Bruno Covas retira mais R$ 5 milhões que seriam destinados para corredores de ônibus

Malha de corredores de ônibus em São Paulo deveria ser de 600 km de acordo com estudo. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) - Clique para Ampliar

Valor faz parte de um remanejamento cujos maiores beneficiados serão projetos de Transporte e Mobilidade oriundos de recursos de desestatizações e parcerias

ADAMO BAZANI

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, remanejou R$ 5 milhões que seriam destinados para a construção de corredores de ônibus na cidade.

O valor faz parte de uma transferência de recursos cujo total é de R$ 186,3 milhões (R$ 186.399.647,42).

Os projetos de transporte e mobilidade oriundos de recursos de desestatizações e parcerias serão os maiores beneficiados com esta abertura de crédito adicional: R$ 97,1 milhões (R$ 97.169.807,93), entre “outros serviços de terceiros – pessoa jurídica” com R$ 84,5 milhões (R$ 84.557.892,80); “obras e instalações” com R$ 12,6 milhões (R$ 12.600.000,00) e “indenizações e restituições” R$ 11,9 mil (R$ 11.915,13).

A publicação oficial do último sábado, 10 de agosto de 2019, não especifica quais são estes projetos.

A ampliação da rede de corredores de ônibus está empacada na cidade desde 2013. A gestão Fernando Haddad tentou licitar de uma só vez quase 150 km, mas o processo foi bloqueado pelo TCM – Tribunal de Contas do Município que apontou supostas irregularidades no modelo de lotes da licitação. O TCU – Tribunal de Contas da União também barrou a licitação de alguns corredores, como da Radial Leste e Aricanduva, por apontar suposta prática de sobrepreço. A análise do TCU ocorreu porque estes corredores contariam com recursos federais.

Como mostrou o Diário do Transporte, o prefeito Bruno Covas reduziu a meta de 72 km de construção de novos corredores de ônibus para 9,3 km até o fim da gestão, em dezembro de 2020. Até agora, desde o início do mandato em 2017, de João Doria que deixou o cargo para as eleições para governador e foi sucedido por Covas, a prefeitura de São Paulo só fez 3,3 km de novos corredores.

Para o ano que vem, a prefeitura propõe no Orçamento R$ 159,37 milhões para a implantação de 9,3 km de novos corredores de ônibus, requalificação de 30,7 km de corredores e faixas já existentes, incluindo os pontos, e a modernização de 1,2 km da Avenida Santo Amaro, na zona Sul, o que engloba o alargamento das vias. O orçamento ainda depende de aprovação da Câmara Municipal.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/08/01/prefeitura-de-sao-paulo-propoe-r-159-milhoes-para-corredores-faixas-e-paradas-de-onibus-em-2020/

Diante da demanda de 9,5 milhões de registros de passagens por dia, das mais de 1,3 mil linhas e dos 14 mil ônibus em circulação, a atual rede de corredores é considerada pequena.

Um estudo de 2012, encomendado pela prefeitura de São Paulo, apontava a necessidade de ao menos 600 km de corredores, não de faixas.

A cidade de São Paulo possui em torno de 17 mil km de vias, das quais, os ônibus trafegam em aproximadamente 4,5 mil km.

Entretanto, existem apenas 130 km de corredores, dentre os quais, somente o Expresso Tirantes, num trecho de 8 km entre o Terminal Sacomã (zona Sudeste) e o Terminal Mercado (região central), oferece exclusividade aos ônibus, sem o compartilhamento com táxis e sem invasão de veículos não autorizados. A velocidade comercial do Expresso Tiradentes é quase o dobro da registrada nos demais corredores, superando os 40 km/h.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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