Ônibus anda com marca “Buser” estampada na carroceria e plataforma quer unificar padrão dos veículos

Veículo já está em circulação há cerca de três meses e segundo criador da Buser, foi iniciativa de empresa parceira. Foto: Adamo Bazani/Diário do Transporte – Clique para Ampliar

Autoproclamada “Uber do Ônibus”, ferramenta consiste na contratação de viagens fretados por passageiros individuais Viações reclamam de “concorrência predatória”

ADAMO BAZANI

Já é possível ver pelas estradas ônibus com adesivos da Buser, um sistema de transportes rodoviários sob demanda,  que tem incomodado as empresas tradicionais que operam linhas regulares intermunicipais e interestaduais.

Como mostrou o Diário do Transporte, a empresa de intermediação entre os passageiros e destinos possíveis de viagem conseguiu recentemente decisões judiciais que a permitem operar, sempre com veículos de companhias de ônibus de fretamento com registro em órgãos como ANTT e Artesp

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/10/30/decisao-da-justica-classifica-como-legal-a-atuacao-da-buser-proibe-impedimento-de-viagens-e-determina-que-antt-libere-onibus-apreendido/

Na madrugada desta segunda-feira, 04 de março de 2019, a reportagem do Diário do Transporte encontrou um destes ônibus fretados já com a identificação do aplicativo.

O veículo estava em um posto de parada no município de Queluz, interior paulista, numa plataforma ao lado dos ônibus de empresas tradicionais que trafegam pela rodovia Presidente Dutra, como Auto Viação 1001, Viação Itapemirim, Riodoce e Útil.

Não foi possível saber a origem e destino e não havia funcionários próximos no momento.

Um dos criadores da Buser, Marcelo Abrita, informou ao Diário do Transporte que a adesivação foi iniciativa de uma empresa chamada Santa Maria, do Sul, que aluga o veículo para a plataforma.

Desde o final do ano passado o ônibus circula com a identificação.

Colocar a marca Buser de forma oficial nos ônibus de “empresas parceiras”, com uma arte unificada, é um dos objetivos da plataforma que diz que já recebeu, inclusive, investimento de grupos internacionais.

Segundo os criadores, a Buser, autodenominada “Uber do Ônibus”, consiste numa plataforma que liga pessoas a destinos de viagens por ônibus de fretamento, mas diferentemente dos fretados comuns, os passageiros não precisam se conhecer ou formar grupos.

A pessoa entra no aplicativo e verifica as viagens que reúnem outros passageiros com o mesmo interesse.

Também é possível sugerir horários e destinos.

Se a sugestão resultar em uma demanda de passageiros que cubra os custos da viagem, o percurso é realizado.

O pagamento ocorre por meio de cartão de crédito.

Ônibus com a marca da Buser estava entre empresas tradicionais em posto de parada em Queluz, no interior paulista. Foto: Adamo Bazani/Diário do Transporte

Pela lógica de compartilhamento, quanto mais gente optar pelo mesmo ônibus e horário mais barata fica a viagem para cada um, porque serão mais pessoas dividindo o mesmo preço do fretamento do ônibus.

As viagens podem sair até 60% mais baratas que nas empresas regulares.

Estas companhias de ônibus reclamam de “concorrência predatória”, isso porque a Buser, segundo estas viações, faz os mesmos itinerários, acaba na prática vendendo passagens e não tem as mesmas obrigações e custos, como transportar gratuidades (que são embutidas no valor cobrado aos pagantes deixando as passagens mais caras), pagar taxas de terminais e de fiscalização e cumprir a viagem no itinerário e horário determinados, independentemente de ter um número de passageiros que justifique os custos.

A reportagem nesta madrugada estava num ônibus de dois andares da Viação Itapemirim/Kaissara, da linha Rio de Janeiro/ABC Paulista, com apenas 12 passageiros, uma demanda com a qual dificilmente a Buser faria o mesmo trajeto com um veículo desta configuração. Entre estes 12 passageiros, quatro pessoas eram idosas, sendo que pelas normas da ANTT, duas não pagaram integralmente a passagem e outras duas tiveram 50% de desconto. Seria impossível viajarem na Buser nestas mesmas condições.

A categoria executiva (segundo andar) entre Rio de Janeiro e Santo André custou R$ 158,41, uma viagem na Buser, no mesmo caminho, seguindo a média do aplicativo, poderia ficar por volta de R$ 95.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

12 comentários em Ônibus anda com marca “Buser” estampada na carroceria e plataforma quer unificar padrão dos veículos

  1. Luiz Carlos Direnzi // 4 de março de 2019 às 11:29 // Responder

    A principio seria até contra esse tipo de serviço. Mas como a ARTESP e a ANTT não se preocupam com os usuários não concedendo novas linhas, prolongamentos de linhas já existentes, etc. Então vamos torcer para que esse tipo de serviço se multiplique para facilitar a vida dos usuários. Coisas que as empresas que operam o serviço regular não fazem.

