BRT do Rio elege como diretor ex-executivo da Camargo Corrêa

Luiz Carlos Martins integrou acordo de leniência da construtora nas investigações da Lava-Jato. Consórcio nega que ele tenha sido delator

ADAMO BAZANI / JESSICA MARQUES

O ex-executivo da construtora Camargo Corrêa, Luiz Carlos Martins, foi eleito presidente do BRT Rio, consórcio que reúne as empresas que operam o sistema de corredores da capital fluminense.

Martins participou do acordo de leniência da construtora na Operação Lava Jato e admitiu em depoimentos à Justiça Federal pagamentos de propinas a integrantes do alto escalão de partidos como o MDB e o PT.

Em junho de 2016, por exemplo, Martins apontou o pagamento de R$ 21 milhões em propina direcionado ao PT e ao PMDB sobre as obras da Usina de Belo Monte, em Altamira, no Pará.

Em nota ao Diário do Transporte, o BRT Rio informou que a decisão foi tomada após diversas análises e buscas no mercado corporativo. Ao todo, foram selecionados três nomes, dentre os quais o de Luiz Carlos, que foi escolhido pelo conselho da empresa.

Sua vivência em implantação de projetos de infraestrutura e Sociedades de Propósito Específico, como a que será criada em breve para substituir o consórcio, foi determinante para a escolha”, informou o BRT Rio, em nota.

Vamos olhar para frente, sempre abertos ao diálogo com poder público e organizações técnicas e científicas de mobilidade urbana. Há muitos desafios para evoluirmos no que já foi construído, devolver aos passageiros o serviço que já foi referência de qualidade em todo o mundo e avançar na busca de uma cidade mais integrada”, disse Luiz Carlos Martins, também em nota.

Sobre o vínculo com a Lava-Jato, o consórcio BRT Rio frisou que o executivo não foi delator no processo, mas integrou um acordo de leniência.

Entendemos que acordos na Justiça são muitas vezes confundidos, mas é importante conhecer as diferenças. Luiz Carlos não foi delator no processo conhecido como Lava-Jato. Ele integrou o acordo de leniência da empresa do qual fazia parte à época da denúncia, colaborou com esclarecimentos dos fatos e não responde a nenhum processo. Para que fique claro e não haja erro, a delação premiada é feita exclusivamente por pessoas físicas, que podem ser responsabilizadas criminalmente pelos seus atos. Já o acordo de leniência se dá no âmbito administrativo, e é feito entre empresas ou pessoas físicas vinculadas a elas e órgãos administrativos de controle e fiscalização ligados ao Poder Executivo”, explicou, em nota.

É importante ressaltar também que o BRT tem em seu DNA corporativo a busca por transparência em seus processos, além de mecanismos modernos e eficazes de controle interno. Com auxílio de especialistas externos e auditoria, já temos avanços previstos em nosso programa de compliance ainda para esse ano. Nosso objetivo sempre foi, e continuará sendo, um ambiente de negócios ético, transparente, onde o propósito final é a garantia de um transporte de qualidade para a população do Rio de Janeiro”, finalizou o consórcio, também em nota.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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