SPTrans vai intensificar ações para preservação da memória do transporte coletivo em São Paulo

Museu dos Transportes Públicos Gaetano Ferolla guarda exemplares de ônibus, bondes, carros, máquinas, ferramentas, fotos, bilhetes, e moedas que marcaram diferentes épocas dos transportes da capital paulista. Espaço, entretanto, precisa de melhorias. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) – Clique para Ampliar

Especialistas se reuniram e, com pesquisas e conhecimento adquiridos pela vivência, ajudaram gestora a catalogar fotos do Museu Virtual. Restauração de ônibus antigos e reforma do Museu dos Transportes Públicos Gaetano Ferolla, na Zona Norte, estão nos planos.

ADAMO BAZANI

Pela memória do transporte coletivo é possível contar a história das cidades, do desenvolvimento regional, nacional e até mesmo relembrar fatos pessoais.

Se um único ônibus pode transportar muitas recordações, imagine o que ocorre todo o dia numa cidade que tem mais de 14 mil coletivos que movem 9,5 milhões de vidas? São diversas histórias pessoais que somadas, ao longo das décadas, resultaram na construção de uma verdadeira metrópole: São Paulo.

Ocorre que com o passar do tempo, muita coisa se perdeu.

Para resgatar a memória e fazer um tributo à contribuição que o transporte público deu para a formação da cidade, a SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora do sistema de ônibus da cidade, projeta deu início a algumas ações.

Estão nos planos a reforma do Museu dos Transportes Públicos Gaetano Ferolla, na zona Norte, que reúne veículos antigos e diversos materiais relacionados ao sistema da capital paulista e a restauração de ônibus que pertencem ao município e que estão guardados em galpões do complexo Santa Rita, um dos maiores e mais importantes espaços de gestão, manutenção, operação e até produção de ônibus e trólebus da CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos, empresa pública da cidade que foi extinta em 1995, sendo substituída neste ano pela SPTrans.

Em 2017, o Diário do Transporte esteve no complexo Santa Rita e encontrou verdadeiras raridades: trólebus de diversas gerações montados ou reformados pela CMTC, como Grassi Villares, Mafersa, Marcopolo, ônibus a diesel e o primeiro ônibus híbrido com guias laterais, desenvolvidos para o hoje Expresso Tiradentes, que rodou poucos quilômetros no então Fura-Fila.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/08/20/garagem-cmtc-santa-rita-um-marco-da-historia-dos-transportes-que-guarda-preciosidades/

De acordo com o presidente da SPTrans, Paulo Cézar Shingai, há ainda limitações de orçamento. Por exemplo, as melhorias no Museu Gaetano Ferolla devem começar de forma modesta.

No caso dos ônibus que estão do pátio Santa Rita, a ideia é fazer com que os não somente veículos fiquem guardados, mas que alguns deles possam ser usados em eventos na cidade.

“Tudo vai ser feito aos poucos, mas vamos fazer. Esses ônibus restaurados podem ser museus itinerantes, irem a eventos, em terminais. Para a população ter acesso mesmo. A história chegar às pessoas.”  – disse Shingai que atua há 35 anos nos transportes da cidade, começando na CMTC e que se declarou um “apaixonado pelo setor de transportes”.

Ouça:

Presidente da SPTrans, Paulo Cézar Shingai, em apresentação sobre Museu Virtual do Transporte de São Paulo

Passando a indefinição jurídica sobre a licitação dos transportes (a prefeitura de São Paulo espera análise pelo TJ de seu recurso contra a decisão que julgou irregular o prazo de 20 anos dos contratos com as viações), Shingai acredita que as empresas de ônibus que atuam na cidade podem também ajudar na reforma destes veículos.

A ideia da SPTrans é que este resgate da história dos transportes da cidade seja feito por diversas mãos e não somente pelos funcionários da prefeitura.

Neste sábado, 29 de junho de 2019, no museu Gaetano Ferolla, a gerenciadora reuniu admiradores, entusiastas e memorialistas de transportes que, com seus conhecimentos por pesquisas e vivência, agregaram informações às fotos que integram o Museu Virtual do Transporte, um portal especial na internet que possui até o momento em torno de 400 imagens fotográficas de diversos momentos da mobilidade da cidade: http://sptrans.com.br/museu-virtual

Pesquisadores da história dos transportes atentos a cada foto para ampliarem informações sobre as imagens de diversas épocas da cidade de São Paulo.

De acordo com a assessora de marketing da SPTrans, Cilene Cabral, a contribuição dos admiradores e estudiosos dos transportes é importante porque eles reúnem técnica e paixão nas informações.

A cada foto que era exibida no telão, os especialistas interagiam com entusiasmo e para cada ônibus que aparecia, tinham a história das linhas, dos lugares, datas e as nomenclaturas de chassis e carrocerias na ponta da língua.

Há mais planos para o Museu Virtual ao longo do tempo, como incluir as primeiras edições do Jornal do Ônibus, um informativo aos passageiros que é afixado dentro dos coletivos há décadas, com notícias sobre mudanças de linhas, tarifas, bilhetes e gerais sobre o sistema.

