Para Observatório da Mobilidade, monotrilho não é a melhor solução de transporte para Florianópolis
Publicado em: 20 de julho de 2019
Para coordenador Bernardo Meyer, alternativa já foi descartada pelo Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis por apresentar custo-benefício inferior ao de um BRT
ALEXANDRE PELEGI
O monotrilho não é a solução mais adequada para a mobilidade urbana de Florianópolis, Santa Catarina.
A afirmação partiu do Coordenador do Observatório de Mobilidade da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Bernardo Meyer, segundo a coluna do jornalista Fábio Gadotti do portal catarinense ND+.
Segundo Meyer, a análise da opção do monotrilho foi contemplada no Plamus (Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis), “e concluiu-se que seu custo-benefício não compensa tanto quanto um sistema de BRT (transporte rodoviário por ônibus) bem organizado”.
O professor Bernardo Meyer, atual coordenador do Observatório, manifestou essa opinião após conhecer o projeto de monotrilho da companhia chinesa BYD, apresentado nesta semana aos integrantes do Observatório em encontro na capital catarinense.
Em fevereiro deste ano a BYD assinou contrato com o governo do estado da Bahia para a construção de um monotrilho na capital Salvador. O projeto, segundo Alexandre Liu, diretor de negócios da empresa chinesa, seria uma alternativa “perfeita” para melhorar a mobilidade urbana de Florianópolis.
De acordo com o colunista do portal catarinense, o executivo da BYD afirmou na apresentação feita pela empresa em Florianópolis que a solução ideal para a capital passa pela adoção de modelos aéreos que, segundo ele, têm sido adotados pelo governo chinês por causa das dificuldades de espaço nos centros urbanos do país. Para Alexandre Liu, o ideal para a capital catarinense seria o que ele chamou de “BRT aéreo”, diante das peculiaridades e características geográficas da cidade.
“É um sistema leve. Poderíamos levar o pessoal inclusive pela ponte num sistema de trem. Modal perfeito que se adapta a curvas fechadas, rampas etc, ideal para o relevo daqui”, sustenta Liu.
VLT EM SALVADOR MUDOU DE NOME PARA “MONOTRILHO MARÍTIMO”
Ao chamar o monotrilho de um “BRT aéreo”, o executivo da BYD repete o que aconteceu em Salvador.
O Consórcio Skyrail Bahia, liderado pela BYD Brasil, venceu o leilão para a construção de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) no modelo de Parceria Público Privada (PPP). Só que, na prática, a BYD ofereceu como modal um legítimo monotrilho.
O governo baiano insistiu na terminologia VLT, a ponto de um vídeo apresentado durante a cerimônia de assinatura do contrato chamar o modal a ser construído de “VLT Monotrilho elevado”. Houve casos em que a solução foi chamada de “monotrilho marítimo”, porque ele terá um trecho parcialmente construído sobre a superfície do mar.
A mudança de modal durante o processo licitatório causou problemas com o pleno do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, que chegou a suspender o leilão. O principal questionamento apontado foi quanto à alteração do objeto da licitação. Inicialmente o projeto previa apenas o VLT, mas em um segundo edital passou a admitir outros modais. A alteração implicaria em rever a viabilidade financeira do projeto, alegou o Tribunal.
Para o consultor Peter Alouche, apesar da imprensa da Bahia e do próprio governo do Estado insistirem em chamar a obra de VLT de subúrbio, ele esclarece que VLT e Monotrilho são modos de transporte próximos, mas diferentes. “Eles têm uma tecnologia diversa, com uma operação e manutenção distintas, com fornecedores próprios, com cuidados de segurança diferentes, cada um com suas vantagens e suas desvantagens”, diz.
“Os dois modos têm suas características próprias que determinam sua perfeita adequação num determinado corredor. O que os une é a oferta de transporte, que ambos podem garantir, bem parecidas (média capacidade) e a sua inserção urbana como transporte limpo, além de seu bom atendimento ao público. Tudo obviamente pressupondo que os dois modos sejam implantados adequadamente”, diz Peter.
