Número de mortes no trânsito em São Paulo volta a subir depois de três anos de queda

Publicado em: 23 de maio de 2019

Crescimento de mortes entre profissionais que trabalham com moto chamou a atenção. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) – Clique para Ampliar

Segundo Relatório Anual de Acidentes de Trânsito da CET, quatro em cada dez mortes no trânsito na cidade de São Paulo em 2018 ocorreram a menos de dois quilômetros da casa da vítima

ADAMO BAZANI

Depois de três anos registrando quedas consecutivas, o número de mortes no trânsito da cidade de São Paulo voltou a subir.

É o que aponta o Relatório Anual de Acidentes de Trânsito da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego, que cruzou pela primeira vez desde 1979, os dados das ocorrências com os registros da Secretaria Municipal de Saúde – SMS.

De acordo com o levantamento, entre 2017 e 2018, o total de mortes no trânsito de São Paulo subiu 6,5%, passando de 797 óbitos registrados para 849.

O índice de letalidade subiu 5,9% no mesmo período, passando de 6,56 em 2017 para 6,95 em 2018 por 100 mil habitantes.

A maior parte das mortes em 2018 ocorreu por atropelamentos, 349, sendo que os pedestres de 40 aos 69 anos foram os que mais perderam a vida no passado. Deste total de pessoas atropeladas, 78 (22%) tinham 60 anos ou mais.

As colisões entre veículos foram responsáveis por 235 mortes. As batidas de veículos contra obstáculos fixos, como postes e muretas, por exemplo, mataram 148 pessoas.

A maioria dos mortos no trânsito é formada por homens, oito em cada dez casos.

Pela primeira vez, na história, morreram mais motociclistas que pedestres: “Foram 366 vítimas fatais que estavam em motos, ante 349 pessoas a pé” – diz a Companhia de Engenharia de Tráfego.

Mais motofretistas estão morrendo no trânsito de São Paulo, revela o relatório da CET.

O total de mortes envolvendo quem trabalha com moto subiu de 28 em 2017 para 50 em 2018. Esse número equivale a 14% dos mortos em motocicletas e 6% de todas as vítimas que morreram no trânsito paulistano.

Entre os motociclistas, 91% dos óbitos são de homens, segundo a CET.

O maior número de óbitos concentra-se na faixa dos 20 aos 39 anos de idade para os motociclistas.

Do total de 366 motociclistas mortos em 2018, 58 (16%) moravam fora da capital, de acordo com os dados.

O total de mortes de ciclistas caiu em torno de 50%, passando de 37 em 2017 para 19 em 2018.

PERTO DE CASA:

O levantamento mostra que quatro em cada dez mortes no trânsito na cidade de São Paulo em 2018 ocorreram a menos de dois quilômetros da casa da vítima, sendo que estão neste grupo, 50% dos pedestres, 37% dos ciclistas, 35% dos condutores e passageiros, além de 27% dos motociclistas.

Um dos motivos é que perto de casa, tanto motoristas, ciclistas e pedestres estão mais relaxados e confiantes, diminuindo a prudência.

VIAS COM MAIS ACIDENTES:

As vias que registraram a maior parte dos acidentes com mortes, segundo a CET, em 2018 foram: Marginal Pinheiros, rodovias dos Bandeirantes e Raposo Tavares (trecho urbano) e a Marginal Tietê.

Em 2018, foram 16 mortes na Bandeirantes (ante cinco acidentes em 2017), e 16 na Raposo Tavares (três, em 2017)., informa a CET.

QUEDA NA DÉCADA:

Se entre 2017 e 2018, houve aumento no número de mortes, no mais recente período de dez anos, entre 2009 e 2019, o total de óbitos caiu 38%.

“O número de ocorrências com óbitos caiu de 1.347 em 2009, para 828 em 2018; e o de mortes teve redução de 1.382 para 849”.

Em 2009, os atropelamentos representavam quase metade das ocorrências fatais. No final de 2018, este índice ainda era alto, mas menor: 40%.

O número de acidentes com vítimas recuou 47,4%, passando de 24.918 casos em 2009 para 13.105 em 2018.

Já o total de pessoas vitimadas no trânsito, neste período de dez anos, reduziu 50,5%, de 32.035 em 2009 para 15.845 em 2018.

Em nota, a CET ainda explica os custos hospitalares que o trânsito em São Paulo representou e as ações para tentar reverter a alta:

Custos hospitalares

O cruzamento de dados da CET com os da rede municipal de saúde revelou que,  das 849 vítimas fatais de acidentes de trânsito no ano passado, 236 (28%) morreram no local da ocorrência ou a caminho do hospital.

Dos 613 óbitos restantes, o levantamento identificou 158 vítimas com correspondências de internações no SUS, sendo 84 pedestres, 52 motociclistas, 14 condutores ou passageiros de veículos, cinco ciclistas, além de três passageiros de ônibus.

Os pedestres que morreram haviam ficado internados, em média, por quatro dias, com um custo médio de R$ 3.876 por internação e custo total de R$ 174.418. Motociclistas ficaram hospitalizados por dois dias, em média, com custo médio de R$ 4.347 por vítima fatal e custo total de R$ 173.866.

