Rodoviários de João Pessoa paralisam atividades em protesto

Publicado em: 21 de outubro de 2019

Categoria bloqueou imediações do centro com os ônibus. Foto: Divulgação / Semob.

Principal reivindicação é o pagamento de salários atrasados. Paralisação foi interrompida por volta das 14h, mas a greve continua como instrumento de luta caso situação não seja resolvida

JESSICA MARQUES

Os rodoviários de João Pessoa, na Paraíba, paralisaram a circulação dos ônibus do transporte coletivo na manhã desta segunda-feira, 21 de outubro de 2019. A principal reivindicação da categoria é o pagamento de salários atrasados.

O protesto ocorre no centro da cidade desde às 9h. À imprensa local, o presidente do sindicato dos motoristas, Antônio de Pádua, informou que os trabalhadores querem discutir o transporte público da capital.

O presidente do Sintur-JP (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de João Pessoa), Isaque Moreira, informou que a folha de pagamento deveria ter sido efetivada na sexta-feira, mas não foi possível. OSintur-JP convocou uma reunião com o Sindicato dos Motoristas às 16 horas, para tentar solucionar o impasse.

Ao Portal MaisPB, o diretor do Sintur, Isaac Júnior Moreira, admitiu o atraso no pagamento de metade da folha dos motoristas. O dirigente atribuiu a crise no setor aos transportes clandestinos na cidade.

A crise passa pela retração da economia e, no panorama local, o município não conseguiu inibir os transportes clandestinos, é o que tem mais provocado essa crise”, justificou.

O pagamento da folha é dividido em duas partes, sendo a primeira paga todo dia 20 de cada mês e a segunda, no dia 5 do mês seguinte. O pagamento do dia 20 de outubro, que deveria ser feito sexta-feira (18), não foi cumprido.

Mais cedo, o presidente do Sindicato dos Motoristas da Paraíba, Antônio de Pádua Dantas Diniz, considerou o sistema de ônibus em João Pessoa “falido”.

“Chegamos a um ponto que não aguentamos mais. Antigamente transportávamos 9 milhões de passageiros por mês e hoje esse número não chega a cinco. Desses cinco, 20% não paga. Tem empresa com 10 anos sem comprar um carro novo. Nós tínhamos 7 mil trabalhadores com carteira assinada, hoje temos três. Ninguém faz nada”, disse Pádua.

Apesar do protesto, o sindicato que representa as empresas de ônibus afirma que não pode garantir que o pagamento será feito até o fim do dia. A paralisação foi encerrada pelos próprios motoristas por volta das 14h, mas mantendo no ar a possibilidade de retomada da greve caso a situação não se resolva.

A categoria bloqueou imediações da Lagoa do Parque Solon de Lucena, no centro. Os motoristas também mantiveram ônibus parados em um ponto próximo à CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), antes do Terminal Integrado do Varadouro.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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