BRT do Rio de Janeiro vai usar ônibus convencionais no corredor Transoeste

Publicado em: 17 de abril de 2019

Mudança deve ser implementada em até um mês. Foto: Divulgação.

Decisão do Consórcio foi tomada por conta do número insuficiente de veículos articulados

JESSICA MARQUES

O Consórcio BRT do Rio de Janeiro vai utilizar ônibus convencionais no corredor Transoeste. A decisão foi tomada por conta do número insuficiente de veículos articulados para o sistema.

Segundo informações obtidas pelo Diário do Transporte, o interventor no Consórcio Operacional BRT, Luiz Alfredo Salomão, colocará em prática um plano emergencial para complementar a frota do corredor Transoeste com veículos convencionais.

A medida tem caráter provisório. Os ônibus convencionais farão apenas serviços diretos, sem paradas, entre o Terminal Alvorada e as estações de Mato Alto, Pingo D’Agua e Santa Cruz.

A implementação dos ônibus convencionais está prevista para ser feita de forma gradual, em um período de até um mês. A intervenção está aguardando a manifestação de interesse das empresas para anunciar os detalhes da operação.

Os novos serviços contarão ainda  com pontos de embarque especiais, fora das atuais plataformas, e não vão influenciar no custo da tarifa para os passageiros.

O objetivo da medida é contribuir com a recuperação da frota existente, permitindo melhorias na manutenção. A mudança está prevista para durar até que as atuais empresas possam cumprir a entrega de veículos articulados em número suficiente ou até que que novos operadores, selecionados em licitação, possam atender às demandas dos passageiros de forma satisfatória.

O compromisso das empresas que operam o sistema é de fornecer 429 veículos, segundo Salomão. Atualmente, este número varia entre 200 e 260 veículos por dia, de acordo com um levantamento feito pela intervenção.

Em um primeiro momento, a oportunidade de fornecer os ônibus convencionais nos horários de pico para circular pela Transoeste será oferecida às empresas que operam o transporte rodoviário de passageiros no município.

Uma reunião de emergência foi convocada pelo interventor para esta quarta-feira, 15 de abril 2019, para tratar do assunto com os consórcios que operam o BRT.

CONSÓRCIO REPUDIA MEDIDA

Em relação ao anúncio feito pela equipe de intervenção da Prefeitura do Rio, o Consórcio BRT Rio acredita que a medida é um retrocesso.

Além disso, o consórcio ressaltou diversos pontos sobre a decisão, conforme nota enviada ao Diário do Transporte. Confira:
 
– A medida pode ser considerada um retrocesso para a mobilidade urbana, uma vez que descaracteriza um projeto adotado com sucesso em 171 cidades no mundo;
– O sistema BRT do Rio de Janeiro já foi considerado referência mundial por especialistas, recebendo o Selo Ouro do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), uma das principais entidades internacionais de avalição do transporte público, com sede em Nova York.
– Apesar de todo o reconhecimento internacional, a Prefeitura do Rio optou por abandonar um sistema que transporta mais de 500 mil passageiros por dia;
– A omissão da Prefeitura tem efeito direto nos passageiros, que são os mais prejudicados com a perda de vantagens do BRT: viagens mais rápidas, previsíveis e seguras em um sistema controlado;
– A utilização de ônibus convencionais nos corredores BRT contraria a concepção de um sistema de alta capacidade que opera em pistas exclusivas com: pagamento antecipado, embarque em nível e rápido em veículos com capacidade de até 180 passageiros por quatro entradas (em até 30 segundos)
– Ao substituir ônibus articulados por convencionais, a intervenção eleva o custo de operação sem um ganho de eficiência ao exigir a contratação de mais motoristas, aumentando também os gastos com combustível e de uma manutenção não prevista dos veículos. É importante lembrar que cada veículo articulado corresponde a mais de dois veículos urbanos;
– A Prefeitura vem utilizando o BRT como um laboratório de testes em vez de apresentar soluções definitivas para as suas obrigações legais, quase três meses depois do início do processo de intervenção.
– É inaceitável que a intervenção não tenha uma resposta rápida e concreta para as condições precárias das pistas de circulação dos ônibus articulados, que já provocaram a retirada de mais de 70 veículos de operação e aumentaram consideravelmente o tempo de viagem ao longo dos corredores.
– Até o momento, a intervenção vem demonstrando total falta de capacidade técnica para apresentar ações efetivas para o cumprimento de suas responsabilidades legais, como melhorar as condições precárias das pistas, reduzir os calotes, combater a ação descontrolada de ambulantes e os sucessivos atos de vandalismo.
– A redução da frota em operação do sistema BRT é responsabilidade direta da Prefeitura, que não oferece as condições necessárias para a circulação dos ônibus nos corredores expressos, que, segundo estudo recente, tem mais de 80% das suas pistas sem condições adequadas para a circulação dos ônibus articulados.
– O Consórcio BRT Rio reafirma mais uma vez que a Prefeitura deve assumir integralmente suas obrigações contratuais e oferecer as condições necessárias para a operação das empresas no sistema BRT.
  
– É inadmissível que até o momento a Prefeitura ainda não tenha apresentado, de forma transparente, qual é o planejamento para a melhoria do sistema BRT.
 
– As ações anunciadas pela Prefeitura deixam claro o caráter político da intervenção, já que todas as medidas anunciadas referem-se somente às responsabilidades contratuais do governo municipal no sistema BRT.
 
– Além de não ter apresentado sequer à população o diagnóstico e soluções necessárias para retomada da operação, a intervenção atesta sua incompetência técnica e interesses meramente políticos ao anunciar a licitação de um sistema negligenciado pela Prefeitura. 
– O anúncio de uma suposta licitação, sem antes cumprir com as obrigações legais da intervenção, não só desrespeita o contrato de concessão existente como cria uma insegurança jurídica para o investidor privado. 
“Se a Prefeitura não respeita o acordo atual e não se responsabiliza por suas obrigações legais, por que seria diferente no futuro? A quem interessa a licitação?”

MULHERES NO BRT

Nesta semana, outra novidade foi anunciada para o BRT do Rio de Janeiro, conforme noticiado pelo Diário do Transporte.

Uma resolução assinada pelo interventor do Sistema BRT do Rio de Janeiro, Luiz Alfredo Salomão, determina espaço exclusivo para mulheres nos ônibus do modal. O consórcio responsável pela operação tem até 25 de abril para implementar nova medida.

A resolução estabelece o cumprimento da lei 6274/2017, que dispõe sobre a reserva de lugares nos veículos articulados para mulheres. O objetivo é coibir casos de abuso sexual.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2019/04/17/resolucao-determina-espaco-exclusivo-para-mulheres-no-brt-do-rio-de-janeiro/

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Comentários

  1. Eduardo Veronesi disse:

    O BRT do RJ é “bom” exemplo para os que querem trocar o monotrilho da linha 18 por BRT…

  2. Daniel Duarte disse:

    Uma boa medida, falta a prefeitura arrumar as pistas do corredor. Se eu fosse frotista jamais colocaria um ônibus nesse corredor do jeito que está.

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