Metrô define empresa que vai fornecer sistema de reconhecimento facial por R$ 58,6 milhões

Entre duas ofertas de preços apresentadas, estatal adjudicou proposta do Consórcio Engie Ineo Johnson, R$ 4 milhões inferior à da concorrente

ALEXANDRE PELEGI

A Companhia do Metropolitano de São Paulo publicou neste sábado, 19 de outubro de 2019, no Diário Oficial do Estado, o resultado da fase de homologação/adjudicação da licitação para a compra da tecnologia para um novo sistema de monitoração eletrônica por imagem, inclusive com reconhecimento facial.

O sistema atenderá às linhas de operação estatal do Metrô de São Paulo, 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha.

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Em 20 de agosto de 2019, como mostrou o Diário do Transporte, foi realizado o certame segundo anúncio da Companhia do Metrô em 28 de junho deste ano. Relembre: Metrô terá sistema reconhecimento facial e monitoramento eletrônico

Na publicação deste sábado o Metrô informa ter recebido as propostas para a licitação, e pós-qualificou as apresentadas pelos dois proponentes:

= Consórcio Engie Ineo Johnson (Engie Brasil Soluções Integradas Ltda; Ineo Infracom; Johnson Controls Be Do Brasil Ltda e

= Consórcio Iecibr/Iecisa (Informática El Corte Inglés Brasil Ltda; Informática El Corte Inglés, Sociedad Anónima)

Como resultado, o Metrô informa que homologou o resultado e adjudicou o seu objeto ao Consórcio Engie Ineo Johnson, no valor total do contrato de R$ 58.618.282,54. A proposta de preço apresentada pelo outro consórcio foi bem superior, de R$ 42.815.314,38.

Quando lançou a licitação o Metrô explicou, em nota, como será o novo sistema de monitoramento.

“A aquisição contempla o projeto, fornecimento, instalação e testes de equipamentos de imagem com alta capacidade para o monitoramento das instalações do Metrô, como o Centro de Controle Operacional, as vias, as estações e os pátios Jabaquara (Linha 1), Tamanduateí (Linha 2) e Itaquera e Belém (ambos na Linha 3).

O novo sistema será totalmente digital e tem como objetivo a melhoria e ampliação da segurança operacional do sistema com o aumento do parque de câmeras. O projeto inclui funções de inteligência, como reconhecimento facial, identificação e rastreamento de objetos e detecção de invasão de áreas. Além disso, será implantado um novo sistema com autonomia para 30 dias de armazenamento de imagens.

Atualmente, o monitoramento eletrônico do Metrô SP é feito por câmeras analógicas e outras digitais, nem todas integradas aos centros de controle operacional e de segurança.”

Um dia antes da licitação, no dia 19 de agosto, a Telefônica Infraestrutura e Segurança Ltda apresentou representação visando impugnar o certame. A empresa discordou das especificações dos equipamentos, afirmando haver “direcionamento injustificado”, bem como de que as especificações estariam “em desacordo com a necessidade da Companhia”.

O pedido de impugnação foi rejeitado pelo Metrô de SP, após parecer elaborado com base nos subsídios encaminhados pelas respectivas áreas competentes da Companhia.


NOTA DO CONSÓRCIO IECIBR/IECISA – 

Com relação a esta publicação do Diário do Transporte, com base estritamente em dados fornecidos pelo Metrô de São Paulo – como se pode ver acima pelo print da publicação do Diário Oficial do Estado –, o Consórcio Iecibr/Iecisa (Informática El Corte Inglés Brasil Ltda; Informática El Corte Inglés, Sociedad Anónima) encaminhou à nossa redação em 25 de outubro de 2019 alguns reparos e observações.

Como se poderá ler a seguir, o Consórcio contesta a forma como o Metrô conduziu o resultado da licitação, o que teria culminado em uma situação inusitada: a empresa que apresentou o menor valor global acabou sendo desclassificada.

Informações enviadas ao Diário do Transporte pelo Consórcio Iecibr/Iecisa:

= A proposta do Consórcio Engie Ineo Johnson, que poderá originar sua contratação, é de R$ 58.618.282,54;

= A proposta apresentada pelo Consórcio Iecibr/Iecisa (Informática El Corte Inglés Brasil Ltda; Informática El Corte Inglés, Sociedad Anónima), com todos os impostos inclusos é de R$ 49.650.410,58;

= A proposta do Consórcio Engie Ineo Johnson, ao contrário do que se pode depreender dos dados publicados pelo Metrô de SP, não é inferior em R$ 4 milhões, mas sim superior em R$ 8.967.871,96 O Consórcio Iecibr/Iecisa não entende por que razão não foi publicado o valor total de sua proposta;

= Sendo um processo financiado pelo BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, o valor para efeito de análise do vencedor tem, por regra do Banco, a análise em impostos. Por este critério, o valor da proposta do Consórcio Engie Ineo Johnson seria de R$ 41.897.019,64, enquanto o valor da proposta do Consórcio Iecibr/Iecisa, de R$ 42.815.314,38. Por esta regra, portanto, o Consórcio Engie Ineo Johnson, que foi habilitado, tem uma diferença de valores a menor em R$ 294,74 precisamente;

= O que chama a atenção neste processo, continua relatando o Consórcio Iecibr/Iecisa, é a diferença de impostos entre as empresas participantes, que mesmo tendo os mesmos produtos e serviços ofertados, guardam uma diferença de valores de R$ 8.967.871,96. Além de onerar diretamente os cofres públicos, conclui o Consórcio Iecibr/Iecisa, quem apresentou o menor valor global acabou por ser desclassificado do certame conduzido pelo Metrô de SP.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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