Bruno Covas sanciona lei que cria bolsões de estacionamento para motoboys na capital

Aplicativos, que funcionam em vários países, são hoje os maiores empregadores no Brasil.

Uso das vagas em sistema rotativo está direcionado a motos que sigam os padrões estabelecidos pela legislação que rege a categoria

ALEXANDRE PELEGI

O prefeito Bruno Covas sancionou Projeto de Lei de autoria dos vereadores Jonas Camisa Nova e Adilson Amadeu que dispõe sobre a criação de bolsões de estacionamento exclusivos para motoboys nas vias públicas da capital.

O Executivo tem prazo de 60 dias para regulamentar a lei, que determina claramente que os bolsões serão criados “próximos aos grandes centros econômicos e de circulação do Município de São Paulo”.

Além disso, o texto sancionado por Covas esclarece que terão direito a estacionar nesses locais “somente motos nos padrões estabelecidos pela legislação que rege a categoria”.

Os bolsões funcionarão de forma rotativa.

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APLICATIVOS DE ENTREGA X AUMENTO DE MORTES NO TRÂNSITO

Apesar do Projeto ter começado a tramitar em 2015, a situação descrita pelos autores na justificava continua presente, mas agora é muito mais grave com o surgimento e forte expansão da atividade de entregadores de aplicativos de entregas (delivery), como iFood, Uber Eat, Rappi, 99 e Loggi, entre outros. Pesquisa do Instituto Locomotiva, recentemente divulgada, aponta que esses apps são hoje os maiores “empregadores” brasileiros.

Os motoboys aguardam o momento de maior movimentação em áreas próximas a shopping centers, restaurantes ou supermercados, esperando surgir os pedidos nos celulares. As ruas do entorno desses locais ficam lotadas com centenas de motos, que dividem espaço enquanto os motoboys esperam pela chamada. E isso tem um motivo: a plataforma iFood, por exemplo, incentiva que o motoboy permaneça no local oferecendo-lhe bônus financeiros.

Na Justifica, os vereadores alegam que “por escassez de locais próximos aos centros comerciais para estacionarem suas motos, os motoboys acabam perdendo muito tempo a procura de vagas, forçando-os a estacionar em locais passíveis de penalidades”.

Ainda no texto, os autores afirmam que com o crescimento do interesse da população por motocicletas, “os parcos estacionamentos em vias públicas estão abarrotados de motocicletas que permanecem ali o dia inteiro, impedindo desta forma o acesso aos profissionais do motofrete”.

Com a falta de bolsões, a vida do Motoboy acaba afetada, pois ele “deixa de produzir e gerar riqueza a espera de uma vaga para estacionar sua moto”.

Enquanto isso, a Prefeitura diz que planeja regulamentar os aplicativos de serviços de entrega por motos. Principalmente após o aumento do número de mortes por conta das motos, atribuído em parte ao aumento dessa atividade, conforme mostrado em matéria do Diário do Transporte nesta quinta-feira, 23 de maio.

Pela primeira vez, na história, morreram mais motociclistas que pedestres: “Foram 366 vítimas fatais que estavam em motos, ante 349 pessoas a pé” – diz a Companhia de Engenharia de Tráfego. Relembre: Número de mortes no trânsito em São Paulo volta a subir depois de três anos de queda

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. JAKSON JEAN ARRUDA DINIZ disse:

    Um absurdo a forma com que os motoboys são tratados,
    As autoridades, os desprezam só pensam em multar. Abortar e humilhar,
    Lamentável

  2. Thiago Martins disse:

    Que esses bolsões sejam exclusivos para os motoboys legalizados pela prefeitura. E que se faça valer a lei, para que todos os aplicativos só trabalhem apenas com motoboys que tenham os requisitos necessários (alvará, moto até 8 anos, Condumoto, Placa vermelha).

    Chega de porteiro, segurança, vigia, açougueiro, utilizar a profissão de motoboy como um bico, desvalorizando e sucateando os que vivem realmente da profissão, e sem nenhum preparo com os devidos cursos e investimentos feitos por quem realmente é profissional da área.

    E a fiscalização tem que começar pra ontem. Os apps q criem algo pra incentivar o motoboy a estar apto perante a prefeitura.

    A lei existe faz tempo, é só fazer fazer valer.

  3. Fabricio disse:

    Se esses bolsões são pensando em motoboys de delivery, não vai adiantar nada pois são para motoboy que estão na lei e 99% do que entregam delivery, não estão na lei, não tem motos com placa vermelha, muitos não tem nem 21 anos que é o mínimo pra ser motofrete regularizado.
    Ma vai ser bom para os que são regularizados, mais opções para estacionar principalmente perto da berrini e itaim e centro.

  4. Rodrigo disse:

    Boa tarde precisamos que a lei sai o mas rápido possível está muito feio muito motoqueiros que não estão na lei está acabando com a profisao andao nas rua igual loucos precisamos da lei

  5. Danilo Zenerato disse:

    Se a lei regulamentadora de motofrete, fosse cumprida a risca certamente ñ haveria essa estatistica de morte que foi contabilizada. Hj os apps sucateiam prestadores de serviço, maioria meninos e pessoas que nunca usaram moto para seu sustento. Motoboys regulamentados gastam tempo e dinheiro para estar de acordo com o q a lei exigiu e ñ se tem retorno considerado bom para os gastos contabilizados

  6. MARISTELA GORAYB disse:

    Esta lei é ridiculamente restritiva. Eu não sou motoboy, sou uma mulher de 49 anos que optou por usar scooter para se locomover dignamente em SP. TODOS QUE USAM MOTO EM SÃO PAULO PRECISAM DE MAIS LOCAIS PARA ESTACIONAR NA CIDADE TODA.
    Por que pensar tão pequeno assim, já que motos além de serem mais econômicas e rapidas, poluem menos e reduzem o trânsito. MOTOCICLISTAS E MOTOBOYS PRECISAM DE MAIS APOIO!

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