Secretário afirma que obras da estação Ipiranga começam em 2020
ADAMO BAZANI
Colaborou Alexandre Pelegi
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O governador de São Paulo, João Doria, prometeu na manhã desta segunda-feira, 16 de dezembro de 2019, que as obras da Linha 15-Prata de monotrilho continuam na direção do extremo leste de São Paulo.
De acordo com o governador até dezembro de 2022 as intervenções devem ser realizadas no segundo trecho entre as estações Jardim Colonial e Hospital Cidade Tiradentes.
Já em relação ao outro extremo da linha, a estação Ipiranga na zona sudeste da cidade, o secretário de transportes metropolitanos do estado de SP, Alexandre Baldy, afirmou que as obras começam até dezembro de 2020.
A estação vai fazer integração com a Linha 10-Turquesa da CPTM, que atende a região do ABC paulista.
As declarações foram dadas durante a inauguração de três estações da primeira fase do monotrilho, que são Fazenda da Juta, Sapopemba e São Mateus, esta última próxima ao terminal de ônibus municipais e trólebus do corredor ABD.
O total de recursos para a Linha 15-Prata será de R$ 5,4 bilhões.
Segundo João Doria, foram investidos R$ 3,5 bilhões até o momento.
As três novas estações vão operar em horário reduzido das 10h até 15h, com aumento gradativo até a operação entrar em horário comercial previsto.
Estas três novas estações devem atender a 140,4 mil passageiros por dia, sendo 31 mil na Sapopemba, 29,4 mil na Fazenda da Juta e 80 mil em São Mateus.
Ainda de acordo com o secretário Alexandre Baldy, com a conclusão da Linha até o Hospital Cidade Tiradentes o monotrilho deve transportar em torno de 600 mil pessoas por dia.
ABAIXO ASSINADO
Grupo faz abaixo assinado para prolongamento do monotrilho até o Hospital Cidade Tiradentes, conforme projeto original. Foto: Adamo Bazani
No lado externo da estação de São Mateus, na zona Leste, um grupo fazia um abaixo assinado para o prolongamento do monotrilho até o Hospital Cidade Tiradentes, no extremo leste.
Segundo um dos organizadores, Ednelson Pacheco Ferreira, não há prioridade ao transporte coletivo na região. Nem os ônibus têm prioridade, o que deixa as viagens longas e cansativas
Segundo ele a Cidade Tiradentes hoje tem saída somente pelo Trem da CPTM, em Guaianases, e pelo Metrô em Itaquera.
“Um ônibus hoje, lá de Cidade Tiradentes, demora até a estação Guaianases da CPTM em torno de 30 minutos, e para a estação do Metrô em Itaquera ele demora de 45 minutos a uma hora”, relata Ednelson.
Ele afirma que a maioria dos moradores do bairro trabalha na região central da cidade. “É um bairro dormitório”, afirma.
A dificuldade de transporte é um grave problema do local segundo Ednelson, que conta que o Corredor de São Mateus não continua na direção da Cidade Tiradentes. Isso torna o trânsito complicado, e sem prioridade os moradores demoram cerca de uma hora para ir de São Mateus até o bairro.
O prolongamento do monotrilho até o Hospital Cidade Tiradentes, conforme o projeto original, iria resolver esses dois problemas: traria uma alternativa de transporte rápida para os moradores do bairro, e exigiria o prolongamento do corredor de ônibus.
Estação São Mateus da Linha 15-Prata de monotrilho. Foto: Adamo Bazani
Estação São Mateus da Linha 15-Prata de monotrilho. Foto: Adamo Bazani
Estação São Mateus da Linha 15-Prata de monotrilho. Foto: Adamo Bazani
Estação São Mateus da Linha 15-Prata de monotrilho. Foto: Adamo Bazani
Estação São Mateus da Linha 15-Prata de monotrilho. Foto: Adamo Bazani
Estação São Mateus da Linha 15-Prata de monotrilho. Foto: Adamo Bazani
Ao fundo, Linha 15-Prata de monotrilho na Estação São Mateus. Foto: Adamo Bazani
HISTÓRICO
O Diário do Transporte esteve na retomada das obras em 27 de maio.
Relembre:
Segundo o Governo do Estado, as obras estiveram paradas por causa de problemas com o consórcio responsável pela implantação das estações e de intervenções no entorno, como ciclovias.
O contrato com a empreiteira Azevedo & Travassos foi rescindido e aplicadas multas de mais de R$ 7 milhões por abandono dos serviços, na versão da gestão estadual.
Após licitação, foi firmado um novo contrato com a STER Engenharia.
Segundo a Secretaria de Transportes Metropolitanos, as obras remanescentes de quatro estações vão custar R$ 47,5 milhões.
A ligação vai atender a 400 mil pessoas por dia e os custos gerais para a implantação são de R$ 5,2 bilhões para 15,3 km e 11 estações. O valor inicial num trecho maior seria de R$ 3,6 bilhões.
O trecho entre Vila Prudente e Ipiranga e Boa Esperança e Hospital Cidade Tiradentes, no extremo leste, tiveram o projeto “congelado”, sem previsão de início das obras.
Dados da Secretaria de Estado de Transportes Metropolitanos, obtidos pela reportagem do Diário do Transporte por meio da Lei de Acesso à Informação, mostram que além de atrasados, os monotrilhos estão bem mais caros que as previsões anteriores de custos.
No caso da linha 15-Prata (zona Leste), o valor já está 12,6% maior.
Linha 15 – Prata
Valor Orçado: R$ 4,61 bilhões (R$ 4.618.290.000,00) – (Base: Jun/2015) – Nota: 1
Valor estimado para conclusão: R$ 5,2 bilhões (R$ 5.202.660.000,00)- (Base: Jun/2018) – Nota: 2
Valor realizado até set/2018: R$ 4,28 bilhões (R$ 4.284.590.000,00)
Previsão de Conclusão: Estações Jardim Planalto, Sapopemba, Fazenda da Juta e São Mateus (4º Trimestre de 2018 – NÃO CUMPRIDO); Estação Jardim Colonial – (Exercício de 2021).
Somente no dia 16 de dezembro de 2019 foram inauguradas as três estações prometidas para o quatro trimestre de 2018: Sapopemba, Fazenda da Juta e São Mateus.
O modal consiste em trens menores com pneus que trafegam em elevados de concreto.
Uma das críticas ao monotrilho é que o modal tem uma capacidade média para um alto custo de implantação e operação.
No dia da inauguração das 3 estações, 16 de dezembro, o Governador João Doria prometeu prolongar a Linha 15 até o extremo leste da capital, chegando até o Hospital Cidade Tiradentes. Já Baldy afirmou que a estação Ipiranga, que fará integração com a Linha 10-Turquesa da CPMT, terá obras iniciadas até dezembro de 2022.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaborou Alexandre Pelegi
