Doria diz que eventual condenação de empresas em cartel dos trens não vai interferir andamento de obras e compras do Metrô e da CPTM

Em junho, Cade deve dar parecer final sobre as companhias que teriam formado conluio e fraudado 27 licitações que somam R$ 9,4 bilhões

ADAMO BAZANI

Uma eventual condenação por cartel em licitações de trens e metrô de empresas produtoras das composições, equipamentos e sistemas não vai interferir no andamento de obras, licitações e fornecimento de novos veículos ferroviários no estado de São Paulo.

A declaração é do governador João Doria em entrevista coletiva ontem durante a apresentação do início das obras da estação Jardim Colonial do monotrilho da linha 15-Prata, na zona Leste de São Paulo.

“Não há nenhum impacto que possa prejudicar o andamento das obras ou a retomada de obras. A decisão que a justiça tomar não afetará tecnicamente a operação de obras em execução e de obras que serão retomadas.” – disse Doria

Ouça:

Na última semana, o jornal O Estado de São Paulo mostrou que depois de seis anos do início das investigações, o Cade –  Conselho Administrativo de Defesa Econômica deve julgar em junho o cartel de trens e metrô que teria fraudado ao menos 27 licitações que somam contratos de R$ 9,4 bilhões.

Entre as empresas citadas estão Alstom, Bombardier, CAF, Siemens, Temoinsa, Tejofran, TTrans, Mitsui, MPE e MGE.

As empresas dizem que colaboram com a Justiça.

O Cade atua apenas na esfera administrativa e só condena ou absolve empresas, o que pode impedir a participação de algumas delas em concorrências públicas e gerar multas de até 20% do faturamento das empresas acusadas.

Na esfera criminal, o MPF – Ministério Público Federal trabalha na responsabilização de executivos e demais responsáveis. Até agora, 14 pessoas já foram condenadas em processos sobre cartéis de trens e metrô.

As fraudes teriam ocorrido entre 1998 e 2003, principalmente em São Paulo, mas também houve casos em Minas Gerais, Distrito Federal e Rio Grande do Sul.

Responsável pelas investigações, a Superintendência Geral do Cade concluiu que as empresas se uniram para combinar preços, obter vantagens indevidas, dispensar licitações e criar condições que as favoreciam.

O julgamento será por parte dos conselheiros com base nas apurações da superintendência.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Marcelo Pablo Gudefin disse:

    Sr. Adamo, Bom Dia…!!!, É verdade que em até 60 dias o Sr. Governador anunciara o começo da extenção da Linha 2 Verde do Metro….?
    Até por que esta obra lhe permitiria “Inaugurar” pelo menos dois ou três estações (tipo até o Shopping Anália Franco)…em sua gestão ainda…
    Favor nos comente…

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