Condutores e passageiros de automóveis e caminhões tiveram a média de três dias de internação até virem a óbito, com um valor médio de R$ 3.307 pelo período que passaram hospitalizados e custo total de R$ 33.070. Ciclistas passaram hospitalizados, em média, um dia, com valor médio de R$ 2.425 por internação e custo total de R$ 12.124. E passageiros de ônibus ficaram, em média, hospitalizados 11 dias, com custo de R$ 1.530 por hospitalização, além do custo total de R$ 3.060.

Mais ações pela vida

Com o objetivo de combater a violência no trânsito e poupar mais vidas, a SMT, por meio da CET, implementará um conjunto de intervenções de segurança viária que seguem os preceitos do Programa Vida Segura, anunciado em abril e fundamentado no conceito de Visão Zero, segundo o qual nenhuma morte é aceitável no trânsito. Esse pacote de ações envolve as seguintes intervenções:

Áreas Calmas

As Áreas Calmas têm a proposta de melhorar a segurança viária em regiões onde se concentram atividades comerciais e de serviços com fluxo intenso de veículos e movimentação de pedestres. A proposta também inclui a redução da velocidade máxima regulamentada nesses locais para 30 km/h.

1) Área Calma de Santana

O bairro de Santana, na zona norte, começou a receber melhorias em junho de 2018, com um projeto para acalmar a velocidade no cruzamento das ruas Salete e Dr. César. Foi criada uma rotatória e o passeio foi estendido, dando maior conforto nas travessias. Dois cruzamentos da Av. Cruzeiro do Sul – junto às ruas Dr. Olavo Egídio e  Conselheiro Saraiva – foram reconfigurados, recebendo controlador semafórico mais moderno e canteiros divisores de fluxos. Ao todo, são previstos 18 projetos na região do entorno do terminal de ônibus e estação de Metrô Santana.

2) Área Calma de São Miguel Paulista

No zona leste, São Miguel Paulista deverá receber intervenções de acalmamento de tráfego em 20 locais, como a Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra (“Praça do Forró”), a principal do bairro, e a Av. Marechal Tito, cujas calçadas são atualmente estreitas.

Vias Seguras

 

3) Estrada de Itapecerica Segura

 

Com 9 quilômetros de extensão, a Estrada de Itapecerica é um importante corredor de ligação da zona sul, que faz divisa com Itapecerica da Serra. Em 2018, a via registrou nove acidentes fatais, com dez óbitos.

 

Observa-se um elevado número de motocicletas circulando pela via, cuja velocidade máxima regulamentada é de 50 km/h, nos picos da manhã e tarde. Os principais problemas identificados são as distâncias entre faixas de pedestres (de 100 a 600 metros), conflitos veiculares, calçadas estreitas e ausência de focos para pedestres em algumas travessias, além do comportamento de risco das pessoas.

 

A ideia é implantar soluções semafóricas e rearranjo de geometria em cruzamentos,  de modo a tornar a Estrada de Itapecerica uma via mais segura.

 

4) Belmira Marin Segura

O mesmo conceito de Via Segura deve ser levado à Av. Dona Belmira Marin, no Grajaú. Em 2018, a avenida somou seis mortes.

 

O principal problema detectado nessa movimentada via da zona sul é a grande distância entre as travessias em trechos de comércio adensado, o que leva os pedestres a se arriscarem entre os veículos.

 

Dentre as propostas sugeridas, preveem-se semaforização, correção de geometria, otimização da fiscalização eletrônica e revitalização da sinalização viária.

 

Rota Escolar Segura em Itaquera

 

5) Na Cohab José Bonifácio, em Itaquera, SMT e CET darão continuidade ao Projeto Rota Escolar Segura: além de uma minirrotatória e da ampliação de uma faixa zebrada já sinalizadas na Rua Jardim Tamoio, o quadrilátero formado por essa via, a Rua Luís Mateus, a Av. Nagib Farah Maluf e a Rua Agrimensor Sugaya deverá ser contemplado com lombadas, faixas de pedestres, canteiros centrais de apoio, etc.

O Rota Escolar Segura foca na mobilidade de áreas escolares onde a maioria dos estudantes faz o trajeto casa-escola a pé. São premissas desta iniciativa:

  • Melhorar a visibilidade das crianças nas travessias de pedestres (propondo travessias elevadas e avanços de passeio junto às travessias);
  • Propiciar maior segurança aos alunos próximo aos portões de entrada e saída das escolas (extensões de passeio, áreas de interação);
  • Aumentar a utilização das faixas de pedestres pelos estudantes: propor distâncias menores entre travessias, reduzir a extensão da travessia, implantar focos semafóricos para pedestres, iluminar as faixas;
  • Implantar sinalização de redução de velocidade (30 km/h) acompanhada de dispositivos moderadores de tráfego, tais como rotatórias, travessias elevadas, lombadas físicas, chicanas, estreitamento de pista.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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