Prefeitura de Maringá anuncia aumento na tarifa dos ônibus para R$ 4,30, reajuste de 10,25%

Foto: Luiz Scaff

Novo valor entra em vigor na próxima sexta-feira, 14 de junho. Empresa concessionária, que briga na Justiça com a administração municipal, pleiteava reajuste de 30%

ALEXANDRE PELEGI

O valor da tarifa do transporte coletivo de Maringá, norte do Paraná, passará a ser de R$ 4,30 já a partir da próxima sexta-feira, 14 de junho de 2019.

O reajuste de 10,25% foi aplicado sobre o valor atual, de R$ 3,90, o que, conforme publicado pela prefeitura em sua página no Facebook ontem, é inferior aos 30% requisitados pela concessionária do transporte coletivo, a TCCC – Transporte Coletivo Cidade Canção.

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Ainda segundo a prefeitura, o valor se refere à tarifa convencional (Cartão Passe Fácil).

O cartão avulso se mantém em R$ 4,50 (sem reajuste), “diferente do que pedia a empresa (R$ 6,50)”.

Já o passe estudante será de R$ 2,15 (atualmente é R$ 1,95).

O decreto com o reajuste será publicado pela Prefeitura ainda nesta terça-feira, 11 de junho.

TRANSPORTE FOI ALVO DE AÇÃO JUDICIAL:

O último reajuste no valor das passagens de ônibus de Maringá foi concedido há quase um ano, em julho de 2018, e representou 8,3% de aumento. Com isso o valor do Passe Fácil passou de R$ 3,60 para os atuais R$ 3,90. O avulso, por sua vez, foi de R$ 4,20 para R$ 4,50.

Em 2017 não houve reajuste, porém, em fevereiro de 2018, foi aplicado um aumento no valor da tarifa. Somando os dois reajustes de 2018, a alta acumulada é de 14% no Passe Fácil e de 12,5% no bilhete avulso, mais que o dobro da inflação acumulada de junho de 2016, quando ocorreu o último reajuste antes dos realizados no ano passado.

Em março deste ano, conforma noticiou o Diário do Transporte, a TCCC resolveu lutar na Justiça pelo aumento da tarifa, pedindo que a passagem fosse elevada imediatamente a R$ 4,76.

Além disso, requereu uma indenização de R$ 35,2 milhões, que seria para compensar o desequilíbrio decorrente do reajuste tarifário insuficiente no período da concessão, cujo contrato foi firmado em 2010.

A ação foi ajuizada no dia 8 de março de 2019, na 2ª Vara da Fazenda Pública.

O juiz Nicola Frascati Júnior, no entanto, negou pedido de liminar que atenderia ao pedido imediato de reajuste tarifário, e marcou audiência de conciliação prévia entre a prefeitura e TCCC para 24 de abril. Na audiência de conciliação não houve acordo entre a empresa e a administração municipal.

TRANSPORTE FOI ALVO DE CPI:

O transporte coletivo de Maringá foi alvo de uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara de Vereadores em 2018. Relembre: Relatório da CPI do Transporte de Maringá conclui que modelo atual de concessão é ruim e sugere rompimento de contrato

A Comissão, cujo relatório final foi apresentado no final de 2018, indicou que o contrato com a TCCC deveria ser rompido, e sugeriu a construção de um novo modelo, junto com a sociedade, “que contribua com o desenvolvimento da cidade e não fique apenas na concessão exploratória”.

Esse novo modelo de concessão do transporte coletivo urbano de Maringá, conforme sugerido pela CPI, seria administrado por uma agência reguladora específica, formada por usuários e poderes públicos.

A questão é ampla. Esse modelo de concessão não funciona e, cada vez mais enche as ruas da cidade de carros e motos, o que só faz aumentar o número de acidentes, mortos e feridos”, afirmou o relator da CPI.

O relatório cita ainda que em 12 quilômetros urbanos da Avenida Colombo ocorreram 3.270 acidentes apenas no primeiro semestre de 2018.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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