Governo do Uruguai subsidiará operadoras de transporte coletivo na compra de ônibus elétricos

Publicado em: 2 de novembro de 2019

Este foi o primeiro ônibus elétrico a circular na capital Montevidéu, em maio de 2016

Governo do país anunciou neste sábado que mais de 30 empresas manifestaram interesse ​​na primeira chamada pública realizada no país para obtenção do benefício

ALEXANDRE PELEGI

Comunicado da presidência do Governo do Uruguai, divulgado neste sábado, 02 de novembro de 2019, destaca que a primeira chamada para conceder subsídios às operadoras que compram ônibus elétricos para serviços regulares em todo o país se encerrou em 30 de outubro.

O Ministério da Indústria, Energia e Mineração informou que espera conceder entre 30 e 35 subsídios, o que permitirá que as empresas do setor de transporte público interessadas possam adquirir ônibus elétricos ao preço do diesel, hoje de cerca de US$ 140.000 (cerca de R$ 560 mil).

A convocação foi feita pela Comissão Técnica criada pelo Decreto Executivo nº 165/019, de 17 de junho de 2019, composto por representantes dos ministérios da Economia e Finanças; da Indústria, Energia e Mineração; do Transporte, Obras Públicas e Habitação; e do Planejamento Urbano e Meio Ambiente.

Segundo o comunicado oficial, o subsídio tem amplo apoio político, uma vez que a lei foi aprovada pelo Parlamento nacional quase por unanimidade, com o objetivo de atingir todas as empresas operacionais do país. “Isso não implica uma despesa maior para o Estado, uma vez que a soma do subsídio ao diesel atualmente recebido pelo setor durante toda a vida útil de um ônibus é da mesma magnitude que eles receberão na compra de cada carro elétrico”, afirma o texto do governo uruguaio.

Essas novas unidades zero quilômetro, devido aos requisitos técnicos do subsídio, terão mais recursos: piso baixo para acessibilidade, câmeras de segurança, telas com informações e ar condicionado, o que irá melhorar a experiência de viagem, o conforto e a segurança do usuário.

Assim, os operadores de transporte público em todo o país podem comprar ônibus elétricos ao preço do diesel. O custo de um ônibus elétrico e seu carregador é entre US$ 350.000 e US$ 400.000, dependendo de seus benefícios, enquanto o de um diesel é de US$ 140.000”, explica o texto. Ou seja, as operadoras pagarão o preço de um ônibus a diesel para ter um elétrico, com a diferença sendo subsidiada pelo governo uruguaio.

As solicitações possuem ofertas diferentes de tecnologia, com quatro fornecedores e três fabricantes entre os maiores do mundo: Ankai, BYD e Yutong.

O subsídio faz parte da política energética uruguaia, que hoje produz 98% de sua eletricidade a partir de fontes não poluentes, renováveis ​​e nacionais.

A medida tem como pano de fundo significativo a criação, em 2014, do Grupo Interinstitucional sobre Eficiência Energética nos Transportes, composto por vários ministérios, além do Município de Montevidéu, a UTE (empresa estatal de energia) e a Ancap, estatal que atua na produção de petróleo e produtos derivados.

A política definida pelo Grupo projeta e coordena políticas para um transporte mais eficiente e sustentável, incluindo o subsídio para a compra de ônibus elétricos.

Nessa linha, a empresa estatal de distribuição de eletricidade UTE estuda estender às empresas de transporte público descontos e tarifa similar que hoje se aplicam aos táxis elétricos.

DECRETO

O Decreto que instituiu o subsídio no país, aprovado pelo Parlamento, foi promulgado no dia 17 de junho de 2016.

O Decreto cita motivos que vão desde “apoiar a transição inicial para tecnologias mais eficientes e sustentáveis ​​no transporte público coletivo terrestre de passageiros em todo o país”, até atender à Política Nacional de Mudanças Climáticas, a Política Energética 2030 e “as medidas de mitigação de gases de efeito estufa estabelecidas por nosso país no âmbito das Contribuições Determinadas no nível Nacional do Uruguai, para o Acordo de Paris”.

Segundo o texto legal, a transferência para uma tecnologia mais eficiente deverá incluir um conjunto de vantagens, do ponto de vista ambiental, para a não emissão de gases de efeito estufa e outras emissões de poluentes na atmosfera, “além de reduzir significativamente os impactos sonoros”. Do ponto de vista econômico, o documento destaca que enquanto o país processa uma transformação de sua matriz energética em fontes renováveis, ele gera uma economia significativa na operação do veículo (especificamente em consumo de energia e custos de manutenção).

O subsídio surge, portanto, devido a, entre outros motivos, o fato de a principal barreira para a aquisição de um ônibus com motorização elétrica estar hoje no maior custo inicial que este apresenta em relação à aquisição de um ônibus com motor a diesel.

A função do Grupo de Trabalho criado para definir a política foi “gerar um mecanismo que incentive, do ponto de vista econômico, os operadores do serviço público coletivo regular de transporte terrestre de passageiros a adquirir ônibus com motorização elétrica em vez de ônibus com motor diesel”.

Por fim, destaca que “essa mudança tecnológica busca incentivar o uso do transporte coletivo por meio de uma melhoria do serviço para torná-lo mais igualitário e seguro”.

Clique no link para ler a íntegra do Decreto: https://www.impo.com.uy/bases/decretos/165-2019

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Rodrigo Zika! disse:

    Se SP tivesse pra isso, massssss.

    1. Paulo Gil disse:

      Rodrigo ZIka, bom dia.

      Eu não entendi ao que você se referiu.

      Mas Sampa tem tudo, dinheiro,pessoal, técnica, inteligência; só NÃO TEM vontade de fazer o que tem de ser feito.

      E pra mim no BarsiLei o buzão verde que tem de ser apoiado são os a Alcool e a Gás seja qual tipo de gás for; afinal somos produtores de Cana e Gás.

      Buzão verde a bateria, devido a bateria e seus componentes, eles são mais poluidores do que buzão a Alcool e a Gás.

      Só não entendo o que estão esperando.

      Em prol do Planeta o que menos interessa é o custo de manutenção e a durabilidade de um motor a Alcool ou a Gás.

      Eu queria ser um moskito para saber a verdade sobre o que rola nessa história.

      SCANIA acelera esse buzão a gás e coloca um em casa empresa pra rodar, tem gás da Bolívia, do Pré Sal e desse monte de aterro sanitário por esse BarsilLei.

      Basta fundar a BOSTOBRÁS.

      Abçs,

      Paulo Gil

      1. Rodrigo Zika! disse:

        Eu me referi a burocracia que tem em SP, e isso ocorre pra proteger o lobby das empresas a diesel infelizmente, prefeitura e governo do estado recebem algo em troca pra não obrigar nenhuma frota mínima, isso esta bem óbvio, vergonha.

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