Justiça nega pedido de urgência da concessionária do VLT do Rio que cobra R$ 150 milhões da prefeitura por verbas atrasadas

Publicado em: 11 de julho de 2019

Concessionária ameaça abandonar serviços. Foto: Prefeitura Rio de Janeiro – Clique para Ampliar

VLT Rio ainda quer que gestão Crivella garanta demanda de 260 mil passageiros por dia. Processo continua. Demanda é inviável segundo procurador

ADAMO BAZANI/JESSICA MARQUES

O procurador-geral do município do Rio de Janeiro, Marcelo Marques, informou na tarde desta quinta-feira, 11 de julho de 2019, que a Segunda Vara da Fazenda Pública Tribunal de Justiça do Rio negou pedido liminar de tutela antecipada por parte da concessionária do VLT que pede que a prefeitura deposite R$ 150 milhões referentes a verbas atrasadas que alega ter direito.

A Justiça também negou o pedido de urgência para que a gestão do prefeito Marcelo Crivella encontre formas de garantir uma demanda mínima de 260 mil passageiros por dia no sistema de bondes modernos, segundo o procurador.

Isso não significa que o consórcio tenha perdido a causa. O processo continua, o que foi negado pela Justiça foi o atendimento antecipado dos dois pedidos.

De acordo com o procurador, em um vídeo gravado no Youtube, a decisão vai permitir que a prefeitura tenha mais tempo de encontrar uma solução.

“Com essa decisão do Tribunal de Justiça, a quem nós agradecemos, a prefeitura consegue ter mais tempo para negociar os termos mais justos deste contrato.” – disse na gravação.

O procurador também considerou que a demanda de 260 mil passageiros por dia no VLT é “absolutamente inviável”.

Como mostrou o Diário do Transporte, em 03 de julho, o VLT Carioca entrou na Justiça com o pedido de rescisão do contrato de concessão.

Segundo a concessionária, a “inadimplência” dura mais de um ano.

“A Concessionária reforça que desde dezembro de 2018 tenta negociar com a Prefeitura pendências financeiras que impediam a circulação da linha 3, último trecho do sistema, que liga a Central do Brasil ao Santos Dumont. Sem chegar a um acerto, o VLT negociou com seus fornecedores e solicitou autorização para operar o trecho em 9 de maio. O pedido segue sem resposta, deixando passageiros e comerciantes da região desatendidos.” – disse em nota na ocasião.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/07/04/apos-tres-anos-de-operacao-concessionaria-do-vlt-do-rio-de-janeiro-pede-suspensao-do-contrato/

Em fevereiro deste ano, diante da baixa demanda do VLT, chegou a cogitar a cortar linhas municipais de ônibus para aumentar a demanda do sistema.

Seria uma “solução” mais fácil. Em vez de achar formas de tornar o VLT mais atrativo ou restringir a circulação do transporte individual, a gestão praticamente obrigaria as pessoas a embarcarem no sistema de trilhos por retirar os ônibus.

O anúncio gerou reações negativas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/02/06/crivella-vai-aumentar-demanda-de-vlt-com-retirada-dos-onibus-da-regiao-central-do-rio/

O VLT deveria estar transportando 265 mil pessoas por dia, mas hoje atende apenas a 60 mil.

Por esta defasagem, a prefeitura é obrigada a complementar a remuneração do Consórcio VLT Carioca, formado pelo Grupo CCR (CIIS – Companhia de Investimentos em Infraestrutura e Serviços 24,9317%), Odebrecht Mobilidade (24,9317%), Invepar (24,9317%) e Riopar Participações (24,9317%), BRt – Benito Roggio Transporte (0,2506%) e RATP do Brasil Operações – Participações e Prestações de Serviços para Transporte (0,0226%).

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Jessica para o Diário do Transporte

Comentários

  1. TADEU AUGUSTO DE AZEVEDO VASCONCELOS SILVA disse:

    Bota a passagem dessa lerdeza a 1 real que a demanda aparece. Eu prefiro andar de patinete ou bicicleta que é mais rápido.

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