Operadores de transporte encerram greve no Equador

Publicado em: 5 de outubro de 2019

Após dois dias de greve, e ameaças de suspensão dos contratos, paralisação foi encerrada no final da tarde desta sexta-feira, 04, mas protestos seguem no país

ALEXANDRE PELEGI

O presidente da Federação Nacional das Cooperativas Públicas de Transporte de Passageiros do Equador, Abel Gómez, anunciou no final da tarde desta sexta-feira, 04 de outubro de 2019, o fim da greve que paralisava o país desde quinta-feira.

O dirigente decretou o fim do movimento depois de ter entregue suas reivindicações ao governo.

Os sindicatos que decidiram encerrar a paralisação são os de transporte pesado, ônibus e táxis. Gómez afirmou ainda haver uma exigência ao Governo equatoriano de aumentar as tarifas de transporte, a fim de aliviar os custos dos combustíveís após a eliminação dos subsídios.

O ministro dos Transportes, Gabriel Martínez, recomendou às empresas de transporte urbano e interurbano o estabelecimento de tarifas para “um equilíbrio no preço, já que a eliminação do subsídio ao diesel tem impacto na passagem“.

Após o governo do presidente Lenín Moreno firmam um contrato de crédito com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o galão de diesel saltou de US$ 1,03 a 2,27, enquanto a gasolina “extra”, a mais consumida no país, passou de 1,85 a 2,30 dólares.

Apesar do fim da greve, poucos ônibus foram vistos neste sábado nas ruas de Quito.

MOVIMENTOS CONTINUAM NO PAÍS

Apesar da suspensão da greve no setor de transportes, a situação em todo o Equador segue preocupando.

O movimento indígena, sindicatos e estudantes alertaram que as mobilizações não cessarão. Já o presidente da Frente Unitária de Trabalhadores (FUT), Messiah Tatamuez, convocou “trabalhadores rurais e urbanos, estudantes, aposentados, universidades” para participar de uma greve nacional na próxima quarta-feira.

Na mesma linha, o presidente da Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), Jaime Vargas, anunciou uma mobilização aberta em protesto contra as decisões do governo e censurou as prisões de 350 ativistas praticadas desde quinta-feira.

Com os protestos, o prefeito de Quito, Jorge Yunda, revelou que a cidade perde quase 300 milhões de dólares por dia, referentes aos distúrbios, danos, desemprego comercial e falta de exportações de seu aeroporto.

A ONU e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) manifestaram preocupação com os últimos acontecimentos no Equador. Os protestos contra a reforma econômica promovida pelo presidente Lenín Moreno levaram o governo a declarar estado de emergência no País na quinta-feira, 03.

Moreno reiterou ontem que “sob nenhuma circunstância” mudará as decisões tomadas.

Sejamos claros, o subsídio foi eliminado, a vagabundagem acabou e, a partir de agora, estamos construindo o novo Equador que todos ansiamos, com o qual todos sonhamos“, afirmou.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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