Araçariguama (SP) tem greve de ônibus urbanos e escolares

Publicado em: 22 de outubro de 2019

Os passageiros estão sem transporte desde o início da manhã. Foto: Divulgação.

Sindicato dos trabalhadores alega demissões arbitrárias e descumprimento de acordo, mas Vertion Transportes garante estar em dia com os pagamentos e reafirma justa causa

JESSICA MARQUES

Os rodoviários de Araçariguama, no interior de São Paulo, iniciaram uma greve nesta terça-feira, 22 de outubro de 2019, que afeta ônibus urbanos e escolares da cidade. Os passageiros estão sem transporte desde o início da manhã.

O sindicato dos trabalhadores alega que foram feitas três demissões arbitrárias e que há descumprimento de acordo trabalhista, mas a empresa responsável, Vertion Transportes, garante estar em dia com os pagamentos e garante que houve justa causa para os desligamentos.

“Os trabalhadores e trabalhadoras na empresa Vertion, que faz os transportes urbano e escolar em Araçariguama, entraram em greve na madrugada desta terça-feira, 22, em protesto contra demissões arbitrárias por perseguição e não cumprimento do acordo firmado na greve de agosto”, informou, em nota, o Sindicato dos Rodoviários Sorocaba Região.

PASSAGEIROS DESATENDIDOS

A notificação de greve foi protocolada pelo sindicato em 15 de outubro de 2019, quando a categoria prometeu operação de 30% da frota, o que não foi cumprido. Como justificativa, os rodoviários afirmaram que a própria empresa impediu a operação da frota.

“Desde a madrugada, a empresa Vertion está impedindo que o Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região coloque 30% da frota de ônibus para circular. Por causa dessa decisão da Vertion, nenhum ônibus está circulando na cidade de Araçariguama. Os trabalhadores em greve estão em frente à empresa aguardando a liberação da empresa para operar os 30% da frota”, afirmou o sindicato dos trabalhadores, também em nota.

Porém, a empresa informou que os sindicalistas optaram por operar em linhas com baixa demanda, o que prejudicaria os passageiros, e solicitou que fossem cumpridos os itinerários em que há mais gente utilizando os ônibus. Contudo, essa solicitação não foi atendida pelos rodoviários.

“A empresa Vertion vem comunicar que essa informação não procede, pois o sindicato quis liberar somente 30% da frota referente às linhas que transporte o mínimo de passageiros, prejudicando ainda mais a população de Araçariguama e dizendo que cumpriu com a lei deixando 30% da frota em operação”, informou a empresa, em nota.

“Mesmo assim o setor operacional da empresa informou ao sindicato que iríamos colocar 30% da frota em operação, porém com as linhas que transportasse o maior numero de passageiros possíveis para que não venha prejudica os trabalhadores e alunos de Araçariguama, e o sindicato não permitiu a decisão do setor operacional tentando prejudica ainda mais a empresa consequentemente a população de Araçariguama”, informou também.

PAGAMENTOS EM DIA

Em entrevista ao Diário do Transporte, o proprietário da Vertion Transportes, Allison afirmou que a greve é ilegal, porque os pagamentos estão em dia. Desta forma, protocolou um ofício na Prefeitura de Araçariguama afirmando que todos os direitos estão sendo atendidos.

“A Vertion jamais vai impedir os carros de operar, eles querem colocar três ônibus, mas o certo seria sete. E querem colocar em linhas que não tem demanda, mas quem manda na logística somos nós”, disse Lima.

Ao todo, a frota conta com 25 ônibus. Segundo o empresário, as linhas com maior necessidade seriam a Outlet Catarina, Pernambucanas e Santaella, que não estão com ônibus em operação.

“Não estamos com nada em atraso, todos os pagamentos em dia, vale refeição em dia, podemos apresentar provas concretas, pois toda vez que tem greve o sindicato pauta as mesmas mentiras que não procede e todas comprovadas em reuniões e atas. O motivo exclusivo da paralisação é somente para que volte os 3 funcionários que foram demitidos sendo a informação que o sindicato deixou bem claro a empresa”, informou ainda o empresário, por meio de nota.

“A empresa esta tentando contato com a prefeitura para que fosse esclarecido os fatos ocorrido, pois somente foi vista a versão do sindicato, iremos protocolar documentos na prefeitura provando a veracidade alegadas provando que a empresa vem cumprindo com o seu dever na cidade.”

EMPRESA DIZ QUE DEMISSÕES TÊM JUSTA CAUSA

Ainda em nota, a empresa informou que a demissão ter sido feita de forma arbitrária é uma “mentira” do sindicato, pois não houve retaliação à greve de agosto, mas comportamento inadequado dos três funcionários que foram desligados.

“Desde abril, não podem contratar nem demitir ninguém sem o aval do sindicato, sendo que os assuntos são internos, seguindo conforme CLT”, informou a empresa, por meio de nota.

Lima, afirmou que não vai contratar novamente os funcionários que foram desligados, porque eles teriam apresentado má conduta e denegrido o nome da empresa.

“Eles postaram fotos sem autorização, divulgaram imagens de carros quebrados, provocaram a quebra de alguns ônibus, não tem condições”, disse Lima, sobre as demissões.

O empresário afirmou ainda que algumas irregularidades foram captadas pelo sistema de monitoramento da empresa, o que fundamentou a justa causa para a demissão dos funcionários.

“Eles também ficaram alegando que a gente não faz manutenção nos ônibus. Pelo contrário, eu só coloco peças originais, não compro peças paralelas para colocar nos meus veículos. Gasto mais de R$ 150 mil reais com veículos que estão em operação”, disse Lima.

SINDICATO REBATE

Sobre as alegações, o Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba e Região informou, em nota, que a empresa Vertion Transportes “falta com a verdade” e “tenta com falsos argumentos jogar a população contra os trabalhadores e o sindicato”.

“Os trabalhadores tinham o direito legal de iniciar a greve na última sexta-feira, 18, e a paralisação não teve início porque o Sindicato dos Rodoviários deu mais um prazo para a empresa regularizar a situação dos planos de saúde e odontológico e a reversão das demissões por justa causa, que foram feitas de forma arbitrária e em represália à greve realizada em agosto. Mas a empresa, mais uma vez, apenas simulou que iria resolver as questões e, de real, nada fez. Por isso, a greve teve início”, explicou a categoria, em nota.

“A Vertion simula que irá cumprir o acordo coletivo de trabalho e implantar os planos de saúde e odontológico, mas até agora nada. Simula que cumpre a lei trabalhista, mas só após a greve de cinco dias em agosto regularizou o pagamento por meio de banco e não por cheques sem fundo, sendo que até agora nem carteira de trabalho está em dia”, afirmou também o sindicato, sobre a situação trabalhista.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Comentários

  1. Viviane disse:

    Porque não tem ônibus circular de Araçariguama para Osasco e Barueri??? Porque só tem 2 horários para Itapevi?? Aproveito para mencionar que o último horário de Itapevi é muito cedo, às 19 horas! E os ônibus estão em um estado agressivo de calamidade total, a um ponto que os passageiros vêm a viagem inteira na estrada de terra engolindo poeira, causando muitos prejuízos à saúde!

Deixe uma resposta para Viviane Cancelar resposta