Grande Vitória passa a ter bilhetagem única metropolitana a partir deste domingo, 08

Grande Vitória passa a ter bilhetagem única metropolitana a partir deste domingo, 08
Secretário de Infraestrutura e Mobilidade, Fábio Damasceno, explica as vantagens da unificação dos sistemas

Com o mesmo cartão, passageiros vão poder utilizar os sistemas municipais de Vila Velha e de Vitória, além do Trasnscol, que é metropolitano. A nova tecnologia funciona nos cartões antigos, o que dispensou a necessidade de trocas e filas e postos de recarga

ADAMO BAZANI

A Grande Vitória passa a ter a partir deste domingo, 08 de setembro de 2019, algo que é buscado há muito tempo pelos passageiros dos sistemas metropolitanos de transportes, mas que ainda não é realidade na maior parte do país: uma bilhetagem única de fato que funcione nos ônibus municipais e metropolitanos e que, para sua implantação, não obrigue o usuário a correr em postos das gerenciadoras de transportes para trocar o cartão atual por um novo.

O Diário do Transporte esteve nesta quinta-feira, 05 de setembro de 2019, em Vitória, no Espírito Santo, para acompanhar o modelo que vem sendo implantado desde maio e passa a vigorar de forma integral neste domingo. O passageiro poderá com o mesmo cartão, até mesmo o antigo, usar os ônibus municipais de Vitória e de Vila Velha, além dos metropolitanos do sistema Transcol.

O segredo para a unificação da bilhetagem sem obrigar a troca dos cartões está na migração de tecnologia, de acordo com que explicou ao Diário do Transporte, o secretário de Estado de Mobilidade e Infraestrutura, Fábio Damasceno.

“Nós trocamos a tecnologia do sistema. Pegamos a tecnologia mais nova, as empresas de ônibus compraram todas os mesmos validadores, tanto as metropolitanas como as municipais. As transferências de tecnologias foram feitas dentro dos próprios ônibus. Tiveram dois validadores em cada veículo, o antigo e o novo e os passageiros passavam nos dois. Pronto já estava migrado. Aí pudemos juntar os bancos de dados dos três sistemas: Vitória, Vila Velha e Transcol. O mesmo cartão antigo de um sistema pode com isso ser usado nos outros dois sistemas” – explicou.

Mas quem quiser, pode também fazer o novo CartãoGV. A confecção custa R$ 10,00 (que são convertidos em créditos) e os cartões podem ser adquiridos nos postos de venda do GVBus, nos terminas (com agentes de venda) ou ainda em farmácias da Rede Farmes, após cadastrar o CPF.

No caso de cartões com problema na migração, usuários do Sistema Sanremo que possuem o cartão idoso devem procurar a loja do Terminal de Vila Velha. Quem possui os cartões Popular, Estudante e Vale-Transporte, deve procurar a empresa Sanremo no bairro Alvorada.

Bilhetagem passa a ser aceita em diferentes sistemas de ônibus. Foto: Adamo Bazani

O diretor-presidente da Ceturb-GV/Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória, Raphael Trés Da Hora, responsável pelo gerenciamento do sistema metropolitano, contou ao Diário do Transporte que o sistema Transcol completou 30 anos integrando cidades da Grande Vitória e que a evolução tecnológica era uma necessidade dos passageiros.

“Era uma demanda do cliente do transporte. É mais um marco na Transcol que sempre foi vanguardista. Essa tecnologia integrada facilita o dia a dia das pessoas. É mais praticidade e acesso aos sistemas de transportes públicos” – relatou.

O membro do Comitê-Executivo do GVBus, sindicato que reúne as empresas de transporte metropolitano da Grande Vitória, Murilo Soares de Andrade Lara, explicou que foram necessários entendimentos entre empresários, Estado e municípios. Segundo Murilo, a mudança é o primeiro passo para o fim dos sistemas municipais de ônibus com o fortalecimento de um sistema metropolitano único.

“Esta bilhetagem unificada só possível pelo entendimento entre todas as partes envolvidas. Os empresários do sistema municipal de Vitória são os mesmos do Transcol. Mesmo assim, o sistema Transcol, que é mais eficiente que os municipais, acabou concorrendo muito com os sistemas municipais de Vitória e Vila Velha, o que tornava estes dois inviáveis. Fazia muito mais sentido para todos os empresários que isso fosse integrado, mas principalmente é um ganho enorme para o passageiro. Futuramente será um sistema só, não existirão mais os municipais. O cartão único metropolitano é o início disso. Para o passageiro facilita muito, não precisa ter vários cartões mais. Foi um acordo de várias mãos com os empresários do Transcol e Vitória, com de Vila Velha, com governo estadual e prefeituras” – explicou.

Um dos grandes entraves alegados por empresários e gestores públicos para uma integração de bilhetagem entre ônibus metropolitanos e municipais são as diferenças de tarifas entre os sistemas, o que poderia gerar desentendimentos em compensações tarifárias entre as diferentes partes

O diretor de marketing e mercado da TACOM, empresa responsável pela tecnologia, Marco Antônio Tonussi Rodrigues, disse que esta questão não pode ser vista como entrave. A tecnologia permite a diferenciação de regimes tarifários.

“É possível identificar cada tipo de tarifa e regras de integração diferentes ser for o caso, tudo com o mesmo cartão. Pode continuar havendo controles tarifários diferentes e valores em cada município. O cartão é único, mas pode guardar tarifas diferentes. As regras tarifárias ficam em cada validador dos ônibus e os bancos de dados e dinheiro nos cartões. O sistema possui várias matrizes de integração gravadas no cartão, como se fossem tabelas com as regras tarifárias. O validador identifica essas matrizes e faz o desconto correspondente.” – explicou.

De acordo com o secretário Fábio Damasceno, o objetivo do governo do estado é criar uma integração tarifária entre ônibus e com outros modais em 2020.

O evento de apresentação do sistema teve a palestra do especialista em Marketing de Transportes e Mobilidade Urbana, Roberto Sganzerla, com o tema “O futuro está na Mobilidade Humana”.

Sganzerla disse que o setor deve pensar não apenas na mobilidade urbana, como planejamento de linhas e dimensionamento de frotas, mas na mobilidade humana, ou seja, entender a “jornada” das pessoas nas cidades.

“As pessoas devem estar no centro dos transportes. Hoje são muitas opções, o ônibus e o trem vão continuar estruturantes, mas não basta apenas oferecer um serviço de transporte e pronto. É necessário pensar nas pessoas antes mesmo de iniciarem a viagem. Uma inovação de bilhetagem como esta vai neste sentido. O transporte já era oferecido. Mas as pessoas querem hoje um atendimento maior que o simples fato de serem transportadas”.

O GVBus acredita que mudanças como na bilhetagem e outras medias, como a ampliação da velocidade comercial dos ônibus, podem ajudar a trazer de volta os passageiros ao transporte público.

O representante das empresas Murilo Soares de Andrade Lara disse que nos últimos quatro anos, a queda no número de passageiros foi de 18%

Sobre a velocidade comercial, o secretário Fábio Damasceno disse ainda neste ano, Vitória deve ter a implantação de faixas exclusivas ou preferenciais para ônibus.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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