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Consultor diz a consórcio de prefeitos do ABC que BRT pode atingir demanda indicada para linha 18 se tiver sistema de ultrapassagem

Engenheiro esteve nesta terça-feira, 16 de abril de 2019, na entidade regional para falar sobre Linha 18. Foto: Divulgação.

Entidade recebeu engenheiro que desenvolveu o estudo que serviu como base para a PPP da linha prevista originalmente para ser monotrilho

JESSICA MARQUES/ADAMO BAZANI

Um sistema de corredores de ônibus de maior capacidade e velocidade que os corredores comuns (BRT – Bus Rapid Transit) poderá atender à demanda indicada para a linha 18-Bronze, que originalmente foi planejada para ser um monotrilho entre São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e a estação Tamanduateí de trem e metrô na capital paulista.

A afirmação é do engenheiro Antônio Luiz Santana, sócio-diretor da Oficina Consultores, especializada em Mobilidade Urbana e Transportes ao Consórcio Intermunicipal ABC, entidade que reúne os prefeitos da região.

Segundo nota do consórcio, o engenheiro esteve nesta terça-feira, 16 de abril de 2019, na entidade regional e explicou que qualquer que seja o modal estudado para ser implementado no traçado, deve ter capacidade para atender até 25 mil passageiros por hora em cada sentido. Antônio Luiz Santana disse que esta demanda pode ser atendida por um BRT, desde que o sistema seja projetado para ter estações com sistema de “ultrapassagem”, ou seja, plataformas em que até três ônibus realizem embarque e desembarque ao mesmo tempo.

A Oficina Consultores foi contratada, por processo licitatório, pela Prefeitura de São Bernardo do Campo em 2010 para fazer o projeto funcional de um sistema leve de trilhos que ligaria a cidade à capital. O estudo, segundo o consórcio, serviu como base para a PPP -Parceria Público-Privada da linha 18-Bronze de monotrilho, assinada em agosto de 2014.

A Oficina Consultores também venceu uma concorrência e elaborou o Plano Diretor de Mobilidade Urbana do Grande ABC, contratado pelo Consórcio ABC em 2012.

O consultor disse, ainda segundo a nota da entidade de prefeitos, que não é partidário de nenhum modal, mas que há mais de uma possibilidade de meio de transporte para o traçado planejado para a linha 18.

“Quando a discussão sobre uma ligação por trilhos do Grande ABC com a capital foi iniciada, lá em 2010, o Governo do Estado de São Paulo entendeu que o monotrilho seria a opção menos agressiva ao meio urbano e a mais barata. Na ocasião, o BRT não foi colocado em pauta porque a Prefeitura de São Bernardo havia solicitado a simulação somente de uma linha direta com São Paulo por trilhos, algo que a cidade não possuía”, afirmou Santana, de acordo com nota do consórcio. “Não sou defensor de modal A, B ou C, mas de que esse eixo, que é muito importante do ponto de vista de demanda, tenha uma solução”.

Ainda segundo o especialista, o mais importante é que o modal escolhido, independentemente de qual seja, se integre a outras opções de transporte na região e capital.

“É um traçado que passa só por três cidades, mas que mexe com a realidade do transporte de toda a região. Deve ser pensado de forma a integrar com os sistemas que já existem, para criar sinergia, ou vai perder efetividade”

A consultoria do engenheiro aos profissionais da entidade regional foi intermediada pelo secretário-executivo do Consórcio ABC, Edgard Brandão. Segundo Brandão, ainda de acordo com a nota da entidade, o momento é de conhecer tecnicamente todas as alternativas possíveis.

“Estamos adquirindo embasamento técnico para entender melhor a discussão sobre o modal a ser decidido pelo Governo do Estado e estar 100% por dentro do projeto e das opções para essa linha, que é tratada como prioridade para nossa região. Com isso, podemos contribuir no assessoramento aos prefeitos”, disse Edgard Brandão.

DEFINIÇÃO E ESTUDOS

Os prefeitos do ABC Paulista querem se reunir com o secretário de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Alexandre Baldy, para discutirem os estudos sobre a linha 18-Bronze.

Relembre: Prefeitos do ABC querem se encontrar com Baldy em 15 dias para entenderem possíveis mudanças no projeto da linha 18

O prefeito João Doria voltou a falar no sábado, 13 de abril de 2019, das alternativas que estão sendo estudadas para a implantação da Linha 18-Bronze. Na ocasião, Doria garantiu que a definição do modal sairá até o fim do ano.

O governador ainda prometeu revelar previsões sobre início das obras, mas relutou em descartar de vez alternativa de monotrilho.

Relembre: Linha 18: Doria garante que definição de modal sairá até o fim do ano

No final do mês passado João Doria já dissera que estudava a possibilidade de outros modais ao invés de monotrilho para a ligação. Entre esses modais estaria um sistema de BRT, corredor de ônibus com maior velocidade e capacidade que os corredores comuns.

Relembre: Definição de modal para Linha 18-Bronze sai em até 90 dias, diz Doria

Quanto a descartar de vez a alternativa do monotrilho para a Linha 18, Doria preferiu dizer que vai esperar os estudos, quando então definirá a modalidade de transporte que será adotada.

A declaração de Doria repete o que ele disse na segunda-feira, 08, em entrevista coletiva que teve a participação do Diário do Transporte durante entrega da estação Campo Belo, da Linha 5-Lilás do Metrô.

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Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Jessica Marques para o Diário do Transporte

 

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