Andar de bicicleta ajuda motorista de ônibus a se colocar no lugar de ciclistas no trânsito

Motorista da linha 7006-10 – Jd. Horizonte Azul – Metrô Capão Redondo vai trabalhar de bicicleta. Foto: Divulgação / Transwolff.

Rosinaldo Pereira de Lima conta que reduz a velocidade ao avistar uma bicicleta

JESSICA MARQUES

O trânsito muitas vezes se torna um local violento, em que pedestres e ciclistas tornam-se vítimas de automóveis. A pressa e a falta de infraestrutura criam cenários para acidentes.

Em meio a esta realidade, o hábito de andar de bicicleta ajuda o motorista de ônibus Rosinaldo Pereira de Lima a se colocar no lugar dos ciclistas ao dirigir diariamente. A história informada pelo motorista em celebração ao Dia do Ciclista, nesta segunda-feira, 19 de agosto de 2019.

O profissional, que trabalha na Transwolff, empresa de ônibus que opera no subsistema local da capital paulista, pedala cerca de quatro quilômetros até a garagem, que fica na Capela do Socorro, na Zona Sul de São Paulo.

Motorista da linha 7006-10 – Jd. Horizonte Azul – Metrô Capão Redondo, Lima sai de casa às 2h30 todos os dias. Para chegar ao trabalho, apenas um trecho do trajeto tem ciclovia, outra parte do caminho ele tem que dividir com os carros.

“Amo dirigir ônibus e a bicicleta é a minha paixão. Sou ciclista há oito anos. Me preocupo com o ciclista, inclusive quando estou dirigindo e vejo um já diminuo a velocidade. Acredito que o motorista deve respeitar o ciclista, afinal é uma vida que está ali”, disse Rosinaldo.

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Rosinaldo Pereira de Lima, 53 anos. Foto: Divulgação.

Além de usar bicicleta para trabalhar, o motorista de ônibus pedala no Parque Villa Lobos e outros quando está de folga. Até mesmo a Avenida Paulista é um lugar ideal para que ele exercite este hobby.

“Me sinto como um jovem de 30 anos. Depois que comecei a pedalar me sinto mais disposto, além de ser um esporte que gosto, ajuda a manter a forma física”, brincou.

A experiência de pedalar todos os dias há oito anos o fez ter ainda mais consciência de que o motorista também tem responsabilidade sobre a vida do ciclista.

Neste caso, porém, o motorista de ônibus é responsável por vidas dentro e fora do veículo, portanto a atenção deve ser redobrada.

“Tenho o prazer de transportar o passageiro. A gente tem de gostar do que a gente faz. Trabalho com amor e com muito respeito ao passageiro”, contou Rosinaldo.

QUEDA NO NÚMERO DE MORTES DE CICLISTAS POR ACIDENTE

Pensamentos como este contribuíram para a redução no número de ciclistas que foram vítimas fatais no Estado de São Paulo no primeiro semestre deste ano.

É o que mostram os dados do Infosiga SP, sistema de dados do Governo de São Paulo sobre acidentes de trânsito, divulgados em julho deste ano.

O número de ciclistas mortos no trânsito teve leve redução (-3,4%) no primeiro semestre com 197 casos neste ano contra 204 no mesmo período do ano passado, isso em todo o estado.

Os acidentes estão concentrados em vias municipais (59,9%) e vitimam principalmente homens (92%). O principal tipo de acidente é a colisão contra outros veículos (72% dos casos) e o automóvel está presente em 51,4% das ocorrências.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2019/07/24/com-quase-5-mortes-por-dia-regiao-metropolitana-de-sp-lidera-o-ranking-de-fatalidades-no-transito-no-1o-semestre-de-2019/

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Olá amigos,
    DIANTE DA DESCULTURA HUMANA NACIONAL, é comum vermos pessoas se colocando em meio ao perigo, inconscientemente. Vejam a bicicleta aquela que quando criança, nossos pais nos ensinavam , mas sem nenhum equipamento de segurança, assim como também o preservativo, que todos sabem que protege, mas não usam. Assim será nos dias que vem por ai muitas mortes, invalidez, pela insanidade das pessoas, não pararem pra pensar em que beco está se metendo, A cidade é dura, ela te dá o que vc merece…A Moto é o Top dos erros humano, tanto São Paulo, como Macapá, Manaus, Palmas, qualquer lugar do país…

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