ÔNIBUS ELÉTRICOS
Apesar de descartar a solução monotrilho para Florianópolis, o coordenador do Observatótio da Mobilidade, Bernardo Meyer, destacou que os ônibus elétricos feitos pela BYD, que já têm fábrica em Campinas, interessariam muito à cidade.
O Observatório da Mobilidade Urbana da UFSC é uma entidade aberta à participação de professores, técnicos e estudantes interessados em temas relacionados à mobilidade. O Observatório surgiu a partir do envolvimento de equipe da UFSC no projeto PLAMUS, desenvolvido em 2014/2015, cujos resultados geraram diagnósticos e diretrizes sobre a estrutura da mobilidade na região metropolitana da Grande Florianópolis (RMF).
Ou seja, na prática a proposta de monotrilho não foi apresentada oficialmente pela BYD à prefeitura da capital. Segundo o colunista Fabio Gadotti, a Secretaria de Transportes e Mobilidade de Florianópolis informou que conhece o sistema e que está analisando a alternativa.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


Sem ler a reportagem, aposto que o observatório disse BRT.
Diziam os antigos: Da discussão nasce a luz! O monotrilho é adequado para condições muito peculiares. Mas, parece que ele exerce uma grande atração como uma extruvenca” inédita. Quem quiser ve-lo operando, pode passar umas férias na Austrália. Não há nada
de negativo, porem é de baixa capacidade e deveria estar associada a um programa de renovação urbana.( o que não foi o caso da tentativa interrompida na cidade de São Paulo).
KKK
“BRT aéreo”!
Isso é culpa do Doria, a empresa chinesa deve ter inventado esse nome para tentar evitar a mudança de modal, mas não adiantou.
Temos em São Paulo um BRT parcialmente elevado chamado de expresso Tiradentes
Funciona muito bem
Poderia ser a alternativa estudada em Florianópolis
Não. Não mesmo.
Hoje tudo é “monotrilho”. Galera não pensa no médio e longo prazo.
Florianópolis não precisa de monotrilho. Precisa de um sistema férreo que ligue ilha ao continente, e um sistema variado – entre BRT e VLT – para a ilha.
Para começar, Florianópolis tem áreas de preservação. O ideal é que os modais sejam de baixa e média capacidade mesmo (com possibilidade de variações em altas temporadas) para a circulação na ilha.
A ligação ilha – continente (municípios continentais) DEVERIA ser feita com uma ferrovia tipo “metrô”, assim ligando as regiões com mais demanda de forma melhor e mais eficiente. Como opção, a ferrovia se estenderia até o aeroporto e ao campus da UFSC. Na outra ponta, duas divisões, uma indo até Biguaçu, outra até Palhoça e Santo Amaro da Imperatriz. Uns 100 km de linha acho que daria bem.
E claro, também disponibilizar serviços de balsa (não sei como foi os testes, antes que eu esqueça que houve um) para aproveitar a questão do mar.
E quanto ao Monotrilho em Salvador pelo que vi nem mais vai ter esses trecho cortando o mar! Vamos só esperar pra ver se vão divulgar o projeto executivo ou se será que nem o BRT de Salvador no qual a Prefeitura toca a obra sem divulgar detalhes técnicos.
É muito frustrante pensar em projeto de BRT para Florianópolis que já não tem espaço para construir mais ruas e estradas, ainda mais pensar num sistema de transporte lento e desconfortável que é o ônibus em uma cidade que tem rodovia federal, bairros com distância de mais de 40km do centro. Se um político de Florianópolis já teve o prazer de visitar cidades como Londres, Vancouver, etc… Sabe que pra Florianópolis a única maneira da população se deslocar rapidamente, aumentando assim a circulação de pessoas, ajudando na economia da região, é unicamente um sistema rápido sobre trilhos, tanto ferrovia, quanto monotrilho. (Trens maiores que ônibus). Dos Ingleses ao centro de ônibus: 2h, de trem: 25min com paradas. É absurda a diferença. Isso permitirá que pessoas que nunca vão ao norte por conta do tempo e distância comecem a ir, fora que ultrapassar o trânsito caótico por cima, do lado, ou por baixo, faria com que muitos deixassem seus carros em casa. (Vide Londres, Vancouver, etc).