Sindmotoristas deve se reunir com Bruno Covas e greve de ônibus em São Paulo para esta semana está descartada

Publicado em: 13 de agosto de 2019

Ônibus na capital paulista. Finanças são desafios para Bruno Covas. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) – Clique para Ampliar

Sindicato diz que quer debater como reduzir os custos do sistema e garantir o pagamento da PLR, além da manutenção dos empregos. Entidade sindical vai propor a redução das “gorduras” da SPTrans

ADAMO BAZANI

O Sindmotoristas, que representa os trabalhadores do setor de transportes por ônibus na cidade de São Paulo, deve se reunir na próxima semana com o prefeito Bruno Covas para debater como reduzir os custos do sistema e garantir o pagamento da PLR – Participação nos Lucros e Resultados, além da manutenção de empregos. Uma eventual greve nesta semana diante da não assinatura da Convenção Coletiva pelas empresas de ônibus está descarta momentaneamente.

A informação é do secretário-geral da entidade, Francisco Xavier da Silva Filho, o Chiquinho, em entrevista ao Diário do Transporte na tarde desta terça-feira, 13 de agosto de 2019, logo após plenária entre os diretores do sindicato nesta terça-feira.

“Na semana que vem, possivelmente, está pré-agendada uma reunião com o prefeito Bruno Covas para que o sindicato profissional possa discutir com o setor empresarial e poder público a evolução da transformação de um novo modelo de transporte. O que não podemos aceitar é que simplesmente a prefeitura dê baixa nos ônibus da cidade, prejudicando a população, tirando os ônibus de circulação, tirando o instrumento do trabalhador, que é o ônibus, deixando ocioso dentro da garagem. O sindicato começa a ficar preocupado sobre onde as empresas colocarão estes trabalhadores”- disse

O Diário do Transporte noticiou que a gestão Bruno Covas planejava tirar de circulação 260 ônibus neste mês para adequar o sistema aos parâmetros previstos na licitação, cujos novos contratos dependem de uma decisão judicial sobre o prazo de 20 anos de contratos.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/07/25/especial-gestao-bruno-covas-pode-tirar-260-onibus-de-circulacao-de-sao-paulo-em-agosto/

Chiquinho disse que já houve redução dos ônibus em circulação na cidade e que mais coletivos podem ser retirados do sistema nas próximas semanas, o que o Sindicato quer impedir.

“Já desativaram alguns carros do sistema, tem previsão agora para o dia 15 uma nova redução de frota, e até os meses de setembro e outubro, em torno de 500 carros estarão fora de circulação. A população vai ser penalizada”  – disse.

PLR:

Como mostrou o Diário do Transporte, as empresas de ônibus querem rever a forma de pagamento da PLR – Participação nos Lucros e Resultados. A convenção coletiva 2019-2020 não foi assinada pelos empresários nesta segunda-feira, 12, como estava previsto.

O SPUrbanuss, sindicato que reúne as companhias dos subsistemas estrutural e de articulação regional, por meio de nota ao Diário do Transporte informou que o pagamento “está combinado apenas para o próximo dia 05 de setembro. Porém, em razão de eventuais dificuldades financeiras neste segundo semestre, as empresas estão pleiteando com o Sindicato dos trabalhadores um possível parcelamento desse pagamento”

Chiquinho disse que ainda não pode ser considerado um atraso no pagamento, mas diante da sinalização das empresas, o sindicato quis se antecipar nas discussões. Segundo o sindicalista, a entidade pretende que o dia 05 de setembro, conforme consta na Convenção Coletiva, seja mantido para pagamento da PLR.

As finanças dos transportes na cidade de São Paulo têm gerado incertezas quanto à manutenção do sistema.

Uma das sugestões do Sindmotoristas, segundo Chiquinho, é enxugar a “máquina da SPTrans”- São Paulo Transporte, gerenciadora do sistema de ônibus.

“Existem outros mecanismos para se resolver os problemas do transporte, principalmente no que se refere à SPTrans, que hoje tem um custo anual de R$ 404 milhões, o sindicato entende que este custo não é necessário. Tem de fazer uma reformulação [na SPTrans], nós não vemos a necessidade de uma gerenciadora que gaste um valor absurdo desse. Por exemplo, a SPTrans aluga vans para apenas dois funcionários trabalharem” – disse.

Ouça na íntegra:

A gestão Bruno Covas tenta de diversas formas diminuir os custos de prestação de serviços.

