SPTrans nega que veículos que vão para leilão como sucata sejam ônibus históricos para restauração. Pesquisadores contestam

Publicado em: 13 de agosto de 2019

Ônibus Amélia, uma das peças que serão leiloadas. Foto: Reprodução Sodré Santoro/Clique para Ampliar

Devem ser leiloados 22 coletivos. Segundo gerenciadora de transportes, modelos históricos estão assegurados, mas imagens de modelos são coincidentes

ADAMO BAZANI

A SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora do sistema de ônibus na capital paulista, negou que modelos que serão leiloados como sucata sejam veículos que estavam na reserva para restauração histórica para, posteriormente, ser levados ao acervo do Museu do Transporte Público.

O leilão deve ocorrer no dia 27 de agosto de 2019 pela empresa Sodré Santoro.

São ao todo 22 veículos entre unidades do Tutto Marcopolo Eletra- híbrido (2003/2004); Monobloco Mercedes-Benz O-364 (1985), (1985/1986), Monobloco Mercedes-Benz O-365 (1987) – (1989/1990); Mafersa Diesel M-210 (1990); Caio Amélia (1981), Caio Amélia L 1313 (1986/1987); Monobloco O-371 (1989/1990), entre outros.

No fim de semana, no aplicativo WhatssApp as informações sobre o leilão de ônibus que seriam restaurados preocupou grupos de defesa da preservação de memória dos transportes.

Em nota, como resposta à solicitação do Diário do Transporte, a SPTrans diz ainda que espera que sejam dados apenas os lances mínimos pelos veículos.

A SPTrans informa que os 22 lotes destinados ao leilão são de ônibus sucateados, remanescentes da antiga  Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC)  e não fazem parte dos veículos que passarão por restauração. A expectativa é de que os lotes sejam vendidos pelo lance mínimo.

Entretanto, imagens de pesquisadores em transportes mostram veículos coincidentes entre os que estavam para ser restaurados e os que serão vendidos como sucata.

O pesquisador de transportes, Juverci de Melo, diz, entretanto, que há veículos que estavam separados para restauração, num galpão no Complexo Santa Rita, e que constam na relação dos ônibus a serem leiloados. Um exemplo é o modelo Mafersa. “É o único Mafersa a Diesel que restou”– disse

Ônibus Mafersa com a inscrição de reserva para museu. Foto: Samuel Tuzi

Veículo no lote para leilão

No dia 30 de junho, em encontro com grupos de preservação de memória dos transportes para aperfeiçoar o conteúdo do hotsite do Museu Virtual da gerenciadora, o presidente da SPTrans, Paulo Cézar Shingai, disse que, apesar de limitações orçamentárias, estão nos planos da empresa a reforma do Museu dos Transportes Públicos Gaetano Ferolla, na zona Norte, que reúne veículos antigos e diversos materiais relacionados ao sistema da capital paulista e também a restauração de ônibus que pertencem ao município e que estão guardados em galpões do complexo Santa Rita, um dos maiores e mais importantes espaços de gestão, manutenção, operação e até produção de ônibus e trólebus da CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos, empresa pública da cidade que foi extinta em 1995, sendo substituída neste ano pela SPTrans.

Em 2017, o Diário do Transporte esteve no complexo Santa Rita e encontrou verdadeiras raridades: trólebus de diversas gerações montados ou reformados pela CMTC, como Grassi Villares, Mafersa, Marcopolo, ônibus a diesel e o primeiro ônibus híbrido com guias laterais, desenvolvidos para o hoje Expresso Tiradentes, que rodou poucos quilômetros no então Fura-Fila.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/08/20/garagem-cmtc-santa-rita-um-marco-da-historia-dos-transportes-que-guarda-preciosidades/

No caso dos ônibus que estão no pátio Santa Rita, a ideia é fazer com que os não somente veículos fiquem guardados, mas que alguns deles possam ser usados em eventos na cidade.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/06/30/sptrans-vai-intensificar-acoes-para-preservacao-da-memoria-do-transporte-coletivo-em-sao-paulo/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Eduardo Belopede disse:

    O Caio Amélia de prefixo 2000 é o primeiro onibus (MB OF-1313 alongado) de um lote de 20 unidades adquiridas com motor dianteiro e equipado com plataforma elevatoria para PCD.
    Antes dele, somente o MB O-364 de prefixo 4572 (1986), segundo onibus com elevador construido e adaptado nas oficinas da CMTC.
    O primeiro era um LPO-1113 de prefixo 594 adaptado em 1980/1981.

  2. vagligeiro disse:

    Sei que é difícil, mas sugeriria aos entusiastas que neste caso tomassem iniciativas por conta própria para negociar os veículos para coleções particulares, com opção futura de reaquisição pelos poderes públicos se necessário ou optativo.

    Tipo: ao invés de leiloar como sucata, os veículos que tiverem valor histórico seriam leiloados como algo litigioso – a documentação futura dada dependerá da ação do adquirente.

    Se o adquirente não conseguir recuperar o veículo a nível histórico, poderá repassar a quaisquer outro membro de clube, equipe ou serviço estatal de preservação, desde que com intuito de preservação e manutenção histórica, porém com habilitação do veículo para operação em ruas (“placa preta”).

    Em último caso, se não conseguir a recuperação do veículo, a documentação para habilitação do veículo não será dada, assim reduzindo o veículo a apenas objeto que pode ser recuperado apenas para manutenção fixa em museu ou até mesmo reposição de peças.

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