Monobloco O 371: um amor que ultrapassa gerações

Publicado em: 4 de agosto de 2019

Motorista de ônibus escolheu profissão inspirado no pai, que já dirigiu monobloco O 371. Foto: Jessica Marques. Clique para ampliar.

Amauri Pereira de Oliveira, motorista de ônibus, comprou o modelo que pai dirigia para restaurar 

JESSICA MARQUES

Muitos gostam do monobloco Mercedes-Benz O 371 pelas características mecânicas ou estéticas do veículo. Outros resgatam memórias por meio do lendário ônibus.

Para o motorista de ônibus Amauri Pereira de Oliveira, o monobloco é muito mais do que uma simples lembrança. O veículo representa um amor que ultrapassa gerações.

Por esse motivo, a decisão foi certeira ao comprar um Mercedes-Benz O 371 RS, ano 1991, para restaurar. O veículo é do mesmo modelo dirigido pelo pai de Amauri ao longo de sua infância.

“O primeiro contato com o O 371 foi através do meu pai. Ele era motorista de ônibus. Quando vi o ônibus pela primeira vez me trouxe lembranças de quando eu andava com meu pai. Ele trabalhava na Rufino, na Sussantur, na Nicolau e na Galo de Ouro com esse modelo. Ao ver, me trouxe lembranças de infância”, afirmou Amauri.

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Monobloco O 371 já fez transporte escolar. Foto: Adamo Bazani.

“Eu estava procurando ônibus para comprar porque eu sempre quis ter um. Meu amigo encontrou esse em Rio Grande da Serra, me mandou fotos, vídeos, me mostrou, eu peguei o contato do ex-dono dele, liguei, negociei e comprei”, contou também o motorista de ônibus.

Atualmente, o veículo está em Santo André, no ABC Paulista, cidade onde reside Amauri. Aos poucos, o monobloco está sendo recuperado para voltar a ter as características originais.

O veículo já operou na Transportadora Maracá, de Ribeirão Pires, realizou transporte escolar e pertenceu a uma igreja de Rio Grande da Serra, para transportar fiéis para eventos.

Segundo Amauri, depois de tanto tempo transportando pessoas, o veículo continua confortável e macio para dirigir. Agora, o monobloco está “aposentado” do trabalho e vai receber um tratamento exclusivo nas mãos de um admirador de ônibus.

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Conforto do veículo é um dos fatores para que Amauri goste do veículo. Foto: Jessica Marques.

“Quero fazer viagens com ele e, mais para frente, fazer um motor home. Tenho interesse em restaurar o ônibus todinho, deixá-lo original. Primeiro eu quero fazer toda a parte de funilaria, recuperar as partes enferrujadas, tirar os sistemas de Rodoar, colocar as calotas originais da Mercedes-Benz e o restante vou deixar tudo original”, afirmou.

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Ônibus vai passar por completo restauro Foto: Jessica Marques.

O amor pelo monobloco, inspirado pelo pai de Amauri, o moveu para fazer a compra do veículo histórico. Contudo, esta admiração também teve influência na vida profissional do motorista.

“Meu pai sempre me deixava ‘dirigir’ junto com ele. Eu escolhi a profissão de motorista de ônibus inspirado no meu pai. Ele era um profissional nato, dirigia demais”, contou.

Agora, Amauri leva as filhas sempre que possível para viagens de ônibus rodoviário enquanto trabalha. Além disso, o amor pelo monobloco já está sendo passado para a próxima geração, uma vez que o O 371 é utilizado para alguns passeios em família.

Fiel companheira de Amauri, a pequena Yasmin de Sousa Oliveira, de 8 anos, já vê a profissão do pai e a admiração por ônibus como um caminho a seguir no futuro.

“Eu quero ser motorista de ônibus, porque eu amo muito meu pai e ele me inspira muito”, afirmou Iasmin.

Leia também: HISTÓRIA: Monobloco O-371 urbano, o ônibus do futuro – sempre

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Parabéns ao Diário do Transporte e a Srta. Jéssica Marques por nos presentear como uma linda matéria histórica, familiar e buzóloga como está.

    Ao Sr. Amauri parabéns pela iniciativa e a pequena Yasmin só digo a ela siga seu coração e seu sonho.

    Embora eu seja apaixonado pelo OH 321 Super B (Bicunho urbano); nunca vou me esquecer da primeira vez que eu entrei num O 371 da Himalaia Turismo dirigido pelo Sr. Nóbrega, que passava na praça aonde eu embarcava as 7:25:00 pontualmente todos os dias.

    Sem contar a simpatia e o piloto perfeito Sr. Nóbrega; ele pilotava qualquer buzão com a maestria de uma orquestra e a suavidade de uma pena plainando ao vento.

    Antes do O 371 ele trabalhava com um Nielson 7 quedas, lindam também.

    Bom mas voltando ao O 371; quando eu entrei nele, lembro até hoje fiquei boquiaberto; pareceia um avião com bagageiros com portas revestimento bege com detalhes laranja; sem contar a suspensão e o tamanho do bichão; foi uma pequena viagem até a indústria onde eu trabalhava; mas foi show.

    Ainda bem que tivemos outros dias utilizando o O 371, que passou a operar no fretamento da indústria que eu trabalhava.

    MBB, traga o Citaro ou fabriquem ele aqui no Barsil.

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

  2. Muito bom! Lembro das viagens pela Pássaro Marron do Tiete-Jacareí, lembro também das viagens do Jabaquara à Santos pela Rápido Brasil. Agora Amaury é ter o cuidado, pois tem muitos incendiários por aí….Creio ser o melhor que a MBB já fez,,,,

  3. jackson disse:

    Vai gastar um nota preta pra deixar o bichão em pé mas ficará show de bola…..

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