Dados de acidentes mostram tragédia do trânsito em plena Semana da Mobilidade

Publicado em: 19 de setembro de 2019

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

No Estado de SP dados do Infosiga apontam que para cada 27 acidentes com vítimas há um caso fatal

ALEXANDRE PELEGI

Na Semana da Mobilidade Urbana, lembrada nesta semana, os dados divulgados sobre acidentes mostram que antes de soluções para a locomoção das pessoas, o aspecto principal continua sendo a violência e o desrespeito às mais comezinhas regras de trânsito.

Ao lado da prioridade conferida ao transporte individual, em um desprezo contínuo do setor público às soluções coletivas, o alto custo social provocado pelos acidentes continua sendo o destaque mórbido da efeméride.

Duas estatísticas divulgadas nesta quinta-feira, 19 de setembro de 2019, corroboram um cenário que se repete há anos.

O Infosiga, banco de dados de acidentes do governo do Estado de SP, aponta que de janeiro a agosto deste ano, em todo o estado de São Paulo, foram registrados 94,3 mil acidentes com vítimas não fatais em vias urbanas e estradas estaduais. Segundo o Infosiga, para cada acidente fatal há 27 ocorrências com feridos.

Apenas em agosto, foram 478 óbitos no trânsito paulista, aumento de 2,8% em relação ao mesmo mês de 2018, com 465 mortes registradas.

Outro levantamento divulgado hoje, desta feita pela CNT – Confederação Nacional do Transporte e relativo apenas às rodovias federais, registra que em todo o ano passado foram registrados 69.206 acidentes, dos quais a maioria – 53.963 dos casos – com vítimas fatais ou não. Do total de vítimas, 5.269 é o número de óbitos.

Para se ter uma ideia da tragédia nas rodovias federais, desde que o levantamento da CNT passou a ser feito em 2007 foram registradas 88.749 mortes.

CAPITAL PAULISTA

Dos dados do Infosiga relativos à cidade de São Paulo, de janeiro a julho os registros apontam:

– 64% dos acidentes com automóveis,

– 54% com motocicletas,

– 16% envolvendo pedestres,

– 7% com ônibus,

– 4% com caminhões; e

– 2% com bicicletas.

Principais tipos:

– colisão contra outro veículo – 56%,

– atropelamento – 17%; e

–  choque contra objetos fixos – 6%.

DADOS DO ESTADO DE SP

Entre janeiro e agosto deste ano os registros do Infosiga apontam cerca de 11,8 mil acidentes com vítimas por mês (94,3 mil em oito meses). Desse total, 79% aconteceram nas cidades do estado, e 39% durante os períodos da noite e madrugada. Metade dos acidentes foram colisões contra outros veículos.

Já os dados para fatalidades do Infosiga SP de agosto apontam aumento de 2,8%, com 478 casos registrados neste ano e 465 em 2018. No acumulado do ano, a redução é de -1,6% (3.549 fatalidades contra 3.607 nos primeiros 8 meses de 2018).

Os números coletados agora apontam aumento no número de vítimas de motociclistas (170 contra 137 no ano passado, +24,1%) e pedestres (128 contra 121, +5,8%). No caso de ocupantes de automóvel, a redução foi de -8,7% (116 contra 127). O índice é praticamente estável para ciclistas (40 óbitos neste ano contra 41 em 2018, -2,4%).

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Olá amigos. Não haverá nenhuma lei (seja as atuais e futuras) que possa deter o comportamento de motociclistas nas vias urbanas de todas as cidades, mesmo com apuro na escola, com ensinamentos teóricos e práticos nas auto-escolas,e fora dela. Se hoje vemos condutores encharcados de álcool, matando famílias, imaginem um motociclista que desempenha uma velocidade tresloucada, onde este usa da buzina pra avisar “olha eu passando, quero a rua, a rua é minha, saí da frente” se acha o dono absoluto das ruas. Isso porque não falei das falhas cotidianas, dos truques para driblar as câmeras, nas placas traseiras como corrente, fitas adesivas (já é uma infração), a falta de capacetes, ou uso deles (muito utilizado em práticas de crimes), o uso de equipamento para assaltos rápidos, agora vem a onda dos Baús falsos,,O resultado final ou é a invalidez precoce, ou a morte.

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