Uma das alternativas foi tentar reduzir o número de embarques pelo Vale-Transporte de quatro para dois por sentido de viagem. Entretanto, a medida foi barrada pela juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9ª Vara da Fazenda Pública, em 27 de maio de 2019, que atenção ação movida pelo Idec – Instituto de Defesa do Consumidor e pela Defensoria Pública de São Paulo.  A gestão quis ainda cobrar R$ 4,57 do empregador pelo vale do funcionário, mas a magistrada determinou que a tarifa seja a mesma aplicada aos demais passageiros: R$4,30.

Outra tentativa é a redução de frota, antecipando a transição prevista pela licitação dos transportes com a reorganização das linhas, o que ainda não ocorreu plenamente devido os impactos na qualidade dos serviços e das necessidades de mais estudos.

A conta do sistema não está fechando e a prefeitura tem fechado os últimos anos com dívidas para com as empresas de ônibus pelo fato de não conseguir todos os recursos para cobrir os subsídios que crescem anualmente.

Em 2018 foram pagos R$ 302 milhões relativos a 2017.

Somente neste ano, a prefeitura está pagando de forma parcelada R$ 174 milhões (R$ 174.202.733,59) referentes aos repasses não realizados às viações pela operação entre os dias 05 de 12 de dezembro do ano passado.

O dinheiro está saindo das verbas de subsídios previstas para 2019 que não devem durar até o fim do ano.

O sistema custa R$ 8 bilhões por ano, mas as tarifas arrecadam R$ 5 milhões, sendo necessários em torno de R$ 3 bilhões de subsídios. A prefeitura propôs no ano passado no Orçamento para 2019, R$ 2,9 bilhões para os subsídios, mas a Câmara autorizou R$ 2,69 bilhões.

Como mostrou o Diário do Transporte em 15 de julho, o conselheiro do TCM – Tribunal de Contas do Município de São Paulo, Maurício Faria, relator da análise do exercício financeiro da cidade referente a 2018, concluiu que o crescimento dos valores dos subsídios representa um dos principais riscos aos cofres públicos da capital paulista.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/07/15/tcm-aprova-contas-de-bruno-covas-e-doria-mas-aponta-subsidios-ao-sistema-de-onibus-como-risco-fiscal/

Os subsídios ao sistema de ônibus ocorrem porque a arrecadação nas catracas é insuficiente para arcar com os custos de prestações de serviços.

As complementações tarifárias são usadas principalmente para pagar as gratuidades (como para idosos, estudantes, pessoas com deficiência e algumas categorias profissionais) e também para bancar as integrações pelo Bilhete Único.

Os subsídios começaram a aumentar a partir de 2013/2014, quando, após as manifestações contra as tarifas, a prefeitura decidiu ampliar as gratuidades.

No dia 17 de dezembro de 2013, o então prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, aprovou projeto de lei da Câmara que garante gratuidade para passageiros com 60 anos de idade ou mais nos ônibus municipais. O benefício entrou em vigor no primeiro trimestre de 2014.

Até então, o benefício seguia o estatuto do idoso que garante gratuidade para os passageiros a partir de 65 anos.

No dia 26 de dezembro de 2014, Fernando Haddad anunciou o passe livre para estudantes de escolas públicas e para universitários do Prouni, Fies e cotistas. Até então todos os estudantes contavam com o benefício de meia tarifa. A medida entrou em vigor em 6 de janeiro de 2015.

Desde então, os subsídios em São Paulo mais que dobraram, de acordo com o TCM:

Subsídios aos transportes na cidade de São Paulo:

– 2012: R$ 1,41 bilhão

– 2013: R$ 1,64 bilhão

– 2014: R$ 2,15 bilhões

– 2015: R$ 2,13 bilhões

– 2016: R$ 2,62 bilhões

– 2017: R$ 2,92 bilhões

– 2018: R$ 3,3 bilhões

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Carlos A. disse:

    PLR = Participação nos Lucros e Resultados eis a reivindicação do sindicato. Mais corporativismo que isso, impossível. Sindicatos = atraso

  2. Alfredo disse:

    As empresas ganham milhões, e se nenhuma delas quis sair do sistema, é porque o negócio é muito bom, o sindicato negociou a PLR e os empresários aceitaram, portanto, pagar é uma obrigação e não um favor,quem não trabalha no sistema, não sabe o que passamos, por favor, respeite

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