Santo André abre chamamento para uso de seis imóveis residenciais em Paranapiacaba

Publicado em: 9 de dezembro de 2019

Propostas devem ser apresentadas em 17 de dezembro. Foto: Angelo Baima/PSA.

Valor mensal para morar em uma das casas é de R$ 836,35

JESSICA MARQUES

A Secretaria de Meio Ambiente de Santo André, no ABC Paulista, abriu um chamamento público para interessados no uso de seis imóveis residenciais na Parte Baixa da Vila de Paranapiacaba.

As propostas devem ser apresentadas no dia 17 de dezembro, conforme consta no edital. As casas ficam nas ruas Nova e Manoel Ferraz de Campos Salles e foram construídas no final do século XIX para abrigar as famílias dos operários da ferrovias.

As residências são em alvenaria, mas mantêm a forte presença da madeira na construção dos sistemas de piso, cobertura e esquadrias.

Segundo a Prefeitura, cada uma possui 62 m², distribuídas em seis cômodos, sendo uma sala, uma cozinha, dois dormitórios, um banheiro interno, uma área de serviço e quintal na lateral e nos fundos.

A permissão de uso é válida por cinco anos, com possibilidade de prorrogação por mais cinco anos. Para morar na vila, o valor mensal da contraprestação da permissão será de R$ 836,35 para cada imóvel.

Além disso, segundo a Prefeitura, o contratado fica responsável pela manutenção integral da residência.

“Toda a receita arrecadada será destinada ao Fundo de Gestão do Patrimônio Histórico e Arquitetônico de Paranapiacaba e Parque Andreense (Fungephapa), nos termos da Lei Municipal n.º 9.983, de 22 de setembro de 2017.”

Paranapiacaba conta hoje com 347 imóveis passíveis de outorga, número que inclui estes seis que estão com chamamento em vigor.

VISITA

Antes de apresentar a proposta, é necessário agendar uma visita para vistoria do imóvel de interesse pelos telefones 4439-0109 e 4439-5000, até o dia útil anterior à data de entrega do envelope, dia 17 de dezembro.

“A ocupação da Vila traz mais vida, ajuda na preservação histórica e aumenta a renda de Paranapiacaba”, disse o secretário de Meio Ambiente, Fabio Picarelli.

“Os interessados poderão apresentar proposta para mais de um imóvel, entretanto somente será outorgada a permissão de uso para uma das residências. Desta forma, o interessado poderá assinar apenas um termo contratual de permissão de uso. Em caso de mais de uma pessoa interessada em um mesmo imóvel e habilitada a ocupá-lo, será realizado sorteio”, explicou a Prefeitura, em nota.

Confira o edital, na íntegra:

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HISTÓRIA DA VILA

Lugar de onde se avista o mar: Este é o significado da palavra Paranapiacaba, em tupi-guarani. A vila foi criada pelos ingleses entre 1865 e 1867 para moradia dos ferroviários da linha Santos – Jundiaí, uma das ligações ferroviárias pioneiras do Brasil.

Pertencente a Santo André, no ABC Paulista, a vila é cercada por belezas naturais, sendo possível do “planalto” ver mesmo o mar no litoral sul, desde que a característica neblina da Serra do Mar não baixe e deixe o clima com um ar tipicamente londrino.

A vila também é marcada por diversas histórias que envolvem de grandes empreendedores a ferroviários.

Leia a história de Romão Justo Filho:
https://diariodotransporte.com.br/2019/03/10/historia-paranapiacaba-e-um-modesto-heroi-da-ferrovia/

Confira a história de Paranapiacaba, conforme divulgado pela Prefeitura de Santo André:

Em 1850 Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, empenhou-se na construção de uma Estrada de Ferro e, em 1856, um Decreto Imperial concedeu a ele o privilégio da construção e o prazo de 90 anos para sua exploração. Em 1860 conseguiu reunir capital suficiente e formou a empresa The São Paulo Railway Company Ltd. – SPR para construí-la. Paranapiacaba surge como acampamento para os trabalhadores que construíram o trecho da Serra do Mar. Com a inauguração da ferrovia, em 1867, a empresa viu-se obrigada a manter operários no local para a operação dos serviços e manutenção das obras. Posteriormente à duplicação da ferrovia edificou-se uma nova vila no Alto da Serra, a Martin Smith, de ruas arborizadas com alinhamentos regulares e sistemas de água e esgoto.

Na década de 1940 a Vila sofreu duas marcantes intervenções: em 1945 passou a chamar-se Paranapiacaba e, no ano seguinte, a São Paulo Railway Co. foi incorporada ao Patrimônio da União e passou a ser administrada pela Estrada de Ferro Santos a Jundiaí – EFSJ, terminando assim a presença dos ingleses na região. Ao receber o patrimônio, em 1946, o governo federal esforçou-se em manter a qualidade no transporte de carga e de passageiros que os ingleses tinham até então.

