FRESP comemora 25 anos com jantar em Campinas e lançamento de edição especial da Revista

O presidente da FRESP, Silvio Tamelini, recepcionou os convidados, ao lado de sua esposa e da Diretora Executiva, Regina Rocha. Ao seu lado, Claudinei Brogliato, da Suzantur, e ex-presidente da FRESP em duas gestões.

Estudo da ANTP concluiu que, dentre os meios coletivos de transporte, o fretamento é o que tem maior potencial de retirar carros das ruas

ALEXANDRE PELEGI / ADAMO BAZANI

A FRESP – Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo comemorou na noite desta sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019, 25 anos de fundação.

revista_fresp.jpgAs bodas de prata da entidade sindical foram motivo mais que justificado para um jantar no Tênis Clube de Campinas, seguido do lançamento de uma edição especial de aniversário da Revista da FRESP.

Com a presença de representantes dos sete sindicatos que compõem a Federação – SETFRET, SINFRECAR, SINFREPASS, SINFRESAN, SINFRET, SINFREVALE e TRANSFRETUR –, o encontro reuniu empresários do setor e representantes de entidades como a ANTP – Associação Nacional de Transporte Público, com o superintendente Luiz Carlos Mantovani Néspoli; UITP – Associação Internacional do Transporte Público, na figura do presidente para América Latina e ex-secretário de transportes metropolitanos do Estado de São Paulo, Jurandir Fernandes; e Alexandre Resende, coordenador do Prêmio Boas Práticas ANTP/Abrati, dentre outras personalidades.

As empresas que patrocinaram o evento – Mercedes-Benz, Busscar, Livonius, Marcopolo e Irizar, também estavam representadas, como no caso do diretor industrial da Carbuss Busscar, Maurício Lourenço da Cunha.

Fundada em 10 de fevereiro de 1994, com a união dos sindicatos de fretamento do Estado de São Paulo, a FRESP, sediada em Campinas, reúne mais de 300 empresas de transporte profissional de pessoas por fretamento, sendo responsáveis pela maioria da operação dos veículos coletivos aplicados ao setor.

Em seu discurso de saudação pelos 25 anos, o presidente da FRESP, Silvio Tamelini, diretor da Ipojucatur, lembrou que nesse período a entidade demonstrou que a frase “Juntos somos mais fortes” tornou-se uma verdade incontestável, a se ver as conquistas alcançadas que fortaleceram o transporte por fretamento.

A revista comemorativa lembra alguns desses momentos, dentre os quais citamos a vitória contra a cobrança da Taxa de Serviços e Manutenção Turística de Aparecida, em 2008; a isenção do IPVA para o setor em 2009; a realização do 20º Encontro das Empresas de Fretamento e Turismo, consolidando um evento como foco tradicional de encontro dos empresários de todo o país; a inserção do fretamento como categoria do prêmio ANTP de Qualidade a partir de 2011/2013; o estudo realizado pela ANTP sobre o transporte por fretamento, que redundou na edição de um Caderno Técnico sobre a importância do segmento para os planos municipais de mobilidade urbana.

Além de Silvio Tamelini, atual presidente, a Diretora Executiva da FRESP, Regina Rocha, há 23 anos na entidade, também discursou na cerimônia que antecedeu ao jantar comemorativo, destacando os enormes desafios diante da estrutura modesta. Mas, segundo Regina, a Federação sempre superou as dificuldades graças aos bons líderes da categoria.

CADERNO TÉCNICO

fretamento_cadernoSob coordenação de Eduardo Alcântara de Vasconcellos, engenheiro e sociólogo, consultor da ANTP, o modo de transporte por fretamento foi objeto de um estudo da entidade, que redundou na edição de um Caderno Técnico.

Um dos objetivos foi entender a importância desse tipo de serviço de transporte que, segundo Eduardo, é vítima do mesmo tipo de preconceito que sofre o transporte coletivo por parte do poder público.

Numa entrevista concedida em 2014, quando o estudo foi iniciado, Eduardo relembra um fato que demonstra bem o preconceito e desconhecimento do setor público. Ele cita um projeto da prefeitura de São Paulo, definido na gestão do prefeito Kassab em 2009, que visava limitar o acesso dos ônibus fretados a áreas da cidade. Ele pergunta: “por qual motivo um ônibus fretado com 50 pessoas que saiu de Campinas e que se aproxima de São Paulo é obrigado a deixar seus passageiros em um estação de transbordo enquanto 50 automóveis com 50 usuários que chegam de Campinas no mesmo momento, pela mesma rodovia, podem entrar na cidade pela mesma avenida que o ônibus fretado usaria?”

No estudo realizado, Eduardo concluiu que dentre os meios coletivos de transporte o fretamento é o que tem maior potencial de retirar carros das ruas. “Enquanto o ônibus comum tem baixo poder de atração de usuários de automóvel, no caso do fretamento cerca de 50 a 60% dos usuários deixaram os carros em casa.  E isto é um objetivo essencial em áreas muito congestionadas. No caso de um ônibus fretado com 50 pessoas em que 25 usuários usavam antes seus carros, a área de vias públicas ocupada pelo fretado representa 7% da área ocupada anteriormente”, afirma.