MUSEU DOS TRANSPORTES PÚBLICOS:

Museu dos Transportes Públicos Gaetano Ferolla guarda exemplares de ônibus, bondes, carros, máquinas, ferramentas, fotos, bilhetes, e moedas que marcaram diferentes épocas dos transportes da capital paulista. Espaço, entretanto, precisa de melhorias. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) – Clique para Ampliar

O Museu dos Transportes Públicos foi criado por iniciativa do ex-funcionário da CMTC, Gaetano Ferolla, e reúne veículos raríssimos como a réplica do primeiro bonde a circular no Brasil – no Rio de Janeiro, em 1859, e em São Paulo, em 1872, o primeiro modelo original de trólebus que operou em São Paulo em 1949, o primeiro trólebus original de fabricação nacional, produzido em 1960 pela Grassi/Villares, e o famoso Fofão, ônibus de dois andares vermelho, uma tentativa do então prefeito de São Paulo Jânio Quadros no fim dos anos de 1980 de deixar o sistema de transportes da capital paulista igual ao de Londres.

O museu também possui fotografias, cartazes publicitários, as primeiras carteiras de habilitação da história da cidade, que autorizavam cocheiros, barqueiros, motorneiros e, finalmente, motoristas a guiar os vários tipos de veículo; bilhetes, catracas, moedas, uniformes, móveis, ferramentas, livros, revistas e miniaturas.

A entrada é gratuita de terça a domingo, das 9h às 17h. Grupos escolares podem agendar visitas com monitores que explicam a história dos transportes na cidade de São Paulo pelo telefone: (11) 3315-8884.

Bonde de Tração Animal. Modelos circularam em São Paulo entre 1892 e 1900.

Bonde prefixo 1, da CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos, empresa pública criada em 1946. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) – Clique para Ampliar

Bonde com as laterais fechadas “Camarão. Segundo indicação do museu, modelo circulou em São Paulo entre 05 de maio de 1927 e 27 e março de 1968. O apelido Camarão era por causa da cor vermelha. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) – Clique para Ampliar

Bonde fechado apelidado pela população de Gilda, por ser luxuoso à época para o transporte coletivo, logo os passageiros ligaram o veículo ao filme Gilda, estrelado por Rita Hayworth. Circularam do final dos anos de 1940 até 25 de janeiro de 1967. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) – Clique para Ampliar

Trólebus ACF – Brill (ACF- American Car and Foundry), fabricados entre 1946 e 1948, os veículos circularam pelo sistema de Denver, nos Estados Unidos por cerca de 10 anos. Em 1957, foram importados pela CMTC usados e circularam até o final dos anos 1990 na cidade de São Paulo. Assim, estes trólebus operaram por quase 50 anos em toda sua vida útil

Trólebus construído comercialmente pelo Consórcio Grassi-Villares a partir de 1960. Protótipo foi apesentado no Rio de Janeiro em 1958 ao então presidente Juscelino Kubitschek. Modelo tinha 85% de índice de nacionalização. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) – Clique para Ampliar

Ônibus de dois andares da época do prefeito Jânio Quadros que, após viagem a Londres, se encantou com os modelos ingleses e, entre 1986 e 1988 quis fazer igual em São Paulo. Ao lado, fusquinha da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) – Clique para Ampliar

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

3 comentários em SPTrans vai intensificar ações para preservação da memória do transporte coletivo em São Paulo

  1. Amigos, bom dia.

    Sem dúvida, iniciativa louvável e fantástica.

    Todos os buzões e bondes saõ lindos; mas o Monobloco O 362 executivo, na minha opinião é um charme a parte, pois o modelo é lindo, as cores muiiiiiito bem combinadas, sem contar as poltronas na cor azul petróleo.

    Aproveito a oportunidade para pedir a todos se alguém tem uma foto (preferencialmente colorida) de um Monobloco – Super B p O 321 da Viação Gato Preto, mas com um logotipo na lateral “parecido” com o planeta saturno.

    Torço para que alguém possua esta joia e possa me indicar o link ou postar aqui no Diário do Transporte.

    Quem dera a fiscalizadora fosse tão boa na operação quanto no marketing.

    Quarta feira utilizei a linha Jaraguá Jaguaré e quando chegou no pé da ponte do Jaguaré simplesmente o cobrador pediu para eu descer dizendo simplesmente que o buzão não ia até o Jaguaré.

    E o passageiro que se exploda.

    Tomei um Parque Continental da Gato e no pé da ponte da Cidade Universitária (em desvio) o piloto disse que parou parou para embarque em consideração ao passageiro, mas que a ordem é para não parar naquele ponto.

    Por conta do relaxo da PMSP e de sua subprefeitura deixaram ocorrer a tragédia anunciada (como a da ponte da CPTM e dos “edifícios” da pista lateral da Marginal Pinheiros sentido cebolão ponte do Jaguaré; e ai vem a fiscalizador e dá uma ordem operacional escrota desta.

    Afinal por causa desse desvio, todos os passageiros estão perdidos e nesta exceção o buzão em desvio tem é de parar em qualquer lugar para ajudar o passageiro; quiça num ponto.

    Outra coisa que me deixou perplexo foi que o buzão da Gato 8 2363 já está com os amortecedores vencidos.

    Quando que no tempo do Sr. Luiz Gatti ocorreria tal relaxo.

    Nem fiscalizar a fiscalizadora fiscaliza mais.

    É isso ai.

    ACELERA SAMPA.

    MUDA BARSIL, OU AFUNDA (se é que já não afundou)

    Att,

    Paulo Gil

  2. SENSACIONAL
    Havia vários pesquisadores, inclusive eu, e todos contribuíram com informações para melhoria técnica do Museu Virtual.
    Depois visitamos o ônibus elétrico que entrará em operação em São Paulo.
    Mario Custódio

  3. pra começar deviam era mudar de local ai não be quase nada pq não levam esse museu para o ibirapuera ou pq vila lobos ???

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