No tempo dos ingleses a Vila de Paranapiacaba apresentava certo ar europeu, romântico, com casas de madeira, quintais separados por cercas vivas e ruas calmas, ladeadas de pinheiros, em contraste com a Parte Alta, que recebeu uma ocupação urbana marcada pela herança portuguesa, com ruas estreitas e casas de pequenas frentes edificadas junto ao alinhamento. Unindo a Parte Alta à Parte Baixa há uma ponte metálica destinada exclusivamente aos pedestres e bicicletas, que se mantém até hoje após algumas reformas.

Em 1982 o Sistema Funicular construído pelos ingleses deixou de funcionar. Foi o fim de uma era de glamour e o começo de uma luta pela preservação do que ainda restava da História da ferrovia inglesa. Iniciava-se um movimento para a redestinação de Paranapiacaba a fim de transformá-la num polo turístico que mostrasse a beleza de seu casario, matas, águas e trilhas, que envolvesse as pessoas em seu clima mágico, histórico e cultural. Em 1987 foi elaborado pela Emplasa, empresa estadual de planejamento metropolitano, o Plano Integrado de Preservação e Revitalização de Paranapiacaba e, nesse mesmo ano, o Condephaat, órgão estadual de preservação do patrimônio, publica seu tombamento histórico, abrangendo a área do núcleo urbano, os equipamentos ferroviários e a área natural ao seu redor, selando legalmente o local como de interesse público. Em abril de 2000 Paranapiacaba tornou-se oficialmente um dos núcleos do programa da Reserva da Biosfera da UNESCO, que engloba a proteção de 329 áreas de floresta em 83 países.

Em 2001 a Prefeitura de Santo André deu o primeiro passo para assumir definitivamente a administração da Vila ao criar a Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense e, em 2002, foi formalizada a compra da Vila de Paranapiacaba da Rede Ferroviária Federal S.A. – RFFSA. O contrato de compra e venda foi assinado no interior do Castelinho, testemunha inglesa do negócio, que mudaria o destino de Paranapiacaba.

Em 05 de junho de 2003, Dia Mundial do Meio Ambiente, foi criado o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba, área verde com cerca de 4,2 km² de Mata Atlântica no entorno da Vila.

Hoje Paranapiacaba conta com dois museus: o Castelinho, construção vitoriana que serviu de residência para o Engenheiro Superintendente, autoridade máxima da ferrovia inglesa, que guarda a memória dos tempos de funcionamento da São Paulo Railway Co., e o Funicular, que consiste em três galpões situados no pátio ferroviário, onde é possível ver as locomotivas, o carro fúnebre, as máquinas fixas e peças menores, como a azeitadeira, utilizada para lubrificar as máquinas. Ao ar livre podem ser vistos o trem ambulância, já bem enferrujado e o trem guindaste a vapor.

Paranapiacaba é cercada por três importantes Unidades de Conservação: o Parque Nascentes, citado acima, a Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba e o Parque Estadual da Serra do Mar. As matas, Parques e quedas d’água existentes no entorno da Vila compõem um cenário natural fantástico, que pode ser percorrido por trilhas de trajetos fáceis ou difíceis e requerem acompanhamento de guia habilitado e cadastrado pela Prefeitura. Dentre elas as mais conhecidas são as trilhas da Pontinha, do Mirante e da Água Fria.

Em 2001 realizou-se na Vila o 1º Festival de Inverno de Paranapiacaba, com muita expectativa. Os visitantes chegavam pela passarela metálica, que liga a Parte Alta à Vila Nova; os espetáculos se concentravam no Clube União Lyra-Serrano, outrora palco de grandes bailes e espetáculos. O Festival continua ocorrendo anualmente, se expandiu, com vários artistas se apresentando em palcos espalhados pela Vila e atualmente é um dos eventos mais conhecidos do Município. Durante o Festival vários atrativos, além dos artísticos e culturais, são oferecidos ao visitante.

Em abril acontece o Festival do Cambuci, fruta nativa da Mata Atlântica que é marca registrada da região e patrimônio imaterial de Santo André desde 2013, onde são oferecidos diversos pratos, doces e bebidas que utilizam o fruto como principal elemento.

Outros eventos, como a Convenção de Bruxas e Magos, a Festa do Padroeiro e a Feira de Artes e Antiguidades acontecem no decorrer do ano.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Comentários

  1. Jacinto Leite Aquino Rêgo disse:

    Pagar 800 conto pra morar em uma casa velha em Paranapiacaba? Tu tá é doido.

  2. Carlos norberto disse:

    Só pela manutenção da casa já ė caro rs800 demais.não tem infra estrutura pra nada tudo ę dificil e caro. Continua uma vila abandonada.so tem mendigo e cachorro.

  3. Luiza De Oliveira Rocha disse:

    800 reais é muito caro para se morar numa casa que vai exigir reparos constantes

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