Estatal definiu as licitantes mais bem classificadas após disputa em pregão eletrônico realizado ontem, 17
ALEXANDRE PELEGI
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) realizou nesta quinta-feira, 17 de outubro de 2019, a sessão pública do pregão eletrônico para a contratação de serviços de Vigilância e Segurança Patrimonial nas instalações e trens da CPTM, divididos em quatro diferentes lotes.
Segundo informações da estatal, encaminhadas ao Diário do Transporte, houve participação de empresas na disputa no pregão eletrônico. Ao final, a Companhia definiu as licitantes mais bem classificadas.
A CPTM não revelou os nomes das concorrentes, nem os valores das propostas, o que deve se tornar público com a publicação da Ata do certame.
Até a próxima segunda-feira, 21 de outubro, segundo a Companhia, as empresas deverão apresentar as planilhas detalhando suas propostas, para permitir a realização das próximas etapas da licitação.
Somente após o cumprimento de todas as etapas do processo licitatório, e conforme análise da CPTM, serão homologados os vencedores.
HISTÓRICO
Como mostrou o Diário do Transporte, a CPTM decidiu contratar vigilantes para prestação de serviços de vigilância e segurança patrimonial.
O aviso de licitação saiu publicado no Diário Oficial do Estado de 03 de outubro de 2019, prevendo a realização de pregão eletrônico no dia 17 de outubro para o serviço, distribuído em 04 lotes.
A Sessão Pública de processamento do Pregão Eletrônico de fato aconteceu como previsto e na data marcada, realizada por intermédio do Sistema Pregão Eletrônico de Contratação – BEC/SP.
A licitação vai ao encontro do que afirmou em 30 de julho deste ano o presidente da CPTM, Pedro Moro. Em um encontro com portais especializados em mobilidade urbana, dentre os quais o Diário do Transporte, Moro afirmou que a Companhia de Trens deveria lançar ainda neste ano uma licitação para ampliar o número de vigilantes privados nas estações e nas composições. Relembre: Licitação da CPTM vai prever mais agentes de segurança e vigilância dentro dos trens, diz Pedro Moro
Entre os maiores problemas relacionados à segurança está a presença dos ambulantes, principalmente dentro dos trens.
Além do comércio ilegal, muitos ambulantes têm se envolvido em casos de agressões mútuas com seguranças, funcionários das áreas operacionais (como maquinistas) relatam ameaças e há investigações policiais sobre o possível envolvimento de alguns vendedores em atividades criminosas, como roubo, fraude à bilhetagem eletrônica e até tráfico de drogas.
Nos trens, vendem-se muitas coisas: eletrônicos (a maioria de qualidade duvidosa), água, doces, salgadinhos, acessório de celulares, carteiras, pomada para dor muscular e, em alguns horários, principalmente aos fins de semana, até cerveja é vendida, inclusive para adolescentes, sem qualquer cerimônia.
Nos horários em que a lotação é menor e dá para andar dentro dos vagões (o nome técnico correto é carros), às vezes fica difícil até conversar no trem ou falar ao celular: dois ou mais “marretas” (como alguns se intitulam) gritam vendendo produtos diferentes.
No encontro com os portais de mobilidade, o presidente da CPTM reconheceu que a companhia constatou nos últimos anos aumento no número de ambulantes.
“O fato é que nos últimos anos houve um crescimento no número de ambulantes muito acima da capacidade de atuação do corpo de vigilantes de segurança presente hoje. A gente deu uma efetividade maior nestes primeiros meses, que vai ser ainda maior ao longo dos próximos meses com o contrato que deve ser lançado em breve. Nossa programação é para este ano.” – disse Pedro Moro.
O presidente da CPTM ainda disse que o contrato deve contemplar mais agentes de segurança dentro dos trens e que o treinamento destes profissionais vai se assemelhar aos ministrados para os seguranças próprios da companhia.
“A gente vai ter uma efetividade maior da presença destes agentes, principalmente dentro dos trens. O que a gente tem programado para este contrato é uma proximidade maior em relação ao treinamento e ao final eles [vigilantes contratados] vão atuar para auxiliar melhor nosso corpo de segurança” – disse.
No dia 27 de maio deste ano, com base na Lei de Acesso à Informação, o Diário do Transporte mostrou que em 2018, a CPTM apreendeu mais de dois milhões de mercadorias de vendedores ambulantes. O número é 15% maior em relação a 2017.
Ao todo, foram feitas 50,8 mil abordagens em 2018 para a apreensão das mercadorias. O número de retenções foi ligeiramente superior aos 49,2 mil casos registrados em 2017.
Além da questão dos vendedores ilegais, há problemas relacionados à segurança como evasão de tarifa (pessoas que pulam muros e grades para não pagar passagem) e denúncias de venda e consumo de drogas em alguns pontos perto das linhas, já nas faixas de domínio da CPTM.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