O Caderno Técnico pode ser baixado em versão PDF gratuitamente pelo link: Transporte por Fretamento

GALERIA DOS PRESIDENTES:

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte


FRETAMENTO, EVOLUÇÃO DOS VEÍCULOS EM PROL DO CONFORTO E DA SEGURANÇA:

Por Adamo Bazani

Monobloco Mercedes-Benz O-371, da Turismo Bozzato, empresa com sede em Mauá, no ABC Paulista. Saída de grandes indústrias da cidade-sede da companhia, como a TRW, fizeram com que os serviços e estratégias foram revistos.

No momento em que a Fresp comemora os 25 de atuação, uma página não pode passar em branco na história do fretamento: a evolução dos veículos.

Atualmente os ônibus contam com tecnologias avançadas e seguem novas normas de segurança, conforto e acessibilidade. A mais recente diz respeito às plataformas elevatórias no lugar das cadeiras de transbordo, um assunto polêmico no fretamento, já que as empresas alegam que não é necessário que uma frota inteira, de um serviço que é sob demanda, tenha todos os veículos com o equipamento que pode deixar um ônibus entre 15% e 30% mais caro.

Mas não se pode negar que é uma evolução dos modelos.

Com as normas de restrição à poluição Euro V, desde 2012/2013 no Brasil, os ônibus são bem menos poluentes e mais silenciosos que os modelos de 1994, quando a Fresp começou sua trajetória.

Paradiso 1450 LD, chassi Mercedes-Benz, da Suzantur. Veículo se destacou em fretamento eventual

Mas já naquela época os ônibus se destacavam. A qualidade dos veículos de fretamento e o cuidado que a maior parte das empresas tem com eles, afinal o segmento é o mais competitivo do setor de transportes terrestres de passageiros, sempre foram diferenciais neste ramo.

Em São Paulo, área de atuação da FRESP, dominavam o setor de fretamento modelos como os monoblocos da Mercedes-Benz das linhas O-371 e, posteriormente, O-400, a geração V da Marcopolo, com o Paradiso e o Viaggio, e pela Busscar, os destaques eram os “recém-lançados” El Buss e Jum Buss. Todos tinham diferentes configurações, traziam charme e chamavam a atenção por onde passavam.

Os saudosistas com certeza vão suspirar ao lembrarem das calotas únicas do O-371, dos faróis quadradinhos da geração V da Marcopolo e do design imponente, com uma “cara sisuda” do El Buss e do Jum Buss.

Busscar, com motor dianteiro, da Ipojucatur com motor dianteiro para fretamento contínuo.

Mas o tempo não para e tudo evoluiu. Hoje os ônibus estão com linhas mais modernas, o ar-condicionado virou item indispensável até nos modelos mais simples, kit multimídia, GPS, led na iluminação interna e externa e sistemas de monitoramento da dirigibilidade, consumo e gestão de frota fazem parte da realidade das empresas, desde as menores até em grandes grupos.

Por outro lado, não se pode deixar de destacar que muitas das empresas que operaram os lendários monoblocos, El Buss, Jum Buss e Geração V não mais existem.

Isso porque algumas não aguentaram as instabilidades constantes do país, a desindustrialização de regiões, como o ABC Paulista, e a falta de prioridade ao transporte coletivo, e acabaram fechando as portas.

Já muitas das empresas que resistiram, tiveram de substituir os imponentes ônibus por acanhadas vans por causa da queda de demanda em diversos serviços contínuos e pela necessidade de maior agilidade em um trânsito cada vez mais caótico.

São sinais de evolução e desafios de uma viagem que continua.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. João Luis Garcia disse:

    Trata-se de um setor que junto aos demais contribui e muito para que tenhamos uma melhor qualidade de vida, principalmente nas grandes metrópoles.
    Infelizmente ainda não tem por parte das autoridades o seu merecido reconhecimento.

  2. Jaime Sardinha disse:

    Parabéns a FRESP que nestes 25 anos, sempre representou e representa os sete (07) sindicatos patronais do nosso estado muito bem e não mediu e não mede esforços para trazer muitas conquistas para todas as empresas de fretamento do estado de São Paulo. E é a razão da permanência e existência do segmento fretado por empresas comprometidas, estruturadas e organizadas em meio a tanta pressão que ao longo destes anos sempre sofreu, seja de sindicatos radicais nas negociações anuais e de leis, decretos leis ou normas impostas por órgãos Gestores do transporte de passageiros a nível Nacional e Estadual.
    Jaime Sardinha
    SETFRET
    Sorocaba/SP

  3. Rogerio Belda disse:

    O transporte coletivo por ônibus nasceu em Paris como fretamento para ir a praia no litoral. Criado por Blaise Pascal, recebeu o título de “para todos” em Latim: OMNIBUS. Posteriormente, os serviços regulares mantiveram o slogan e, da França, espalhou-se para outras regiões.

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