130ª Festa do Senhor Bom Jesus de Paranapiacaba tem início neste fim de semana

Publicado em: 2 de agosto de 2019

Programação tem início neste sábado. Foto: Divulgação / Helber Aggio/PSA

Apresentações musicais, missa e feira de antiguidades integram a programação

JESSICA MARQUES

A 130ª Festa do Padroeiro Bom Jesus de Paranapiacaba, em Santo André, no ABC Paulista, terá início neste fim de semana. Apresentações musicais, missa e feira de antiguidades integram a programação do evento.

A Prefeitura divulgou a programação da festa. No sábado, 03, e domingo, 04 de agosto, a partir do meio-dia, haverá apresentações musicais no largo da Igreja, na Parte Alta da Vila. No sábado, domingo e na segunda-feira, 05, às 19h, será realizado o tríduo ao padroeiro e na terça-feira (6), missa às 10h e às 19h.

No sábado, a festa contará com apresentações do cantor Ricardo Reis (12h), Grupo Realidade (14h) e Banda Intelecto Z (17h30). No domingo se apresentarão o cantor Rodrigo Correa Leite (12h) e a Banda Golpe Baixo (17h30). Às 14h será realizado um bingo beneficente, ainda segundo a programação divulgada pela Prefeitura.

No domingo (4), a partir das 10h, o Clube União Lyra-Serrano receberá mais uma edição da Feira de Artes e Antiguidades. O endereço é Avenida Antonio Olyntho, s/n. Além disso, o Moto Clube Bodes do Asfalto realizará um encontro no Galpão das Oficinas. O endereço é Rua Direita, s/n, na Parte Baixa da Vila.

Nas proximidades, o público também poderá visitar a exposição permanente de ferromodelismo instalada na vila histórica. A sede do Ferreoclube do ABC foi transferida e agora está ao lado da estação do Trem Turístico, com diversos itens que enchem os olhos de quem ama ferrovias.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2019/07/26/paranapiacaba-ganha-exposicao-permanente-de-ferromodelismo/

COMO CHEGAR DE TRANSPORTE PÚBLICO

Duas linhas intermunicipais gerenciadas pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) atendem a região. Uma delas é a 040, que parte do Terminal Prefeito Saladino, em Santo André e custa R$ 7.

A outra linha intermunicipal é a 424, que liga Rio Grande da Serra a Paranapiacaba e tem tarifa de R$ 4,55. O ônibus sai de um ponto próximo à estação Rio Grande da Serra, da linha 10-Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e chega à vila inglesa em cerca de 25 minutos. O intervalo entre as linhas varia de 30 minutos a 1 hora, segundo a EMTU.

HISTÓRIA DA VILA

Lugar de onde se avista o mar: Este é o significado da palavra Paranapiacaba, em tupi-guarani. A vila foi criada pelos ingleses entre 1865 e 1867 para moradia dos ferroviários da linha Santos – Jundiaí, uma das ligações ferroviárias pioneiras do Brasil.

Pertencente a Santo André, no ABC Paulista, a vila é cercada por belezas naturais, sendo possível do “planalto” ver mesmo o mar no litoral sul, desde que a característica neblina da Serra do Mar não baixe e deixe o clima com um ar tipicamente londrino.

A vila também é marcada por diversas histórias que envolvem de grandes empreendedores a ferroviários.

Leia a história de Romão Justo Filho:
https://diariodotransporte.com.br/2019/03/10/historia-paranapiacaba-e-um-modesto-heroi-da-ferrovia/

Confira a história de Paranapiacaba, conforme divulgado pela Prefeitura de Santo André:

Em 1850 Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, empenhou-se na construção de uma Estrada de Ferro e, em 1856, um Decreto Imperial concedeu a ele o privilégio da construção e o prazo de 90 anos para sua exploração. Em 1860 conseguiu reunir capital suficiente e formou a empresa The São Paulo Railway Company Ltd. – SPR para construí-la. Paranapiacaba surge como acampamento para os trabalhadores que construíram o trecho da Serra do Mar. Com a inauguração da ferrovia, em 1867, a empresa viu-se obrigada a manter operários no local para a operação dos serviços e manutenção das obras. Posteriormente à duplicação da ferrovia edificou-se uma nova vila no Alto da Serra, a Martin Smith, de ruas arborizadas com alinhamentos regulares e sistemas de água e esgoto.

Na década de 1940 a Vila sofreu duas marcantes intervenções: em 1945 passou a chamar-se Paranapiacaba e, no ano seguinte, a São Paulo Railway Co. foi incorporada ao Patrimônio da União e passou a ser administrada pela Estrada de Ferro Santos a Jundiaí – EFSJ, terminando assim a presença dos ingleses na região. Ao receber o patrimônio, em 1946, o governo federal esforçou-se em manter a qualidade no transporte de carga e de passageiros que os ingleses tinham até então.

No tempo dos ingleses a Vila de Paranapiacaba apresentava certo ar europeu, romântico, com casas de madeira, quintais separados por cercas vivas e ruas calmas, ladeadas de pinheiros, em contraste com a Parte Alta, que recebeu uma ocupação urbana marcada pela herança portuguesa, com ruas estreitas e casas de pequenas frentes edificadas junto ao alinhamento. Unindo a Parte Alta à Parte Baixa há uma ponte metálica destinada exclusivamente aos pedestres e bicicletas, que se mantém até hoje após algumas reformas.

Em 1982 o Sistema Funicular construído pelos ingleses deixou de funcionar. Foi o fim de uma era de glamour e o começo de uma luta pela preservação do que ainda restava da História da ferrovia inglesa. Iniciava-se um movimento para a redestinação de Paranapiacaba a fim de transformá-la num polo turístico que mostrasse a beleza de seu casario, matas, águas e trilhas, que envolvesse as pessoas em seu clima mágico, histórico e cultural. Em 1987 foi elaborado pela Emplasa, empresa estadual de planejamento metropolitano, o Plano Integrado de Preservação e Revitalização de Paranapiacaba e, nesse mesmo ano, o Condephaat, órgão estadual de preservação do patrimônio, publica seu tombamento histórico, abrangendo a área do núcleo urbano, os equipamentos ferroviários e a área natural ao seu redor, selando legalmente o local como de interesse público. Em abril de 2000 Paranapiacaba tornou-se oficialmente um dos núcleos do programa da Reserva da Biosfera da UNESCO, que engloba a proteção de 329 áreas de floresta em 83 países.

Em 2001 a Prefeitura de Santo André deu o primeiro passo para assumir definitivamente a administração da Vila ao criar a Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense e, em 2002, foi formalizada a compra da Vila de Paranapiacaba da Rede Ferroviária Federal S.A. – RFFSA. O contrato de compra e venda foi assinado no interior do Castelinho, testemunha inglesa do negócio, que mudaria o destino de Paranapiacaba.

Em 05 de junho de 2003, Dia Mundial do Meio Ambiente, foi criado o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba, área verde com cerca de 4,2 km² de Mata Atlântica no entorno da Vila.

Hoje Paranapiacaba conta com dois museus: o Castelinho, construção vitoriana que serviu de residência para o Engenheiro Superintendente, autoridade máxima da ferrovia inglesa, que guarda a memória dos tempos de funcionamento da São Paulo Railway Co., e o Funicular, que consiste em três galpões situados no pátio ferroviário, onde é possível ver as locomotivas, o carro fúnebre, as máquinas fixas e peças menores, como a azeitadeira, utilizada para lubrificar as máquinas. Ao ar livre podem ser vistos o trem ambulância, já bem enferrujado e o trem guindaste a vapor.

Paranapiacaba é cercada por três importantes Unidades de Conservação: o Parque Nascentes, citado acima, a Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba e o Parque Estadual da Serra do Mar. As matas, Parques e quedas d’água existentes no entorno da Vila compõem um cenário natural fantástico, que pode ser percorrido por trilhas de trajetos fáceis ou difíceis e requerem acompanhamento de guia habilitado e cadastrado pela Prefeitura. Dentre elas as mais conhecidas são as trilhas da Pontinha, do Mirante e da Água Fria.

Em 2001 realizou-se na Vila o 1º Festival de Inverno de Paranapiacaba, com muita expectativa. Os visitantes chegavam pela passarela metálica, que liga a Parte Alta à Vila Nova; os espetáculos se concentravam no Clube União Lyra-Serrano, outrora palco de grandes bailes e espetáculos. O Festival continua ocorrendo anualmente, se expandiu, com vários artistas se apresentando em palcos espalhados pela Vila e atualmente é um dos eventos mais conhecidos do Município. Durante o Festival vários atrativos, além dos artísticos e culturais, são oferecidos ao visitante.

Em abril acontece o Festival do Cambuci, fruta nativa da Mata Atlântica que é marca registrada da região e patrimônio imaterial de Santo André desde 2013, onde são oferecidos diversos pratos, doces e bebidas que utilizam o fruto como principal elemento.

Outros eventos, como a Convenção de Bruxas e Magos, a Festa do Padroeiro e a Feira de Artes e Antiguidades acontecem no decorrer do ano.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    CPTM, viabilize o extensão da linha 10 Turquesa até Paranapiacaba; nem que seja trem sim trem não.

    Quando poderemos ir de CPTM de passageiros até Santos.

    Ao invés de querer dar concessão das linhas 8 e 9 façam o que tem de fazer, CPTM para Paranapiacaba e Santos; isso sim.

    Infelizmente no Barsil os trilhos regrediram em função do tempo; lamentável.

    Att,

    Paulo Gil

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