Passos (MG) segue sem transporte público

Publicado em: 13 de julho de 2019

Foto: Folha da Manhã/MG

Prefeitura assinou TAC com o Ministério Público se comprometendo a realizar contrato emergencial com uma nova empresa já na próxima semana             

ALEXANDRE PELEGI

Passos, no interior de Minas Gerais, está sem serviço de transporte coletivo há dez dias.

Como noticiou o Diário do Transporte, a cidade do sul do estado com cerca de 110 mil habitantes, corria o risco de ficar sem transporte coletivo (relembre).

Isso porque a Viação Cisne, então concessionária do transporte na cidade, não estava aceitando prolongar o contrato, que venceria no dia 14 de junho de 2019.

Foi o que ocorreu, o que obrigou a prefeitura a contratar uma outra empresa em caráter emergencial logo na sequência.

A empresa contratada, Cidade dos Ipês, não colocou os ônibus para circular no último dia 4 de julho, o que pegou de surpresa todos os usuários. Desde então, a situação de crise no setor de transporte em Passos se mantém.

Nesta sexta-feira, 12, a Câmara Municipal decidiu instalar uma CPI para investigar a contratação emergencial da Cidade dos Ipês.

Na véspera, 11, a prefeitura anunciou por meio de nota que havia firmdao um TAC (Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta), com o Ministério Público do Estado de Minas Gerais.

Ficou definido que a administração municipal terá um prazo de 5 (cinco) dias úteis para assinar um contrato emergencial com uma empresa de transporte coletivo”, diz a nota.

Assinada pelo prefeito Carlos Renato Lima Reis, a nota diz ainda que a “Prefeitura trabalha para que o problema seja solucionado até o dia 17 de julho, quando espera que o serviço esteja funcionando adequadamente”. Além disso, diz que a nova contratação “buscará reduzir significativamente o preço da tarifa praticada”.

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DE GRATUIDADE A TUK-TUK

A Cisne não quis renovar o contrato, assinado em 2004, em função da baixa rentabilidade. Segundo o gerente administrativo da Viação, Adilson Januária da Silva, mais da metade do que a empresa vinha transportando era gratuidade. Queixando-se da concorrência do mototáxi, outra realidade na cidade, o gerente afirmou que quem anda com a empresa “é quem não paga”.

O descontentamento da Cisne vem já há bastante tempo. Em janeiro de 2018 a empresa encaminhou um ofício ao gabinete do prefeito Carlos Renato de Lima Reis, o Renatinho Ourives, à Câmara Municipal e ao Ministério Público em que reclamava dos prejuízos provocados pelas gratuidades.

No documento, a Cisne afirmava que passara a registrar desequilíbrios financeiros após a Lei Orgânica do Município conceder, há cerca de dez anos, gratuidade no transporte aos maiores de 60 anos e deficientes.

Na mesma ocasião, e para complicar ainda mais a situação da Cisne, um vereador protocolou um projeto de Lei para regulamentar o serviço de Tuk-Tuk, sistemas de triciclos motorizados mais comuns em países asiáticos, sobretudo na Índia. Com essa “novidade”, somada às gratuidades no sistema, surgidas após a assinatura do contrato de concessão, a empresa já alertava para a impossibilidade de continuar operando na cidade.

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Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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