  2. Se antes eu apoiava a Buser, hoje torço um pouco o nariz por causa desta notícia.

    Explico.

    Sempre pensei que o Buser poderia ser uma plataforma para operação com custos mais equilibrados, assim tentando fazer o mercado (e a ANTT) se reorganizarem e fazer os custos de operação no transporte público ficarem mais baratos. E quem sabe, ou empresas do setor copiar o modelo ou ela virar uma forma de conseguir passagens baratas em linhas regulares.

    Quando a Buser faz este tipo de ato, para mim acaba sendo uma espécie de afronta.

    Como colocado na matéria, o valor por poltrona é uns 30/60% de diferença entre o regular e o fretado. Dado que também a empresa operadora regular trabalhar com valores maiores justamente para compensar gratuidades, desequilíbrio financeiro de horários e etc.

    Tenho acompanhado os valores do Buser para rotas que eu faria, e de fato o custo para mim compensa. No entanto, dado que eles trabalham com operação pré-planejada, para mim fica difícil dado que não tenho um planejamento para sair. Ainda acaba compensando fazer uma viagem pelo modo regular dado que posso ir a qualquer momento na rodoviária e comprar uma passagem para o dia, enquanto que no Buser tenho que esperar o grupo que eu estiver fechar viagem para ir.

  3. Aí complica, concorrência assim não é legal.
    Sugiro que as empresas de ônibus tradicionais também operem viajens sob demanda para concorrer com o Buser.

  4. Ademar Gomes Cardoso // 4 de março de 2019 às 13:22 // Responder

    Preços de equipamentos, Impostos, Ganhos ambiciosos, “Empreendedorimos”, excessos de regulação e falta de profissionalismo são, ao meu ver, alguns dos dificutadores de se fazer tranporte público no Brasil.O negócio de Uber por automoveis deu certo. A sua expansão nos transportes públicos tem atraído muitos empreendedores com espíritos extrativistas apenas, e que também põem os sanguessugas governamentais de bocas abertas para punir as novas idéias com seus facilitadore, os quais poderiam aliviar os usuários dos transportes públicos. Desconfio que transporte público deveria ser atividade exclusiva de governos sérios…

  5. João Luís Garcia // 4 de março de 2019 às 18:28 // Responder

    Realmente a concorrência deve ser incentivada em todo e qualquer tipo de negócio, porém preservando as mesmas condições entre as partes.

    1 . tributação não pode ser diferente
    2 . legislação tem que ser igual para ambas as partes
    3 . exigências não podem ser diferentes

    Em nome de um discurso hipocrita e demagogo daqueles que defendem esse novo aplicativo de transporte.

  6. Engraçado é a reportagem divulgar que não havia funcionários próximo ao ônibus. E o motorista porque a reportagem nao procurou por ele? E quanto ao intinerario na foto da pra ver que estava escrito algo. Aí eu me pergunto será que a reportagem não foi a mando de alguma empresa de ônibus?
    Concorrência faz parte, monopólio é outra conversa.

  7. Amigos, boa noite.

    A 4ª Revolução Industrial já está ocorrendo por si só e provocando mudanças, independentemente da inércia proposital dos Jurássicos do Poder Público.

    Nenhum Jurássico do Poder Público conseguirá mais impedir a modernidade.

    Para melhor compreensão do caso BUSER e tantos outros, recomendo que assistam o filme no link abaixo.

    Nem dará tempo de pensar, tudo será alterado pela 4ª Revolução Industrial.

    Sensacional; ou muda ou muda.

    Maravilha, só assim progrediremos!

    Att,

    Paulo Gil

    • Amigos, boa noite.

      Como o link não foi publicado aqui; para assistir o vídeo, façam uma busca no Youtube, como:

      4a revolução industrial

      Att,

      Paulo Gil

  8. Esse carro da Rio Doce, é o Além Paraíba x São Paulo, única linha dela pra SP. Sobre o Buser, eu sou a favor da livre concorrência, mas admito que se eles pode cancelar uma viagem com pouco passageiros, isso se torna desleal e mt incerto pro passageiro. imagina tu vai viajar pra chegar cedo pra fazer algo numa capital e o ônibus nao faz a viagem pq tem pouco passageiro. enquanto isso outras empresas, como foi citado acima são obrigadas a fazer viagem com 4 passageiros.

  9. Há quem vá descordar, mais seria possível uma manobra, para que não houvesse concorrência e não fosse desleal ( como muitos estão falando ). Tecnicamente as empresas regulares precisariam fazer um estudo dos intinerários que não compensam por horário. E suprimir esse horários de suas tabelas, porém em contra partida deixar esses horários que rotineiramente não tem demanda no Buser, assim se caso vier a ter demanda elas não perdem.

  10. Patrick, boa noite.

    Concordo com você; mas com certeza como está, está bom para as empresas.

    Como empresa visa lucro, elas estão cansadas de saber disso, o custo do buzão que bate lata já está embutido no valor tarifa/passagem.

    Caso contrário todas já tinham falido.

    Att,

    Paulo Gil

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: