicas e entendimentos diferentes por parte dos tribunais em todo o País.

Por meio de aplicativo de celular ou pela internet, o passageiro escolhe grupos de viagens para diferentes destinos, podendo formar novos grupos também.

A prática tem incomodado empresas de ônibus que operam linhas regulares estaduais ou interestaduais.

As viações se queixam do que chamam de “concorrência desleal” porque a Buser consegue praticar, em geral, preços menores. As empresas de ônibus de linhas regulares alegam que estes valores mais baixos são em decorrência de uma série de obrigações que a Buser não tem, como dispensa de pagamentos de taxas de gerenciamento e de rodoviárias, não obrigatoriedade de transportes de gratuidades como idosos, pessoas com deficiência e jovens de baixa renda (ID Jovem), menos encargos trabalhistas e a não obrigatoriedade de realização da viagem caso o ônibus não alcance ocupação mínima.

As viações ainda alegam que a Buser faz comercialização de viagens, como qualquer empresa que vende uma passagem, e que o serviço não poderia ser enquadrado como fretamento.

Nos tribunais, há decisões favoráveis e contrárias à Buser.

Em 17 de dezembro de 2019, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, negou seguimento à ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 574, promovida pela Abrati (Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros), que pedia a suspensão de decisões favoráveis a startup Buser, deferidas pela Justiça Federal em vários estados.

Não significa, entretanto, que o STF deu a palavra final sobre a atuação da Buser legal. Este tema vai ser analisado ainda pelo plenário da corte, sem data definida.

O que Fachin entendeu é não ter cabimento a ADFP movida pelas viações sobre as decisões anteriores favoráveis à Buser.

As instâncias estaduais ainda poderão ter decisões próprias sem a definição de um entendimento unificado pelo Supremo.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/12/18/edson-fachin-do-stf-nega-prosseguimento-de-acao-de-empresas-de-onibus-contra-buser/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. João Luís Garcia disse:

    É simples
    Que a BUSER tenha as mesmas obrigações que as empresas de transporte regular, passe a recolher as mesmas taxas e impostos, ofereça e custeie a gratuidade, cumpra as viagens mesmo com pouca ou nenhuma passagem vendida.

    1. Olavo Leal disse:

      Caro João Luís Garcia: aí a Buser se transformaria numa empresa regular, sem condições de competir com estas. O que você propõe equivale acabar com a “luta” atual entre táxis e aplicativos.

  2. adam disse:

    É isso ai Buser, bora investir. Espero esse ano de 2020 continuar viajando com vocês!

  3. Lindomar disse:

    Negativo. Que parem de chorar na cama e façam como a Águia Branca no ÉS e lancem um serviço semelhante. Concorrência para a Buser.

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