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Para operadora de corredor no ABC, trólebus têm futuro e devem estar entre as opções de investimentos

Ônibus elétricos conectados à rede aérea são indicados para corredores, dizem especialistas. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) - Clique para Ampliar

Diretora da empresa Metra, Maria Beatriz Setti Braga, diz que veículos ainda são as opções economicamente mais viáveis de ônibus menos poluente

ADAMO BAZANI

No dia em que o trólebus completa 70 anos no Brasil, a segunda maior operadora deste tipo de veículo do País, Metra Transportes, saiu em defesa do modal e diz que os ônibus elétricos conectados à rede área de energia estão ainda entre as melhores soluções para aliar redução de emissões de poluentes com baixo custo de implantação e operação.

Em nota, a proprietária da empresa, que opera o corredor que liga parte do ABC às zona leste e sul da capital paulista, Maria Betriz Setti Braga, diz que o domínio da tecnologia pelo Brasil é uma das razões da viabilidade econômica e operacional dos trólebus.

“Para nós da Metra, o trólebus é um veículo ambientalmente correto e tem papel fundamental para alcançar as metas de redução da poluição por ser uma tecnologia amplamente conhecida e de baixo custo em comparação com outras alternativas, como ônibus elétricos com bateria, a hidrogênio ou mesmo a gás”, explicou na nota à imprensa especializada nesta segunda-feira, 22 de abril de 2019.

A opinião da empresária, que pela companhia Eletra Industrial também fabrica os sistemas de integração eletrônica dos veículos, segue a mesma linha de especialistas ouvidos na reportagem especial do Diário do Transporte sobre os 70 anos dos trólebus no Brasil: houve evoluções tecnológicas que, com bancos de bateria, dão autonomia aos coletivos para operarem por alguns quilômetros sem estarem conectados à fiação aérea, e que minimizam as quedas das alavancas. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/04/21/trolebus-70-anos-um-meio-de-transporte-que-e-viavel-para-os-dias-de-hoje-e-para-o-futuro/

A Metra possui pouco mais de 90 trólebus, ficando atrás da Ambiental Transportes na capital paulista (que vai integrar o consórcio TransVida após a assinatura dos contratos da licitação), com 200 trólebus ligando a zona Leste ao Centro. A licitação não previu ampliação da rede de trólebus em São Paulo, apesar das metas de redução de poluição previstas em lei municipal e nos editais, mas estipula que toda a rede atual seja melhor aproveitada, o que deve possibilitar a compra de 50 novas unidades.

Além da Metra e da Ambiental, apenas mais uma empresa opera trólebus atualmente no Brasil, a Viação Piracicabana, em Santos, na 20, que liga a praça Mauá, no Centro, à praça da Independência, no Gonzaga. São seis veículos que não pertencem à empresa. Os trólebus fazem parte do patrimônio público e os seis não operam concomitantemente.

Na nota, a empresa ainda diz que conseguiu poupar a região por onde passa o corredor de 21 mil toneladas de gás carbônico em 22 meses de operação, entre janeiro de 2017 e outubro de 2018 pela operação dos trólebus.

Os 96 trólebus da Metra que operam no Corredor ABD colaboram significativamente para a preservação ambiental e melhora da qualidade do ar e do bem-estar da Grande São Paulo, segundo dados da EMTU. O levantamento refere-se ao período entre janeiro de 2017 e outubro do ano passado e levam em conta o ano de fabricação dos veículos em comparação com os ônibus movidos a diesel do mesmo tamanho.

 Além da redução na emissão de dióxido de carbono, os trólebus da Metra colaboram com a redução de outros poluentes prejudiciais à saúde, como 104 toneladas de (NOx), óxido de nitrogênio relacionado inclusive a casos de câncer e de 1,7 tonelada de materiais particulados, tipo de poluente que pode entrar facilmente na corrente sanguínea, além de poupar 8,1 milhões de litros no consumo de óleo diesel.

O trecho eletrificado do corredor tem extensão total de 33 quilômetros, entre os bairros de São Mateus, no extremo leste da capital paulista, e Jabaquara, na zona sul, atravessando quatro municípios do ABC: Mauá, Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema. Segundo a Metra, o Corredor ABD, é classificado como o modo de transporte mais satisfatório na Região Metropolitana de São Paulo, com aprovação de 86,7% dos passageiros. O sistema atende mais de 300 mil passageiros por dia, tem velocidade média operacional de 21 km /h e o intervalo médio considerando todas as partidas nos dias de semana é de três minutos, ainda de acordo com a Metra.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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