Mulheres mudam de profissão para serem motoristas de ônibus

Publicado em: 8 de março de 2019

Vanessa Reis Santos, 24 anos, é formada em administração e trabalha como motorista. Foto: Divulgação.

Paixão por dirigir os veículos que transportam passageiros supera obstáculos

JESSICA MARQUES

Nesta sexta-feira, 08 de março de 2019, Dia Internacional da Mulher, o Diário do Transporte reúne histórias de mulheres que mudaram de profissão para serem motoristas de ônibus.

A paixão por dirigir os veículos que transportam passageiros supera obstáculos e une a história de mulheres de diversos lugares, com diversas experiências de vida.

A motorista Vanessa Reis Santos, 24 anos, dirige na linha 7053-10 – Jd. Macedônia – Terminal Campo Limpo, na capital paulista, há um ano e três meses. A jovem é formada em Administração e já trabalhou como assistente em uma oficina mecânica.

O pai é motorista na mesma linha, portanto, Vanessa cresceu vendo o pai trabalhar em ônibus e se apaixonou pela profissão.

“Quando era criança já ia para a garagem com meu pai pegar o ônibus. Quando fiz 20 anos, meu pai incentivou. Eu gostava mesmo era do ônibus. Meu irmão serve o exército, minha irmã faz nutrição, mas sou mais apegada ao meu pai. Aos 18 anos eu já era habilitada, aos 21, mudei a categoria”, contou.

“Lembro que minha primeira viagem foi às 4h. Meu pai até embarcou no ônibus. Graças a Deus foi tudo perfeito. Me adaptei fácil, foi surpreendente. Fui a primeira mulher na linha”, relembrou a motorista.

A motorista de ônibus Ana Ilma de Souza, 23 anos, também deixou a ocupação inicial para dirigir. Antes, a jovem trabalhava como balconista em uma farmácia de Pinheiros, na Zona Oeste da capital.

Agora, Ana atua na função há um ano e seis meses, na linha Pq. América – Term. Sto. Amaro, também na cidade de São Paulo.

“Desde os 17 quis ser motorista não por incentivo do meu pai (que também é motorista de ônibus), mas era um sonho meu mesmo”, disse.

Diariamente, a jovem reúne diversas histórias para contar, com o contato direto com os passageiros nos ônibus da capital paulista.

“Uma passageira com cerca de 50 anos me considera como se fosse da família, me dá muitos conselhos, me conta várias histórias, falando nisso estou devendo uma visita para ela”, brincou.

Outra mulher que trocou o emprego para dirigir um ônibus foi a ex-empregada doméstica e operadora de caixa Edna Aparecida da Silva, 50 anos. A motorista de ônibus trabalha atualmente na linha 6026-10 – Jd. Icaraí – Term. Sto. Amaro.

A motorista chegou a São Paulo no início dos anos 1980, vindo de Alto Rio Doce, um município de Minas Gerais com uma população de 33.815 habitantes

“Amo dirigir, adoro estar na rua, uma coisa que amo muito é minha profissão. Esse contato com o passageiro no dia a dia é muito especial”, afirmou.

O filho de Edna, André Luiz, 24 anos, seguiu os passos da mãe, adora dirigir, por  influência da mãe, e também é motorista de ônibus.

SERVIÇO ATENDE

O Serviço Atende, na capital paulista, que realiza o transporte de pessoas com deficiência de forma gratuita e porta a porta, também motivou mulheres a trabalharem como motoristas.

É o caso de Rivani Andreia dos Santos, 42 anos, que é motorista do Serviço Atende desde o dia 14 de janeiro deste ano.

Antes, Rivani era motorista de uma locadora de câmera desde novembro de 2017 em Sorocaba, no interior de São Paulo. Além disso, também já foi manicure, depiladora e cabeleireira.

Apesar de a família ser classe média, Rivani trabalha desde os 17 anos de idade para ser independente.

A motorista é moradora do Jardim São Luís, no extremo sul da cidade de São Paulo. Para trabalhar, ela sai de casa todos os dias às 4h20 para assumir o serviço às 5h na garagem em Jurubatuba.

“A gente mais aprende do que ensina. É isso pra mim trabalhar no Atende”, afirmou.  “Trabalho com muita gente carente financeiramente e afetivamente, mães separadas, abandonadas pela mãe. Andar na periferia que não tem água encanada em alguns bairros, tem esgoto a céu aberto. Eles estão ali não por questão de escolha, mas de sobrevivência”, disse Rivani.

A motorista contou ainda que saiu do trabalho anterior justamente para poder ter experiências sociais como esta.

download.png

Outra motorista do Atende que se motiva diariamente no trabalho é Angélica dos Santos Oliveira, 30 anos, que está na função há um ano e meio mora em Marsilac, também na capital paulista.

Da casa da motorista até a garagem são 38 quilômetros. Pra conseguir chegar às 5h na garagem, ela acorda às 3h e pega o primeiro ônibus, que sai às 4h. Para conseguir acordar na madrugada, Angélica é disciplinada e às 19h já está deitada.

“A cada dia é um aprendizado trabalhar no Atende. Trabalho cheio de vontade de viver e fazer mais coisas. Estudar mais sobre eles. Inclusive dá vontade de estudar fisioterapia ou fonoaudiologia”, contou a motorista.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Parabéns a todas as mulheres; principalmente as pilotos do buzão.

    Mas vale lembrar que na década de 70 na linha Barra Funda – Praça de Sé – Barra Funda da CMTC, tinha uma piloto loira que usava rabo de cavalo; a qual conduzia o O 362; como ninguém, nunca vou esquecer.

    E cade o buzão adesivado da Gato ?

    Att,

    Paulo Gil

  2. Marta Matos disse:

    Boa noite sou mulher motorista de ônibus do Rio de Janeiro a 18 anos amo o q faço mas minha saúde anda ficando comprometida pois o calor nocpkdtivo é muito grande mais fico na esperança da frota toda se renovar e o ar condicionado resolver p problema do calor bjus !!!😘🚌💨

Deixe uma resposta